Sigur Rós – Um texto sobre nada e sobre tudo

A música é uma arte que é sentida de maneira diferente por cada um de nós. Dificilmente duas pessoas conseguem explicar o que sentem numa música de igual forma. Há sempre algo diferente. A razão para isso talvez seja pelo facto de a música ser um tipo de arte bastante pessoal, e como tal depende muito da personalidade de cada pessoa e da sua forma de encarar a vida, a música e a arte.
Fazer música “sentimental” é um pequeno paradoxo, visto que todas as músicas são sentimentais, são criadas para as massas mas são sentidas pelo individuo, de forma muito pessoal.
Desta forma, dizer que os Sigur Rós fazem música sentimental não deixa de ser verdade. Também não é menos verdade que a sua música é sentida por nós de forma diferente.
Por mais que se tente encaixar os Sigur Rós num estilo musical é complicado. Lá por terem isto ou aquilo do post-rock ou do pop não quer dizer que sejam de um género ou de outro. Aliás, na minha opinião esta é uma das poucas bandas que realmente não se insere em nenhum estilo musical objectivo. É música, diferente de tudo o resto, e como tal é também sentida de forma bem diferente das restantes.
Do meu ponto de vista pessoal não existe uma outra banda ou artista que me transmite o que os Sigur Rós transmitem. A chamada música da alma vive neles, personificada apenas na sua música.
Uma vez disse quase poeticamente que a sua música se assemelhava a música dos anjos, se estes algumas vez soubessem tocar… Continuo a achar o mesmo.
O artista é livre de fazer o que quiser. Pode fazer música para as massas, para si próprio, para os fãs do metal, etc. Mas fazer música tão própria, tão sentimental, tão genuina, criada a partir de simples composições e de uma voz que parece o mais belo dos instrumentos na terra, é quase algo impossível de alcançar.
Uma viagem pelo universo dos Sigur Rós é uma viagem por aquilo que devia ser toda a humanidade, um misto de honestidade, simplicidade, genuinidade e simpatia, sem esquecer a humildade, fruto da cultura do seu país natal (Islândia).
Através da música os Sigur Rós ensinam-nos muito mais do que a escutar algo diferente, ensinam-nos também como se pode ter qualidade e sermos nós próprios ao mesmo tempo.
Afinal a paz, o amor, a humildade e todas as características inatas ainda fazem falta nos dias que correm…talvez cada vez mais.


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p style=”text-align:justify;”>Texto por João Miguel Fernandes