Opinião – Optimus Alive 2011

Desde 2007, data da sua primeira edição, até hoje, o festival Optimus Alive, promovido pela Everything is New, conquistou um lugar de destaque entre os festivais portugueses. Poucos são os festivais, mesmo a nível europeu, que logo na sua primeira edição conseguiram juntar nomes tão sonantes como Pearl Jam e Smashing Pumpkins. A fasquia continuou bastante alta nos anos que se seguiram e rapidamente o festival passou de surpresa a certeza. No entanto, há também uma característica menos positiva que o festival conserva desde a sua primeira edição – a mistura, quase aleatória, de bandas, espalhadas pelos dias de cada evento.

Na sua primeira edição, o Optimus Alive contava, como já foi referido, com grandes nomes no cartaz. Ainda assim, algo que também se destacou nessa altura foi a forma como os nomes estavam organizados. Desde o célebre primeiro dia, em 2007, que juntava Pearl Jam, Linkin Park e The Used, ao segundo dia da segunda edição em 2008, com Within Temptation, Buraka Som Sistema e Bob Dylan, entre outros, parece claro que o encarregue pela organização dos dias não tem uma grande noção de ordem. Não é algo que afaste milhares do festival, pois como se sabe este é sempre muito bem sucedido, mas nem por isso deixa de ser uma falha grave.

A edição deste ano acaba por ser mais do mesmo, com tudo o que de bom e de mau isso significa. Este ano o Alive brinda-nos com grandes nomes como Coldplay, Foo Fighters e Iggy Pop, assim como com um palco secundário realmente apelativo, para os apreciadores de géneros mais alternativos. No entanto, a organização dos dias é feita novamente de uma forma, no mínimo, peculiar.

Falando apenas dos nomes confirmados para o palco principal, parece algo esquisito que, confirmando três nomes como My Chemical Romance, 30 Seconds to Mars e Paramore, se consiga também a proeza de os separar em três dias diferentes. Também não deixa de ser estranho ver os mesmos My Chemical Romance no mesmo dia em que sobe ao palco Iggy Pop e Foo Fighters, enquanto que no dia encabeçado por 30 Seconds to Mars, são os Chemical Brothers que também marcam presença. Sobre o primeiro dia do evento, que este ano conta com mais um do que é normal, pouco há por agora a dizer, enquanto que o quarto dia do evento parece-me claramente uma ideia que falhou, pois não vejo como é que  Jane’s Addiction poderiam ser o cabeça-de-cartaz de outra forma.

Resumindo, este ano a Everything is New conseguiu mais uma vez reunir grandes nomes num único cartaz e ninguém lhes pode tirar esse mérito. No entanto, voltaram também a conseguir espalhar os nomes do evento da forma mais aleatória possível pelos dias disponíveis. É compreensível que não seja fácil conciliar as coisas e criar dias mais homogéneos, mas não é tanto que, ano após ano, isto continue a acontecer da mesma forma. Ainda assim, e acima de tudo, o Optimus Alive é um grande festival, dos melhores que se faz por território nacional.

 

Texto por Sandro Cantante

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