Linda Martini + Diabo na Cruz no Centro Cultural de Belém (21/05/2011)

 Sábado, dia 21 de Maio, finaliza-se o pequeno festival com o nome de CCBEAT. O programa com o objectivo de transmitir inclinações da música urbana dos nossos tempos conta com duas grandes bandas bem distintas, mas com o comum de utilizar o trocadilho da língua portuguesa. Falo de Diabo na Cruz e Linda Martini.

Por volta das 20:45 começava-se a notar que o grande auditório do CCB se iria encher, com um interessante público de diversas idades. Por volta das 21:10, já com os espectadores ansiosos pelos concertos, as luzes apagam-se e começa o espectáculo. Os primeiros a tocar foram os Diabo na Cruz.

A banda folclórica rock começou com uma abertura mais sonora e de efeito transe, que fez com que os espectadores ficassem admirados, mas não surpreendidos, com a capacidade destes músicos. Mas foi a segunda música que fez o público levantar-se e sentir o ritmo enquanto cantava as letras. E a partir daí foi sempre uma animação. O público conhecia bem as letras e não hesitou em cantar “Bico de um prego”, “Os loucos estão certos”, “Casamento” ou até “Corridinho de Verão”, em que a banda pediu as vozes e a força das raparigas para ajudar na música. Já para “Bom Tempo”, os Diabo exigiram assobios e assim os espectadores o fizeram, criando um som bastante agudo e unânime. “Dona Ligeirinha” fez até com que o público mais tímido batesse o pé ou até mesmo se levantasse para dançar e a cantar uma das músicas mais conhecidas da banda. No final, o concerto acabou com “Fecha a loja”.

Extremamente animados e com um grande sentido de humor e conversação, os Diabo na Cruz e fizeram com que o público se sentisse familiarizado e à vontade para exprimir a forma como sentia as boas músicas da banda.

 Depois de um pequeno intervalo, foi a vez dos Linda Martini.

Mal fizeram a abertura com “Nós os Outros”, o público não se conteve e a sua maioria colocou-se de pé para ouvir a banda de Queluz. Ouve até quem saísse do seu lugar e fosse para as escadas e o espaço entre o palco e os bancos do auditório. A partir daí, foi o delírio total. Depois do “Que fizemos de nós…” veio a “Mulher-a-dias”, “Amigos Mortais”, “Dá-me a tua melhor faca” e, talvez com o factor de terem levado os seus pais a ver um concerto deles, o que é certo é que os Linda Martini tocaram temas que já há algum tempo não tocavam ao vivo, como foi o caso de “Quarto 210” , “Estuque” e como antepenúltima , “Lição de Vôo n º1“.  Tocaram também o clássico “Amor Combate” e o “Amor é não haver Polícia”. As restantes músicas tocadas já pertencentes à Casa Ocupada foram a “Juventude Sónica” , “Ameaça Menor” , “Elevador”, “Belarmino”  e “Cem metros Sereia” . Os Linda Martini denotam-se por ser uma banda um pouco tímida mas no que toca aos seus fãs se “chegarem” à sua música, eles conseguem-no ao máximo, literalmente. Isto porque, quando foi para finalizar o concerto com “Cem metros Sereia”, Hélio Morais disse ao público para subir ao palco e este assim o fez. Controlados pelos seguranças para não existir problemas, os espectadores cantaram e dançaram junto da banda fazendo com que concerto tivesse um final muito acima das expectativas.

Dois concertos e duas grandes bandas que revelaram o bom da música portuguesa que se faz no nosso país.

É para continuar.

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Texto por Débora Pereira
Fotos por Hugo Rodrigues