Super Bock Super Rock – 2º Dia (15/07/2011)

B Fachada

De nome próprio Bernardo, este B apareceu em palco às 20.45 para fazer ele próprio o sound-check. Foi aí que os gritos estridentes dos fãs mais acérrimos se manifestaram. Quando B e os seus apóstolos, Martim no contrabaixo, Francisca Cortesão nos coros, teclas, xilofone e guitarra e Mariana nas baterias, entraram em palco para a desejada actuação a plateia estava já muito bem constituída para receber este prodígio do pop/rock/folk português.

Os bitaites entre B Fachada e o público foram grandes e por entre piadolas e momentos bem divertidos iniciou-se uma actuação descomplexada. Tão descomplexada como as baterias tocadas por Mariana, duas mini-baterias de criança que qualquer tio pouco forreta teria gosto de oferecer ao sobrinho mais novo. O som, esse, envergonhou muitas baterias adultas.

A participação do público foi requisitada várias vezes através de sons cantados introduzindo algumas das canções. O “vastos reportório” de B Fachada, como ele ironicamente disse serviram para alternar de disco sem que a intensidade e o ambiente mude substancialmente. Apesar de muito jovem e do seu trabalho ainda ser relativamente recente, B Fachada parece ter já uma considerável falange de apoio que sabe as letras de ponta a ponta. Um concerto com mais pontos altos que baixos, que teve vários picos em Estar à Espera ou Procurar do seu álbum homónimo, Os Discos do Sérgio Godinho, do Há Festa na Moradia, Tó-Zé e Primeiro Dia do seu álbum “para crianças” É Para Meninos e, do primeiro trabalho, os óbvios Beijinhos e Zé!

Alguns problemas técnicos fizeram-se notar durante o concerto, feedbacks que provocaram a má reprodução de algumas músicas e distraíram o público e enervaram visivelmente B Fachada.

No fim ainda houve tempo para um encore um pouco atabalhoado, em que B Fachada despejou todo o seu charme e carisma em cima do público onde apareceu sozinho em palco em frente a um piano e deu um último presente aos milhares que chamavam por ele.

No final de contas, B Fachada proporcionou um belo momento de fim de tarde, quase um best-of num serão que agradou a todos os que estavam pelo palco EDP e que preferiram este barbudo franzino cheio de talento aos também portugueses The Gift, que actuavam sensivelmente à mesma hora no palco Super Bock.

Provavelmente um músico que andará pelos palcos principais dos festivais portugueses nos anos próximos.


Chromeo

Ainda não tinha acabado o concerto dos Arcade Fire, no palco principal, e já o palco EDP começava a ter público progressivamente. Enquanto isso, os técnicos organizavam e viam se estava tudo em condições para o concerto. Chegou a meia-noite e aí os técnicos retiraram os panos das mesas de mistura e do computador revelando pernas de mulher como suporte destas mesmas. Chromeo ia começar.

Chromeo surgiu em 2003 com um electro-funk dos anos 80 excedendo-se no uso dos sintetizadores para criar os seus sons. No ano seguinte lançaram o seu primeiro álbum “ She´s in control” com sucessos como “Destination: Overdrive”, “Mercury Tears”, “Rage!” e “Needy Girl”, Em 2007 lançam desta vez  “Fancy Footwork” e em 2010, “Business Casual “.

As luzes apagam-se e surgem no palco Dave One com estilo clássico, a rockstar e Pee Thug com um estilo mais voltado para o rap. O público não parou de dançar mal começaram a tocar e nos clássicos o pó dos saltos das pessoas dominava o ar. Chromeo apresentou uma boa disposição sempre interagindo com o público “obrigando” até este a cantar com eles. Por exemplo, na famosa “ Fancy Footwork “ o público cantava em uníssono “ two step”  . A dupla tocou  novas e velhas canções e, no final, o público da frente ainda teve direito a agarrar Dave One que estava desejoso de saltar para a plateia mas os seguranças não o deixaram.

Noiserv

David Santos, líder do projecto Noiserv subiu, descontraído e tagarela, ao palco principal do Super Bock Super Rock por volta das 19 horas. Poucos eram os que se encontravam nas filas da frente para assistir à sua actuação, mas à medida que o concerto foi avançando os Noiserv foram juntando mais e mais pessoas que aguardavam pelos concertos seguintes.

O concerto começa com Mr. Carousel, single do Ep A Day in the Day of the Days.

Ao seu lado vemos Diana Mascarenhas, uma jovem artista que tem acompanhado o músico, a fazer pequenas ilustrações que servem de pano de fundo à sua actuação, graças aos pequenos ecrãs presentes no palco que reproduzem de imediato toda a pintura que está a ser feita com auxílio de um computador.

Para espanto de muitos que não conheciam o projecto, David faz um pouco de tudo. Munido sobretudo de uma guitarra, um teclado e um vibrafone, grava loops ao vivo e usa-os como backing track ao longo da canção, recorrendo por vezes também a pequenos objectos do quotidiano, como uma máquina de fotografar, das analógicas, para, por exemplo, usar o som do clique que esta faz a disparar como ritmo.

O músico foi aproveitando para pôr a conversa em dia com alguns fãs que estavam junto à grade, num registo mais descontraído. Foi explicando os temas abordados nas suas músicas, os fãs foram-lhe pedindo a palheta da guitarra, embora este não a pudesse dar, explicando, nas suas palavras, que “Esta palheta já deu mais de 300 concertos”, levando-nos a concluir que esta seja um amuleto da sorte ou algo do género .

Destaque para as músicas Melody Pops, Consolation Prize e Bullets on Parade, que tiveram mais receptividade da parte do público.

Portishead

Os Portishead já andam nisto há muitos anos e são um dos grandes pioneiros do movimento trip hop. Ao longo da sua carreira foram somando sucessos, apesar de, no espaço de 17 anos terem editado apenas 3 albuns de estúdio. O suficiente para construírem uma enorme legião de fãs no nosso país, que não hesitou em acorrer ao Meco para os ver.

Silence deu início a um concerto em que escassas (ou nulas) foram as palavras trocadas entre a banda e o público. Mas um bom concerto não é feito necessariamente de conversas. Este foi construído com base num grande espectáculo de luz, vídeo e claro, a enorme presença e voz de Beth Gibbons. Os Portishead conseguiram, por diversas ocasiões, transformar o ambiente de festival, onde dezenas de milhares os estavam a ver, em momentos muito intimistas. O clímax foi, obviamente, alcançado nas músicas que todos conhecemos de cor, como Glory Box ou Roads.

Sorte a nossa que, depois destes gigantes nos terem dado uma valente chapada musical, ainda teríamos direito a uma cereja no topo do bolo com o concerto que ainda estava para vir.

Arcade Fire

Balde de água fria é a expressão que melhor pode caracterizar o cancelamento do concerto dos canadianos em Novembro passado devido à cimeira da NATO.   No entanto, desta aconteceu mesmo e, pela terceira vez, os Arcade Fire pisaram o palco do nosso país, curiosamente a última visita também havia sido no âmbito do SBSR.

Imagens do Scenes from the Suburbs, curta-metragem realizada por Spike Jonze inspirada no último álbum de Arcade Fire, anunciavam o início do concerto e começavam a deixar uma (enorme) multidão em êxtase que explodiu com a entrada da banda em palco que rapidamente iniciaram o espectáculo com uma música que, apesar de mais recente, se tornou um hino: Ready To Start. E se o famoso pó, que infelizmente se tornou a maior característica desta edição do festival, não foi o maior dos nossos problemas neste concerto, críticas ao som têm de ser feitas. Sete em palco são uma multidão. Percussão, guitarras, violinos, teclas e tantos outros instrumentos encheram o palco. Infelizmente, por mais que uma vez, as músicas de que mais gostamos não puderam ser ouvidas com a clareza que se exige a um cabeça de cartaz. Salvou-se o coro de vozes que, por mais que uma vez, se sobrepuseram ao som de palco.

À medida que o concerto ia avançando, a situação ia melhorando e a magia persistiu e cresceu em palco com uma sequência de No Cars Go e a doce voz da Régine que brilhou em Haïti. Aliás, emoção é a palavra que melhor pode descrever este concerto, não só do lado do público, como através das palavras emocionadas de Win Butler que acha que os Portugueses deviam abrir uma empresa para ensinar os outros a ser uma multidão. Se calhar é uma hipótese para sairmos da crise.

Rebellion (Lies) encerrava a primeira parte do concerto que antecedeu um final apoteótico composto por uma Wake Up cantada a uma só voz e, mais uma vez, o sorriso contagiante da querida Régine que nos presentou com Sprawl II (Mountains Beyond Mountains) enquanto percorria o palco, enchendo-o de alegria e cor.

Textos por Cláudia Filipe, André Vinagre, Henrique Mota Loureço, Débora Pereira

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