Super Bock Super Rock – 3º Dia (16/07/2011)

The Vaccines

Ao longo de todo o Super Bock Super Rock o palco secundário tem sido o cenário de muitos dos mais emotivos concertos do festival. Apesar do menor tamanho e de menos artifícios visuais comparando com o palco principal, este palco EDP consegue captar muita atenção.

Tendo isto em conta e para fechar este palco com chave de ouro, o nome esperado era The Vaccines. Quarteto londrino que já não é totalmente desconhecido dos portugueses, ou, pelo menos, dos que estavam pela Herdade do Cabeço da Flauta por estes dias.

A venda de merchandising relativa aos Vaccines parece ter dado lucro, dado aos que circulavam no recinto vestidos com a t-shirt preta estampada com a capa do What Did You Expect from the Vaccines?, álbum lançado esta Primavera e agora a ser promovido em Portugal.

Atrasados e com uma plateia impaciente que, ao mesmo tempo que queria ver os novinhos Vaccines, queria descer para ver os consagrados Strokes, a banda de Justin Young lá subiu ao palco pouco faladora e tímida. Post Break-Up Sex foi a primeira que levantou o pó do chão, seguiram-se If You Wanna e a descair para o punk, Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra). Muita energia a que a multidão reagia com saltos e, em frente ao palco começava-se a formar um mini mosh. A Lack of Understanding e All in White conseguiram acalmar as hostes enquanto boa parte do seu público os trocava em pleno concerto por um melhor lugar para o concerto dos Strokes que começaria dentro de meia hora.

Sem vocalizar grandes frases ao público e com um semblante quase sempre carregado, Justin Young andava de um lado para o outro como um leão de circo dentro da jaula, nada em sintonia com os restantes companheiros de banda que além de sorrirem, conseguiram responder a algumas declarações de amor do público.

Missão ingrata, esta: uma banda nova que já tem muitos conhecedores e apreciadores das suas canções, cujo seu concerto é agendado quase em cima de um concerto dos cabeças de cartaz, Strokes, que abrangem, sensivelmente, o mesmo público. Ainda assim, missão ingrata foi cumprida, aqueceu os corpos frios do vento do Meco e não deixou descansar ninguém com o seu rock muito mexido e cheio de refrões orelhudos.

X-Wife

Os X-Wife foram a banda que abriu os concertos no palco principal no 3º dia do Super Bock Super Rock.

Nas palavras iniciais o vocalista João Vieira mostrou bastante entusiasmo por tocar naquele palco, aquelas horas. “O que muitos dizem ser ingrato, para nós é uma honra”, mostrando talvez às más línguas que os X-Wife são uma banda com os pés bem assentes na terra, não são rockstars e sobretudo que não pretendem fama fácil.

Após este “discurso” tocaram White Shoes e para surpresa de muitos, logo como segunda música, surge Keep on Dancing, o 1º single do novo álbum da banda portuense, Infectious Affectional, que puxou pelos poucos mas animados fãs que guardavam os seus lugares perto da grade.

Seguiram-se alguns temas dos 2 primeiros álbuns e também I Live Abroad, 1ª faixa deste último álbum.

On the Radio foi recebida de braços abertos por todos, de se notar que quase todos sabiam pelo menos o refrão da música que mais ajudou os X Wife a atingirem o seu estatuto actual na música portuguesa. Foi complementada com ainda mais alguns temas do seu último registo em estúdio e também do anterior, “Are You Ready for the Blackout?”.

Foi se juntando cada vez mais público e pelo meio surge Across the Water, que João Vieira descreve como uma tentativa de balada, depois de referir mais uma vez a honra que é pisar aquele palco, sobretudo por o partilharem com os The Strokes, grande referência da banda.

Para o final guardaram Ping Pong e That’s Right, esta última foi cantada por quase todos, devido ao seu refrão simples e “catchy” e devido também ao esforço do baixista Fernando Sousa, que pediu para todos participarem e se animarem.

A banda deixa um até já promissor, com vista a regressar ao festival “daqui a dois ou três anos”.

Brandon Flowers

Depois de passados apenas dois anos desde a sua última aparição em palcos portugueses, então com os seus Killers e também numa edição do festival Super Bock Super Rock, Brandon Flowers reencontra-se com este público que desta vez não é só lusitano (ingleses, alemães, mas principalmente espanhóis marcaram presença em massa). Flowers vem apresentar o seu projecto a solo, que deu à luz em forma de Flamingo.

É ainda com o sol em proa que começa o seu concerto e é já com os músicos e as belas raparigas do coro que o acompanham já em palco que Flowers aparece sorridente e provavelmente alegre por ver a plateia bem composta, ainda assim com clareiras que deixavam descansar qualquer claustrofóbico.

Para começar, logo, Crossfire, a mais orelhuda do álbum e, consequentemente, a mais conhecida do público que se atreve a cantar o refrão. Seguiram-se mais umas de Flamingo como Jilted Lovers and Broken Hearts, Was It Something I Said? ou Magdalena, que iam entretendo o público, mas que se não fossem alguns fãs de mais atrevidos e conhecedores de Flamingo, estas teriam sido um punhado de canções cantadas a uma só voz, a de Brandon Flowers. Foi com o intercalar de uma mão (quase) cheia de êxitos dos seus Killers que a multidão despertou. Read My Mind primeiro, Losing Touch mais à frente e, para terminar esta tarde em beleza, uma versão menos acutilante de Mr. Brightside que deu a sensação de dever cumprido por parte de Brandon Flowers.

Um concerto divertido, entretido, com muito pop, mas por vezes um pouco entorpecido à medida que Brandon vasculhava no seu Flamingo que ainda não chega aos calcanhares dos outros três conseguidos com os Killers.

The Strokes

Para o último dia do festival e para fechar em beleza esta 17ª edição do Super Bock Super Rock, a organização escolheu uma banda muito acarinhada, não só em Portugal, mas por todo o mundo. Os milhares de estrangeiros vindos principalmente da Europa que esteviveram presente neste último dia são a prova desse carinho pela banda de Casablancas.

Falando de Casablancas, o líder carismático desta banda vinda da “Big Apple” norte-americana, este já o ano passado tinha dado uma volta pela Herdade do Cabeço da Flauta, no Meco. O passeio parece ter sido bom e agora volta para mostrar este pedaço de Portugal aos seus colegas, Albert, Nick, Nikolai e Fabrizio, que com ele constituem os Strokes.

É com o palco recheado de focos e umas cortinas rectas que fazem lembrar o design do novo trabalho, Angles, que os cinco se apresentam aos 30 milhares de fãs que esperaram o dia todo para os ver. Os espaços na plateia eram inexistentes, a multidão estendia-se quase até à zona da restauração e a maioria das pessoas apenas conseguia ver o que se passava em palco através dos ecrãs gigantes. A ovação foi enorme mal puseram pé em palco.

O alinhamento fez-se iniciar com a já habitual New York City Cops, a festa segue-se com a malta a cantar o riff de guitarra de Alone, Together e especialmente de Reptilia. Casablancas faz questão de salientar o bom público, a boa noite que está a ter e criar empatia com o público respondendo a algumas mensagens nos cartazes dos fãs e esclarecendo se as músicas pedidas vão, ou não, ser satisfeitas. A ginga de Machu Picchu, uma das mais idiossincráticas faixas do novo Angles, juntamente com Under Cover of Darkness e Gratification, que são, claramente, as preferidas do público. Debaixo de uma lua-cheia perfeita houve tempo para uma menos brilhante Life Is Simple in the Moonlight ou You’re So Right, também deste novo álbum. O público, ganho logo à partida, vibrou principalmente com os êxitos de Is This It, como Last Nite (que deu para levantar muito pó, como o próprio Casablancas o disse), Someday ou Hard to Explain. Pelo meio ainda houve um jam, coisa que, acreditando no estiloso Casablancas, foi a primeira vez que aconteceu em concerto. É com os jogos de guitarras que a plateia se diverte genuinamente, as letras ficam para segundo plano.

Os elogios de Julian Casablancas são constantes e chega mesmo ao “Portugal has great food, great weather, great girls…” e depois de uma olhadela por cima dos seus inseparáveis óculos escuros “great girls indeed!” que faz palpitar os corações das groupies que lá estão pela bela face do vocalista. E parece indiscutível, os Strokes são o expoente máximo de coolness do rock actual.

Mas, como no melhor pano cai a nódoa, parecem ter faltado as pilhas a Casablancas e companhia, que durante o concerto pareciam inesgotáveis, e ao fim de Take It Or Leave It abandonaram o palco sem um agradecimento ou uma despedida. Ainda com o público à espera de um encore, as luzes do recinto acenderam e a música publicitária do sistema de som começou a dar.

Uma grande falha para com o público que tanto elogiaram no início do concerto, mas que se acaba por desculpar olhando para o concerto vivo e alegre que deram.

Textos por Cláudia Filipe, André Vinagre, Henrique Mota Loureço

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