The Smashing Pumpkins + Ringo Deathstarr no Campo Pequeno (09/12/2011)
Marco musical incontornável é o que os Smashing Pumpkins de Billy Corgan se tornaram. 23 anos de carreira depois, da sua origem resta apenas o seu mentor, que continua a pôr o seu amor e a reinventar o seu projecto a cada lançamento que passa. Não é por isso de estranhar que gente de todas as gerações se tenha dirigido ao Campo Pequeno.
A tour Europeia de apresentação de Oceania (com lançamento previsto para inícios de 2012) trouxe a banda a Portugal para duas datas. Se numa primeira noite tivemos um Campo Pequeno completamente esgotado, ontem o mesmo não se verificou apesar da considerável afluência. O serão tinha tudo para ser especial, nem que fosse pelo facto de ser o que marcava o encerramento da tour.
A abrir as hostes tivemos Ringo Deathstarr que, apesar de estarem prestes a despedir-se do velho continente, ainda vão ter tempo para actuar hoje no Cartaxo, desta vez já certamente sem a colaboração de Jeff Schroeder que subiu ao palco para tocar alguns temas com a banda. Os shoegazers norte-americanos fizeram o que lhes competia: aquecer os ânimos numa noite tão fria. Ao longo de cerca de 45 minutos, divagaram pelo seu trabalho, que tão bem funciona ao vivo tornando-se frenético e intenso. Só pecaram pelo excesso de feedback, decidido a ferir um ouvido mais desprevenido. As linhas comuns com os anfitriões da noite são pouco óbvias, mas fica registada a clara preferência que ambos têm por baixistas vistosas.
As setlists que vinham surgindo de Smashing Pumpkins concerto após concerto não deixavam margem para dúvidas: Oceania coroada em noites onde os fãs mais acérrimos sairiam deliciados com êxitos menos óbvios e b-sides. A quem quisesse ir ao Campo Pequeno para ouvir clássicos aconselhava-se antes que ficassem em casa. A verdade é que pela amostra que tivemos, esperamos que venha aí um lançamento bastante intenso e rasgado com Quasar e Pale Horse como embaixatrizes, sendo duas músicas que mostraram que o álbum, pelo menos, resulta muito bem ao vivo.
Mas foi Frail and Bedazzled, um dos b-sides, que abriu uma noite que prometia ser diferente e inesperada sendo que não era isto que vinha a ser feito em noites anteriores. Silverfuck, Geek U.S.A. e Starla ajudaram na viagem ao passado, mas foi Muzzle do Mellon Collie and the Infinite Sadness que arrancou a primeira grande reacção de adesão do público, onde as vozes mais tímidas começavam a ecoar pela sala. Público esse que, aliás, não foi contido na hora de aplaudir e ovar a banda, demonstrando que podem voltar quantas vezes quiserem, podem mudar de line-up as vezes que forem necessárias (desde que o mestre Corgan se mantenha, claro), que serão sempre recebidos com o calor que os portugueses têm para oferecer. Os sorrisos esboçados por parte de quem estava em cima do palco deixavam transparecer que o sentimento é mútuo. Apesar de muito pouco comunicativos, a alegria era visível.
O desfile entre novidades e verdadeiras pérolas antigas continuava, mas foi com a sequência Cherub Rock e Tonight, Tonight que o concerto atingiu o seu auge. Impossível resistir à inconfundível voz de Billy Corgan, onde nos rendemos logo quando ouvimos os primeiros versos (“Time is never time at all…”) e acabamos mesmo por nos deixar levar num turbilhão de emoções. Claro que, depois do concerto ter atingido tão elevado nível, os ânimos acabaram por esmorecer quando a banda voltou a uma sequência, que acabou por parecer mais extensa do que realmente foi, de músicas para a maioria ainda desconhecidas. O momento foi salvo aos primeiros acordes da intensa Zero logo seguida da Bullet With Butterfly Wings. Aqui ninguém se quis sentir como um rato numa gaiola e os ânimos libertaram-se novamente até a banda sair de palco.
Uma enorme ovação imperava para trazer a banda de novo ao palco para um encore surpreendente e inesquecível. A primeira música foi A Song for a Son do álbum Teargarden by Kaleidyscope, seguida da I Am One, primeiro single da história dos Smashing Pumpkins e uma enorme despedida e inúmeros agradecimentos. As luzes já se começavam a acender quando a resistência de Billy Corgan foi notória e mais forte, regressando prontamente ao microfone e afirmando que tocava mais uma se todos cantássemos em conjunto. E entre brincadeiras com o público, onde a fachada da falta de comunicação ruiu pois tinha ouvido dizer que estava uma grande facção nortenha na casa, iniciou o momento mais bonito da noite. Sozinho em palco com a sua guitarra começou a tocar Disarm para delírio e comoção dos presentes. De notar que foi o único concerto da tour onde isto aconteceu.
23 anos depois e a sua história continua a construir-se com Corgan rei todo poderoso, idolatrado, seguido por milhões em todo o mundo. E a tendência é para que assim continue e nós agradecemos.
Setlist:
Frail and Bedazzled
Silver Fuck
Starla
Muzzle
Geek U.S.A.
Soma
Siva
Thru the Eyes of Ruby
Cherub Rock
Tonight Tonight
For Martha
Oceania
Quasar
Pin Wheel
Pale Horse
Zero
Bullet With Butterfly Wings
Encore:
A Song for a Son
I Am One
Disarm
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Texto por Cláudia Filipe
Fotos por Hugo Rodrigues

