Every Time I Die + Hills Have Eyes + Vera Cruz no Santiago Alquimista (13/12/2011)

Desde que foi anunciado que os Every Time I Die vinham a Portugal, as comunidades nacionais de hardcore entraram em delírio. Sendo uma das bandas de hardcore mais influentes da actualidade, com cerca de 13 anos de existência, estes Nova Iorquinos vieram a Portugal apresentar-se aos seus fãs que tanto aguardaram a sua visita. Deste modo esperava-se casa cheia para este grande concerto, mas tal não aconteceu. Não foi sem dúvida por falta de publicidade, porque tanto a promotora como os sites nacionais e os amigos da organização fizeram o favor de espalhar a palavra. Diariamente choveram vídeos relativos a este concerto pela internet. Talvez por ser terça feira, ou por estarmos em época de crise e vinte euros pesarem na carteira, o Santiago Alquimista estava aquém do esperado. Claro que estava uma boa casa, mas esperava-se mais gente.

De França vieram os Vera Cruz. Se as bandas tivessem metade da energia que os Vera Cruz apresentaram ontem no Santiago Alquimista, ganhariam um boost enorme ao vivo. Não é que as bandas portuguesas não tenham energia em palco, mas a forma como os Vera Cruz se apresentaram, foi algo insanamente brutal.
Infelizmente não tinham um grande público, nem do ponto de vista numeral, nem do ponto de vista anímico. O público ainda estava meio a dormir, mas isso não impediu os franceses de fazerem a festa e de mostrarem como se faz boa música. Aliado a toda esta energia, os Vera Cruz impuseram-se com o seu hardcore intenso, fruto de músicas musculadas e bem interpretadas ao vivo. A voz do vocalista é forte, mas o resto da banda não fica atrás. Constituída por bons músicos, esta banda oriunda de França veio a Portugal mostrar porque está actualmente a crescer bastante e a ganhar muito respeito. Para o público do Santiago Alquimista deixaram a pele e o suor, mas deixaram também um sinal claro de que esta banda tem que voltar para um público mais vasto e mais carregado de energia.

Os Setubalenses Hills Have Eyes tornaram-se nos últimos tempos uma banda habitual para acompanhar com as grandes bandas internacionais. A razão deste reconhecimento prende-se com o sucesso do seu último álbum e pela forma inteligente como têm feito toda a gestão da sua carreira. Sendo amigos dos More Than A Thousand, os Hills Have Eyes nunca se colaram aos seus conterrâneos e isso foi um bónus. Nos últimos anos, e com o lançamento do seu álbum “Black Book”, os Hills Have Eyes cresceram bastante e são actualmente uma das grandes bandas underground de Portugal.
Em vista para 2012 está um novo álbum, do qual o single e videoclip de “Strangers” já anda por aí a rodar e a fazer sucesso. Algo bastante forte nesta banda é a forma como não inventa, não altera o seu som, não tenta seguir uma tendência. Os Hills Have Eyes fazem a sua música e estão a ser reconhecidos por isso mesmo.
Era difícil pegar em tanta energia como a que os Vera Cruz tinham deixado antes em palco, mas a verdade é que foram os Hills Have Eyes a criar no público aquele bichinho do moche, da vontade de saltar e cantar num concerto. Com algumas pessoas a entoar as suas letras, os Hills Have Eyes conduziram o concerto com as músicas do álbum “Black Book” e mais duas do novo álbum, a ser lançado no inicio de 2012.
Em palco deixaram também tudo, liderados pelo seu vocalista Eddie, que a meio do concerto ficou sem microfone, mas de forma natural arranjou logo forma de o substituir. Mais um grande concerto dos Hills Have Eyes, também eles carregados de energia e prontos a oferecerem-nos um novíssimo álbum. Fiquem atentos!

Os Every Time I Die são uma daquelas bandas que provoca histeria no seu público. Primeiro porque fazem parte de uma geração especifica do hardcore e foram eles que o conduziram nos últimos anos. Segundo, porque são uma enorme banda e com grandes músicos.
Após algumas complicações técnicas, que são sempre imprevisíveis, o concerto começou quase à hora prevista. Sem enganar muito, os Every Time I Die arrancaram com “Apocalypse Now And Then”, faixa memorável do álbum “Gutter Phenomenon”. Com a chegada destes titãs, o Santiago Alquimista acordou em definitivo e daqui para a frente foi loucura pura. O público renasceu e libertou toda a energia que tinha contido no concerto dos Vera Cruz e nos anos que passaram até aos Every Time I Die nos visitarem. E notou-se bem a ligação entre o público e a banda, que cantava todas as canções sem falhar. A banda esteve em perfeita harmonia com o público e o resultado sentiu-se bastante. As músicas foram ficando mais pessoais, mais dinâmicas, mais energéticas, e aos poucos os Every Time I Die fizeram a diferença e mostraram porque são “reis” no hardcore.
“The New Black” e “I Been Gone a Long Time” foram momentos altos da noite, mas o verdadeiro momento alto da noite foi todo o concerto, aquelas doze músicas que passaram a correr.
A banda comunicou bastante com o público e incentivou sempre ao moch. Keith Buckley é um grande vocalista, como cantor e como artista. De certo que ninguém ficou desiludido com este concerto.
Apesar de curto, no geral foi bastante bom e trouxe o hardcore de volta à capital portuguesa. Os Every Time I Die são uma grande banda ao vivo, que ao longo destes anos construiu uma excelente carreira, com grandes músicas. Infelizmente ficaram a faltar algumas, mas energia não faltou.

Setlist:
Apocalypse Now And Then
Bored Stiff
Ebolarama
No Son Of Mine
The Marvelous Slut
She’s My Rushmore
The New Black
Wanderlust
Underwater Bimbos
I Been Gone A Long Time
We’rewolf
Floater

Este slideshow necessita de JavaScript.

Texto por João Miguel Fernandes
Fotos por Hugo Rodrigues

One response to “Every Time I Die + Hills Have Eyes + Vera Cruz no Santiago Alquimista (13/12/2011)

  1. Pingback: Every Time I Die de regresso a Portugal « Arte-Factos·

Deixar uma resposta