No Fun At All + Atlas Losing Grip + Lulas Belhas no Santiago Alquimista (18/01/2012)
Texto e fotos por Hugo Rodrigues
Era um cenário desolador aquele que se via nas imediações do Santiago Alquimista para quem, como eu, chegou um bocadinho mais cedo que a hora prevista para o início dos concertos e não avistava vivalma.
Dentro da sala passava-se o mesmo, com algumas pessoas a passear-se pelo andar de cima e sem que ninguém parecesse muito disposto a dar uso ao espaço em frente ao palco.
Felizmente, nem tudo o que parece é, e quando a primeira banda da noite, os Lulas Belhas, subiram ao palco por volta das 21h20, já havia mais público a entrar e a concentrar-se no piso zero do Alquimista.
Sem espinhas, esta banda de punk rock da Figueira da Foz baseou o set em temas que fazem parte do seu primeiro álbum, lançado o ano passado e, que “está à venda ali em cima na banca de merch, mas vão lá só depois do concerto”, fizeram questão de referir os elementos da banda. Bastante directos, e porque o tempo não abundava, os Lulas Belhas não estiveram com meias medidas na crítica social ao país e algumas das letras dos seus temas mostraram-nos isso mesmo.
“Falhado”, “Ratazanas”, “Agente 18” e “Proxenetas da Língua Portuguesa”, este último dedicado a quem idealizou e pôs em prática o acordo ortográfico regente neste momento, foram algumas das músicas que pudemos ouvir.
O concerto iria acabar com “Zé”, dedicado a um amigo surfista e dono da “melhor loja de surf da Figueira”, um tema mais descontraído e que acabou por animar o público já presente na sala. A banda agradeceu e despediu-se com um “nós viemos foi mesmo ver No Fun At All” e, sem tirar mérito a qualquer uma das outras bandas, sentia-se a ansiedade pelo regresso dos suecos a palcos nacionais a aumentar.
Ainda antes de isso acontecer, e depois de uma rápida troca de instrumentos, os Atlas Losing Grip ocuparam os seus lugares e viram já à sua frente uma plateia muito bem composta, que acabaria por cantar com eles a maior parte das músicas que se foram ouvindo.
Com o álbum “State of Unrest” lançado o ano passado, não foi de estranhar que a maior parte do foco do concerto fosse dedicado a ele, “Logic” abriu as hostilidades e deu o mote para a actuação da banda, sempre muito enérgica e endiabrada, com Rodrigo Alfaro à cabeça.
Os apelos para que o público que se mantinha pelo andar de cima descesse e se juntasse à festa foram mais que muitos e começaram a surgir uns primeiros encontrões tímidos cá em baixo, tal era a intensidade emprestada pela banda.
“Face to Face” e “Heartbeat”, saídas do EP “Watching The Horizon”, foram uma dupla de sucesso, mas foi “Unrest”, single do mais recente disco que puxou pela garganta do público. Já “Different Hearts, Different Minds” e “Contemplation”, mais rasgadinhas, puseram toda a gente a mexer, dentro do possível.
Com cada vez mais a casa cheia, a banda encerrou o concerto com “Slow Down”, mas não sem antes questionar mais uma vez o público do primeiro andar “vocês vão ficar aí durante No Fun At All? O diabo é que vão!”.
Mensagem aparentemente recebida, já que quando os No Fun At All se fizeram anunciar, a parte de baixo já estava praticamente cheia de fãs, prontos para dar tudo e matar as saudades de ver ao vivo uma daquelas bandas que são já um marco incontornável no género.
Foi bonito de ver que os ‘putos’ que antes seguiam a banda, são agora os mesmos que aparecem nos concertos, mais crescidos é certo, mas com a mesma energia de antes, numa mistura bastante agradável entre malta que já se conhece há anos e aqueles que por qualquer outro motivo chegaram depois e se vão integrando nesta grande família.
E se calhar é essa mesmo a palavra certa para descrever o ambiente que se viveu ontem durante cerca de 1 hora e 15 minutos. Sem barreiras entre público e banda, apenas a habitual estrutura mais elevada em frente ao palco, normal neste tipo de eventos no Santiago Alquimista, e que ajuda os mais aventureiros no stage diving, a festa fez-se assim.
Servida com uma cumplicidade elevada entre todos, em que até alguns problemas técnicos são denunciados por elementos do público que não querem de forma alguma ver uma das suas bandas de eleição dar menos do que aquilo que podem dar, por exemplo, o concerto da banda sueca viveu-se como um todo e, valeu por isso.
Numa entrega incansável de parte a parte – aposto que ainda lá devem estar no chão as marcas do circle pit que se estendeu de bem perto do palco até à área da mesa de som – os No Fun At All arrancaram um excelente concerto, que certamente ficará na memória de muitos.
Também por isto tudo o público está de parabéns, já que Dalí ficaria orgulhoso com a fusão de corpos numa única mancha de gente disforme e surrealista que se formou em frente do palco.
A Xuxa Jurássica juntou assim ao seu cardápio mais uma excelente noite de música e, os No Fun At All criaram com o seu nome uma verdadeira antítese a tudo aquilo que nos proporcionaram ontem. Cá os esperamos de braços abertos para uma próxima vez.
Setlist No Fun At All:
1. What you say
2. Believers
3. Suicide machine
4. Strong & Smart
5. Man with the powers
6. Anything could happen here
7. Should have known
8. Lose another friend
9. I have seen
10. Never ending stream
11. Forevermore
12. Wow and i say wow
13. Out of bounds
14. Perfection
15. Growing old, growing cold
16. It’s all up to you
17. In a moment
18. Beat ‘em down
19. Happy for the first time
Encore:
20. Mine my mind
21. Catch me running round
22. Beach party
23. Where Eagles Dare (Misfits cover)
24. Master celebrator
Setlist Atlas Losing Grip:
1. Logic
2. Face to face
3. Heartbeat
4. All in a days work
5. Numb
6. Voracious appetite
7. Unrest
8. Shut the world out
9. Different Hearts, Different Minds
10. All in vain
11. Contemplation
12. Bitter blood
13. Closer to the end
14. Slow down
- Lulas Belhas
- Atlas Losing Grip
- No Fun At All



















































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