“Fernando Pessoa: Plural como o Universo”, Fundação Calouste Gulbenkian

No dia 10 de Fevereiro, a Fundação Gulbenkian inaugurou a exposição Fernando Pessoa, Plural como o Universo.

 «Quando acordei de Deus  / E vi-me a ter um mundo.»

19-5-1913, Fernando Pessoa

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Já alguma vez, ao ler um texto (no seu sentido mais amplo) experimentaste a estranha sensação de que aquilo eras tu? Não, não é essa história do “eu identifico-me com estas palavras”, mas antes “estas palavras, estas sensações sou eu”? Esse é o meu caso com Fernando Pessoa. Haverá, com certeza, muitos outros: aquele em que o leitor olha com desdém para toda a sua obra literária, o que desejava escrever de igual maneira ou ter tido por si mesmo tais ideias, o que gosta de ler o autor porque sim e o que simplesmente é obrigado a lê-lo para passar a Língua Portuguesa no 12º ano de escolaridade… Quer queiramos, quer não, há uma pluralidade de pessoas que encontram no escritor formas diversas de leitura da existência humana, da interrogação do Universo. Fernando Pessoa: Plural como o Universo convida todos esses leitores e os não-leitores a entrarem num imaginário que se poderia confundir com o do escritor, mas também com o da pessoa. Não será, com certeza, uma experiência de aprofundamento de conhecimentos para aqueles que se interessam pelo autor e o têm estudado, mas não deixa de ser uma experiência agradável e criativa de, nesse caso, relê-lo.

Relativamente à exposição em si, poderemos dizer que é constituída por espaços distintos: logo à entrada somos convidados a  conhecer Pessoa ortónimo e os seus mais conhecidos heterónimos – Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Bernardo Soares (semi-heterónimo) e Ricardo Reis – e a ler alguma da sua poesia, de uma forma singular… Curioso(a)? Vê por ti…

No espaço seguinte, encontramos o famoso Retrato de Fernando Pessoa (1964), de Almada Negreiros e a pintura Lisboa (1969), de Carlos Botelho e mais adiante, uma cronologia com dados biográficos de destaque na vida pessoal e profissional de Pessoa e podemos ainda ler alguns manifestos que marcaram a sua vida estudantil.

Numa última área, estão alguns exemplares físicos do seu espólio literário, nomeadamente a edição original de Mensagem  e a arca onde guardava todos os seus textos. O visitante ainda poderá ler as mais variadas obras, numa mesa destinada para tal e, para finalizar, encontrar uma forma também sui generis de ler o poema Mar Português, projectado em areia.

Esta exposição é assim marcada pela criatividade, através do uso de novas tecnologias. Com a curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, uma exposição que resulta da colaboração da Fundação Roberto Marinho (Brasil) e o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, pretende, assim, mostrar “a multiplicidade da obra do poeta, conduzindo o visitante numa viagem sensorial pelo seu universo, para que leia, veja, sinta e ouça a materialidade das suas palavras.” (Ricardo Zenith).

Depois de ter passado por São Paulo em 2010 e pelo Rio de Janeiro em 2011, a exposição chega agora a Lisboa, onde terás oportunidade de a visitar até ao dia 30 de Abril, das 10h às 18h (entrada: 4€; ao Domingo é gratuita).

Nota: a fotografia de capa é da autoria de Márcia Lessa; fonte: Fundação Calouste Gulbenkian.

Texto e fotografias por Maria Teixeira

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