Helmet + Fighting With Wire no TMN Ao Vivo (05/03/2012)

Texto por Cláudia Filipe / Fotos por Hugo Rodrigues

Vinte e três anos de carreira trazem os Helmet, tempo que se revelou mais que suficiente para deixarem o seu marco na música. Corria o ano de 1992 quando editaram “Meantime”, o seu mais emblemático e mais importante álbum que serviu de inspiração a bandas que admiramos tanto, como os Deftones. Em jeito de comemoração dos 20 anos sobre este lançamento, a banda veio à Europa para uma tour que começou justamente no TMN ao Vivo em Lisboa. Por todos estes motivos, mereciam ser recebidos por mais do que meia casa.

Ao som de Role Model iniciaram a actuação de forma peculiar, optando por tocar “Meantime” do final para o início, tal como a banda gosta. Verdade seja dita, que a idade parece não afectar Page Hamilton, que se apresentou em forma (apesar da suposta ressaca causada pelos malefícios da noite lisboeta…), bem disposto e comunicativo. Na primeira interacção com o público, quis saber quantas das pessoas que estavam ali tinham nascido antes de 92 (ano de Meantime). Nem um braço se levantou, facto que parece ter deixado o frontman satisfeito, afinal tinha à sua frente a velha guarda, aqueles que os têm vindo a acompanhar ao longo dos anos. Do desfile de músicas tocadas, vale sempre a pena referir “Unsung”, o grande hino da banda, o tema que os tornou grandes e que faz perceber o porquê de serem uma das bases de tantos outros que decidiram seguir os caminhos do rock alternativo.

Se me perguntarem o que fez este concerto especial, diria mesmo que foi o à vontade com que Page Hamilton se entrega a quem o está a ver. Para além dos inúmeros momentos de humor, desde piadas sexuais com a Kary Perry, até ao enorme Jesus que estava do outro lado do rio, fizeram algo muito especial. Findado que estava o objectivo de celebrar “Meantime”, a banda decidiu pedir sugestões ao público de músicas para tocar, algo muito raras vezes visto, mas que nos podia resolver aquela dor de alma de quando deixamos um recinto a pensar “ena, bem que podiam ter tocado aquela!”. Mas nem tudo foi bom. Raros foram os momentos em que se conseguia ouvir a voz com nitidez, assim como outras falhas no som que acabaram por prejudicar a actuação, não deixando absorver com clareza o que se estava a passar em palco. Mas nem isso fez esmorecer os ânimos tanto da parte dos Helmet, como de quem estava cá em baixo.

Ouviu-se o verso “Somebody Pull the Trigger…” e estava dado o mote para o encore ao som de Welcome to Algiers, tendo este sido um dos momentos altos de toda a actuação. Não terminaram sem antes tocar Wilma’s Rainbow, outro clássico muito bem recebido pelo público. Com uma razoável ovação, deixaram o palco para mais tarde reaparecerem junto da plateia, onde quem quis conseguiu trocar algumas palavras com Page Hamilton e companhia.

Não foi o melhor concerto de sempre, mas foi uma boa lição de rock mesmo à antiga. Pecou principalmente pelas lacunas de som, que em muito prejudicaram a actuação da banda e pela falta de adesão do público ao espectáculo.

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