The Grey


Os primeiros minutos de The Grey, mostrando o protagonista interpretado por Liam Neeson, elevam bastante as expectativas em relação ao filme. Há um bom trabalho a todos os níveis que torna de imediato a personagem credível e interessante. A partir daí, parece que não se sabe o que fazer com a credibilidade da personagem e esta acaba por perder-se no meio de um enorme nada.

Ottway é um caçador que tem o trabalho de proteger os trabalhadores de uma petrolífera no Alaska de predadores como lobos. Na viagem de regresso, o avião que transportava todos os trabalhadores despenha-se num enorme vazio. Apenas Ottway e outros sete trabalhadores sobrevivem, mas apenas para descobrir que se encontram no campo de caça de uma matilha de lobos. Sem qualquer ajuda disponível, os oito homens lutam pela sobrevivência, na esperança de um dia voltarem para as suas familias.

A personagem de Ottway, bem interpretada por Liam Neeson, aparece no início, fora de qualquer contexto, como uma personagem carregada de emoção. Ficamos a saber que a mulher o deixou e que é uma pessoa perturbada pelo mundo que o rodeia, em particular os trabalhadores naquele mesmo local. Parece ser uma personagem com tudo para cativar o espectador ao longo de todo o filme, mas a partir do momento em que começa a funcionar com o restante grupo, isso desaparece. Ficamos indiferentes à personagem, desvanece-se no meio do grupo. Até perto do final, não se sente absolutamente nada de uma personagem que prometia bastante ao inicio.

Dentro do grupo, torna-se também complicado entender algumas personagens e respectivas atitudes. Há uma matilha de lobos (bastante inteligentes, diga-se de passagem) que os tenta caçar, mas fica a clara ideia de que o grupo também tem vontade de acabar na boca do lobo. É normal neste género de situações em filmes os vários elementos do grupo desentenderem-se e conseguirem tornar pior uma situação que já é horrível, mas neste caso parece que se esforçam bastante nesse sentido. Não define a qualidade do filme, mas torna as personagens menos interessantes.

Os planos utilizados no inicio do filme são bastante bons, contribuindo para o efeito que já foi referido anteriormente. Daí em diante perde-se um pouco a qualidade no departamento da filmagem, mas continua a estar bem. Algumas transições entre imaginação e realidade estão também muito bem conseguidas, tendo um óptimo efeito visual e sonoro. No geral, no que diz respeito à realização e produção, este filme merece nota bastante positiva.

O que falha em The Grey acaba por ser a situação já um pouco batida em filmes, de um grupo a lutar contra uma ameaça e contra si próprio. É uma longa caminhada para um final mais do que previsível, depois de um começo bastante bom, mas também muito distanciado do resto do conteúdo do filme. A personagem podia, e devia, ser muito melhor cultivada e aproveitada à medida que a história ia avançando. Assim acaba por se centrar no ponto menos positivo, resultando num filme que não passa muito do mediano.

Texto por Sandro Cantante

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