Entrevista aos Murdering Tripping Blues

(entrevista respondida por Henry Leone Johnson)

1st Time in Color” é o título do novo disco dos Murdering Tripping Blues, editado hoje. É também esse o motivo pelo qual fizemos algumas questões à banda que, para além deste novo disco ao vivo, gravado inteiramente no concerto que deram no Festival Paredes de Coura do ano passado, está igualmente a preparar a edição dos seus trabalhos anteriores em países como a Alemanha, Holanda, Luxemburgo e Bélgica. No entanto, as novidades não se esgotam por aqui e, quem quiser, pode visitar o novo site da banda, onde poderá pôr a tocar/comprar toda a discografia do grupo enquanto lê estas respostas.

1. Vão lançar no próximo dia 19 de Março um novo disco, chamado “1st Time in Color”, gravado ao vivo. O que é que nos podem dizer acerca dele? Como é que surgiu esta ideia?
Já tínhamos essa vontade há algum tempo, andámos a recolher gravações ao longo dos anos para criar um registo nosso de alguns concertos e a vontade de editar um registo ao vivo foi crescendo à medida que a nossa fonoteca de concertos ia crescendo. Aliada a essa vontade surgiu a hipótese de editar os nossos discos com uma label Alemã e eles queriam, para além dos discos anteriores, um registo editado em 2012 para lançarem algo novo, por isso juntámos a nossa vontade com a vontade deles e avançamos com o disco ao vivo como uma espécie de “best of” sem o ser.

2. A gravação foi totalmente efectuada no vosso concerto no Festival Paredes de Coura, do ano passado. Porquê este concerto? Foi mais por ser uma questão de timing ou acaba por ser também um concerto especial para vocês e queriam que ficasse registado?
Tínhamos já misturado e masterizado a gravação do concerto que demos no convento de Jesus em Setúbal mas entretanto tocámos no Festival Paredes de Coura em 2011, gravámos esse concerto e ao ouvir achámos que tinha uma energia e força tal que devíamos editar esta gravação apesar de, a nível sonoro ser mais limitada pelo facto de termos gravado directamente da mesa de mistura no local, impossibilitando uma mistura em estúdio visto que não tínhamos a gravação separada por pistas, não permitindo assim dominar a actuação misturando independentemente cada instrumento. Esta característica também permitiu uma representação mais honesta daquilo que foi um concerto muito importante para nós, tanto a nível emocional como profissional. Ficamos contentes por termos o primeiro disco de sempre a ser editado com um registo ao vivo no Festival Paredes de Coura mas fundamentalmente foi o registo certo para editar.

3. Optaram por não trabalhar o som da gravação em estúdio, recriando o máximo possível a experiência do concerto ao vivo, voltando ao verão do ano passado, tinham algum medo que houvesse alguma coisa que pudesse não correr tão bem?
O único receio que tivemos foi por sermos a banda que iria abrir a parte oficial do festival, o que significava tocar a um horário pouco amigável (à tarde) depois de umas noites bastante intensas de recepção aos festivaleiros, e isso podia corresponder a tocarmos para pouco público e, o pouco que lá poderia aterrar estaria num estado zombificado depois de umas noites de excessos. Não podíamos estar mais enganados. Entramos em palco e o espaço do palco secundário compunha-se e, ao fim da 2ª musica já o espaço estava ocupado por festivaleiros “energizados” com o nosso som, o que nos deixou ainda mais excitados e contentes com o facto de ali estarmos. Como não pensámos, antes de ouvir, em editar a gravação do Paredes não tínhamos aquele receio do “não me posso enganar” mas mesmo sabendo que íamos editar essa gravação essa preocupação não nos iria passar pela cabeça porque o que nos interessa fundamentalmente é o que se passa no palco e em torno dele.

4. Para além da edição do disco a sair cá em Portugal, vão igualmente ter uma caixa especial editada na Alemanha que, para além deste disco ao vivo, irá conter os vossos dois primeiros álbuns, como é que surge esta oportunidade?
Houve o interesse de uma Label Alemã em editar o nosso trabalho, então decidimos optar pelo conceito da caixa com o Knocking at the Backdoor Music, o Share The Fire e este novo disco ao vivo que faz uma espécie de apanhado dos discos anteriores. Esse interesse surgiu depois de uma série de contactos com Labels europeias e, de muito suor investido por nós e por quem trabalha nos bastidores connosco, mostrando o nosso trabalho. De entre algumas respostas positivas optámos por editar na Alemanha com a Broken Silence e na Holanda com a Sonic Rendesvouz o que nos permitirá ter o disco nesses países, no Benelux e em torno daquela zona. Para já.

5. O vosso disco “Share The Fire” vai também ter uma distribuição internacional na Holanda, Bélgica e Luxemburgo. A juntar à Alemanha, estão a exportar a vossa música para países muito específicos em vez de apostarem numa área muito mais vasta, é uma opção vossa?
Sim, sempre pensámos que não faz sentido ficar aqui no nosso cantinho sem nos chatearmos muito. Fazemos parte de um continente e para nós faz sentido pensar que o nosso território é a Europa como rampa de lançamento e depois então avançar para outros territórios. Começar a mostrar a nossa música pela Alemanha e pela Holanda é importante para nós porque são países que estão no radar das artes a nível mundial e têm uma grande abertura para o som que praticamos. O nosso país de origem é Portugal mas a verdade é que todos nós fazemos parte do mundo, devemos pensar e agir dessa forma e não apenas dizê-lo, devemos definir um percurso e trabalhar nesse sentido.

6. Apostaram forte também na construção de um novo site, onde agora qualquer pessoa pode ouvir a vossa discografia. Acham que cada vez mais é importante o papel da Internet na divulgação de música?
Sem dúvida. Grande parte do nosso percurso de 2007 até agora passou pela Internet e suas ferramentas. Divulgação, contactos profissionais, marcação de concertos, convites, etc, surgiram de forma muito mais intensa com a ajuda da internet. O facto de termos apostado num site reflecte apenas a nossa vontade de disponibilizar um sítio onde as pessoas podem conhecer as diferentes facetas da banda, ouvir, ver, comprar, controlado por nós a nível estético e conceptual, “roubando” essa responsabilidade aos facebooks e myspaces, etc. As pessoas podem ouvir-nos, comprando ou não, por isso preferimos disponibilizar nós a nossa música num ambiente “Murdering Trippiano” e quem compra CD\Vinyl (hoje o comprador de música “física” penso que se resume a coleccionadores que gostam do objecto e pouco mais) poderá e quererá comprar os nossos discos independentemente de estarem disponíveis na Internet.

7. Porque depois há também o revés, com a questão dos downloads e tudo mais. Como é que, enquanto banda, vêem estas novas discussões sobre o assunto?
Acho que se perde demasiado tempo a discutir idiotices quando se deveria estar a desenvolver ideias e usos para as novas ferramentas disponíveis. Basicamente a indústria das “majors” está interessada em controlar a Internet, a troca de informação e dos trabalhos dos seus artistas, mas ao perderem tempo a refilar durante décadas ao invés de pensar numa solução democrática deixaram que as coisas chegassem a um ponto em que as pessoas sentem que têm o direito de ter gratuitamente música, filmes, etc. Honestamente agora é tarde e, por falta de acção no tempo devido, hoje acho que as pessoas ganharam esse jogo por falta de comparência. Quem tem hábito e cultura musical acaba por consumir discos e hoje mais que nunca é importante que o formato físico seja cada vez mais de luxo com um preço acessível.

8. E em termos de planos para 2012, o que é que podemos esperar dos Murdering Tripping Blues?
Concertos, músicas novas e a promessa de que faremos sempre o que nos der na cabeça.

9. Querem deixar uma última mensagem a quem vos está a ler?
blah blah BANG!!!

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Entrevista por Hugo Rodrigues

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