The Last Internationale + Black Leather no MusicBox (04/05/2012)

Texto por Jorge de Almeida / Fotos por Alexandre Abreu

É mais ou menos por esta altura que o discurso puramente profissional começa a não fazer sentido face ao óbvio. Ao fim de três concertos, dois deles de empreitada, de os entrevistar e de já conhecer de cor letras de temas como “Fuzzy Little Creatures”, “Indian Blood” e “ Crawling Queen Snake”, não é surpresa se confessar que os The Last Internationale são uma das bandas em cuja ascensão apostaria ferozmente, pelo que reservo já o ditame hipster “ eu já os conhecia ainda ninguém falava deles”.

Pressionemos então “rewind” até à meia-noite do dia deste concerto.

Na roleta russa que é a assistência no Musicbox calhou “menos de metade”. Paciência.

Já passavam largos minutos da meia-noite quando os Black Leather subiram a palco para descarregar o frenetismo do seu indie-rock pintado de post-punk, à Joy Division, e rockabilly a convidar os The Cramps à memória.

Desfalcados, com um portátil a fazer as vezes de um baterista, apresentaram temas do seu mais recente EP “S.T.R.A.I.G.H.T.”.

Não obstante temas como “Velvet Love” e “Sweet Love” puxarem ao pezinho de dança e terem feito os mais intrépidos recuarem ao tempo em que se dançava o “ié-ié” e a darem um ar da sua graça, o concerto foi manifestamente linear. Bom, é certo, mas deixou-nos sempre à espera de um momento alto. Não há código binário para a alma e a falta de uma secção rítmica presente em palco faz-se notar. Queríamos muito ter enlouquecido mas o pretexto nunca chegou, por muito que Phil Sick puxasse pelo público. Ficámo-nos pelo teasing, mas agora queremos mais.

Quanto aos The Last Internationale, agora em formato quarteto, com Son Marcus no baixo, a vir directamente do outro lado do Atlântico para Lisboa, e Fernando Silva, luso descendente, a assumir as rédeas da bateria, o que há mais para dizer?

A verdade é que sob este novo formato a banda soa bastante mais coesa, por comparação ao concerto no Espaço Reflexo, em Sintra, no MusicBox a energia em palco extravasou aquilo que seria de esperar ao escutar o álbum, “Choose Your Killer”.

Apresentando um set manifestamente mais blues que propriamente folk, ainda que com o habitual piscar de olho a Bob Dylan e cover de “House Of The Rising Sun”, assolaram os presentes com uma descarga de energia contagiante. Com uma secção rítmica mais certa que um relógio era notório o à vontade e liberdade em palco de Edgey e Delila, particularmente em canções como “Mean Mistreatin’” e “Crawling Queen”. Mas foi “Indian Blood”, a fechar, o melhor momento da noite. Como habitualmente o é  em concerto,  numa versão prolongada de fazer gritar a alma não deixou ninguém indiferente.

Algures ao meu lado ouvia-se “acho que me vim não sei quantas vezes”, por questões de higiene não posso aprovar a reacção, mas não se pode condenar o entusiasmo perante um performance perfeitamente orgásmica.

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