Reportagem sobre “Unspoken Understanding” de John Filipe

John Filipe já foi entrevistado para o Arte-Factos. Este jovem setubalense é reconhecido pelo seu trabalho no campo dos audiovisuais, tendo realizado videoclips para artistas como Linda Martini, Filho da Mãe, More Than A Thousand, PAUS, Hills Have Eyes e The Doups. Com marca pessoal do realizador, estes videoclips pautam-se por uma estética perfeita e uma grande visão da actualidade.
“Unspoken Understanding” marca a estreia de John nas curtas-metragens à séria. Realizado e montado pelo próprio, esta curta está a concurso na 2ª edição do New York Portuguese Short Film Festival. Através de belas imagens, uma grande representação da actriz Joana Barradas e de uma banda sonora forte, construída pelos Pop Santeiro (Makoto Yagyu – Fábio Jevelim – Shela – BB – João Nogueira), esta curta metragem tem tudo para ser falada um pouco por todo o lado. Em Portugal estreia nos dias 1 e 2 de Junho, em simultâneo com o Hard Club, no Porto, e o Auditório Carlos Paredes, em Lisboa.
Falamos com o realizador, a actriz Joana Barradas e Makoto, um dos membros dos Pop Santeiro, para vos trazer mais algumas informações exclusivas sobre este projecto.

1- Nesta curta metragem podemos ver várias semelhanças com os teus videoclips. De que forma é que estes te influenciaram na realização desta curta?
John Filipe: Qualquer artista pode ter suas influencias e referencias, no entanto com passar do tempo a sua arte vai-se refinando e ganhando cada vez mais a sua personalidade individual.
Penso que o que queres dizer com essa semelhança acaba por ser a forma ou estilo de como ” fotografo ” e monto o filme que resulta numa estética. Os videoclips ” não me influenciaram “, esta curta surgiu como um seguimento natural do meu trabalho dando-me a oportunidade de desenvolver a minha técnica e visão.
Se reparares nos últimos 2 minutos do filme, a estética muda completamente e entra num registo mais cinematográfico tradicional.

2- Como foi para ti fugir aos videoclips? Foi um desafio criar algo novo?
JF: É semelhante, temos de pensar numa ideia ou argumento, filmar e montar.
A diferença aqui é que não preciso de convencer ninguém a filmar aquilo que eu quero.
Mas em termos de volume de trabalho sim, foi infernal.

3- Como foi trabalhar com a Joana Barradas e como foi dirigi-la.
JF: Foi óptimo e fácil!
Sinto uma pena tremenda por ver um talento que devia estar no ” big screen ” e pela nossa falta de industria, que fica pelas telenovelas. Espero sinceramente que isto mude ou que consiga furar e chegar ao cinema onde vai mostrar o seu verdadeiro talento e arte.

4- De onde veio a ideia para a banda sonora
JF: A banda sonora acompanha o filme para dar um tom e a reforçar a emoção presente das imagens.
A ideia e a estética sonora já compete aos Pop Santeiro responderem, eu apenas dei as minhas guias e defini a progressão dos sentimentos do filme e deixei-os fazerem a sua arte.

5- Maiores influencias pessoais para esta curta
JF: O nosso maldito cérebro emocional humano .

6- Como esperas que seja a participação no festival em Nova Iorque?
JF: Naturalmente espero que o filme funcione bem lá, da mesma forma como espero em todo o resto do mundo.
Desejo que esta fase de festivais passe rapidamente para poder dar o filme a todas as pessoas.

7- Em Portugal onde podemos ver a curta?
JF: Vai estrear pelo Arte Institute dia 1 de Junho no Hard Club do Porto, e no Auditório Carlos Paredes em Lisboa no dia 2.
Depois disso haverá mais datas, mas ainda por confirmar…

8- Qual é a mensagem que pretendes transmitir com a curta?

JF: Pergunta complicada… É um filme que não tem a linguagem convencional habitual de cinema.
O que senti depois de fazer o filme é que ele funciona como um objecto ou um espelho para o espectador, é quase como um teste de Rorschach em que o público reage emocionalmente, consoante aquilo pelo que estão a passar na actualidade ou pela sua filosofia de vida. Então tens pessoas a pegar mais numa parte do filme e outras noutras. Já ouvi varias versões do público que me explicam a forma como entenderam ou resolveram o filme. Acho isso o aspecto mais interessante do filme, hoje sentimo-lo de uma forma, daqui a 1 ano podemos voltar a ver e já ter uma interpretação diferente.
Nenhuma imagem do filme é gratuita, quando o fiz tinha uma explicação lógica para cada frame do filme, e cada vez mais o próprio público está a destruir-me essa minha explicação inicial. Adoro isso, sinto como que ” a obra de arte ter superado o artista “.

9- Pensas fazer algo do género no futuro próximo? Uma longa metragem?
JF: Claro, já existem algumas ideias.
Fazer uma Longa Metragem é mais complicado, não por falta de vontade, mas pelas dificuldades óbvias.
No entanto, também já existem outras ideias que poderiam apontar nesse sentido, mas ainda é cedo para falar disso e será preciso boa vontade de muita gente.

Joana Barradas é actriz de televisão e teatro. A sua estreia na televisão aconteceu em 2002, na telenovela “Tudo por amor”, tendo passado depois pela série “O bando dos Quatro”, “Morangos com açucar” e “Laços de Sangue”. Esta jovem e talentosa actriz falou-nos um pouco acerca da sua participação na curta-metragem de John Filipe.

1 – Como foi para ti trabalhar com o John?

Joana Barradas: O John foi das melhores pessoas com quem trabalhei, muito prático, objectivo e ciente daquilo que pretendia. Sentia-me muito à vontade com ele, não apenas por já o conhecer, mas também por ser bom profissional. Tem um grande talento e a sua visão foi bem projectada para o ecrã.

2- Tens já experiência profissional na área da representação. Como foi para ti trabalhar num projecto independente?
JB: Já tenho alguma experiência na área da representação, comecei quando tinha apenas 9 anos, mas este é o primeiro trabalho independente que faço que não seja apenas projecto escolar. É diferente claro… é algo mais íntimo, pessoal, profundo… ainda por cima porque sou basicamente eu que apareço… senti uma enorme responsabilidade e pressão, mas no fim acho que correu tudo bem, conforme planeado.

3 – O teu papel na curta assenta bastante na expressão. Foi fácil para ti desempenhar esse papel? Que actrizes te influenciaram a seguir o caminho da representação?
JB: Realmente o maior desafio, no que toca à representação cinematográfica, não é a expressividade corporal, mas sim o que uma pessoa consegue transmitir apenas com o olhar… não é fácil. É complicado entrar num estado emocional que não o nosso, sair da nossa zona de conforto para experienciar algo que não é a nossa realidade no momento. Mas acaba por ser enriquecedor. Sinto-me orgulhosa com o resultado.
Actrizes… pergunta difícil. Eu era tão nova quando me apercebi de que queria seguir este rumo, que nem deu tempo para ser influenciada por ninguém, foi uma descoberta minha. Depois com o acumular da experiência e interesse fui buscando algumas referências, mas sou mais apologista de sermos possuidores dos nossos próprios métodos.

Finalmente falamos com Makoto, músico reconhecido por ser membro dos If Lucy Fell e PAUS, duas bandas de culto em Portugal. Estes Pop Santeiro são formados por Makoto Yagyu, Fábio Jevelim, Shela, BB e João Nogueira, cinco músicos com muita experiência musical.

1 – Como foi trabalhar com o John?

Makoto Yagyu: Foi fácil como sempre, já não é a primeira vez (e com certeza não a última) que trabalhamos juntos, quando se consegue comunicar e há empatia entre todos, as coisas acabam por fluir e ser relativamente simples e divertidas…

2- Como surgiu a ideia para a banda sonora? Foi algo criado através das imagens do John ou já havia alguma ideia pré-definida?
MY: Havia um certo padrão a respeitar, pois o John já tinha uma certa ideia, mas no fim as imagens acabaram por dirigir o som…

3 – Compor para uma curta metragem é sempre um desafio diferente de compor para uma banda. De onde veio a influencia para criar estes sons?
A influencia veio basicamente das imagens, se isso responde à pergunta e foi algo completamente criado para esta curta…

Texto e entrevista por João Miguel Fernandes

3 responses to “Reportagem sobre “Unspoken Understanding” de John Filipe

  1. Acompanho o trabalho do John já há algum tempo. Adoro os videoclips e tenho a certeza que esta curta vai estar excelente. Grande entrevista!

  2. admiro as criações,trabalhos do John e gostei de ler a entrevista. mas, “…uma estética perfeita”, o que é uma estética perfeita?

    • Obrigado pelo comentário, continua a seguir o trabalho do John que há-de vir daí muita coisa boa. Em relação à tua pergunta, essa afirmação refere-se à parte técnica do seu trabalho relacionado com os visuais, ou seja, com a forma como filma, edita e monta uma cena. A palavra “perfeita” pode gerar alguma confusão, visto que nada é perfeito, mas no fundo serve apenas para explicar que a estética do trabalho do John é bastante boa.

      JM

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