Cancer Bats + Hills Have Eyes + Don’t Disturb My Circles + For Godly Sorrow no Santiago Alquimista (23/05/2012)

Esperava-se mais gente para saudar Cancer Bats na noite que marcou a sua estreia em palcos lisboetas. Nem o encerramento do piso superior do Santiago Alquimista disfarçou as clareiras que se iam formando cá em baixo dada a falta de público. Justificações? Talvez um cartaz tão longo numa quarta feira à noite, ou talvez a recorrente desculpa da crise, não sei. Mas também não foi isso que fez esmorecer o entusiasmo dos canadianos, que entraram e deram tudo o que tinham, proporcionando a quem lá estava uma bela chapada na cara de rock’n’roll.

Para aquecer a noite, contámos com três projectos nacionais. Como já vem sendo característico nos concertos da Xuxa Jurássica, há sempre uma preocupação em divulgar e dar oportunidade ao que se anda a fazer por cá. Os primeiros a pisar o palco foram os For Godly Sorrow, já habitués a abrir para nomes fortes desde que apareceram (veja-se o caso de Caliban, por exemplo). Apesar de se terem apresentado para um reduzido número de pessoas, ainda conseguiram alguma adesão da facção presente que já os vem seguindo ao longo do tempo. No entanto, não fascinaram. A banda precisa ainda de ganhar mais maturidade sonora pois as influências das bandas core mais orelhudas são mais do que evidentes.

Os Don’t Disturb My Circles são o caso oposto. São uma banda que ouvida em casa não nos transmite metade do que quando a vemos ao vivo, onde a desconstrução sonora que praticam consegue ser mais impactante. Foi uma actuação que acabou por ser positivamente surpreendente e onde provavelmente conseguiram captar as atenções de alguns presentes que os desconheciam. Não comprometeram e cumpriram a sua missão, portanto.

De Setúbal para o palco do Santiago Alquimista vieram os Hills Have Eyes, o nome mais apelativo de entre as três nacionais. Ainda a apresentar Strangers, álbum que lançaram no início do ano e que lhes valeu uma série de concertos, tanto em Portugal como no resto da Europa. Deram um concerto algo atípico em relação ao que já vem sendo seu habitual. Notou-se a falta do público a puxar mais por eles e a ligação de parte a parte acabou por esmorecer um pouco. No entanto, temas como “This is War” ou “Hey Hater!” não passaram despercebidos e ainda provocaram algum rodopio no centro da sala.

Hora dos frenéticos Cancer Bats subirem ao palco. Com energia a destilar das colunas e a encher a sala, agarram logo o público com uma entrada a pés juntos ao som de Sabotage, original de Beastie Boys, que recentemente viram partir um dos seus membros mais emblemáticos, Adam “MCA” Yauch, que não resistiu a um cancro.
Os canadianos prosseguiram , dando uma actuação extraordinariamente forte e coesa, muito por culpa de Liam Cormier, a mostrar como é que um frontman deve fazer. Com Dead Set on Living para apresentar, a banda fez uma boa gestão de setlist, misturando novos temas com clássicos dos três albuns anteriores e tocando quase tudo o que era obrigatório. Foi mais um trunfo para prender um público que tinha os clássicos na ponta da língua e que não hesitava em precipitar-se para o microfone ora de Liam, ora do baixista Jaye Schwarzer para ajudar no sing along. E bom exemplo foi em temas como “Trust No One” ou “Pray For Darkness” que devem ter deixado muito boa gente rouca de tanto que se gritou.
A intensidade foi tal que nem a cabeça do amplificador do guitarrista Scott Middleton aguentou e pegou fogo já na recta final do concerto enquanto “Shillelagh”, faixa do primeiro disco da banda Birthing the Giant, estava a ser tocada. Mas também não foi isso que fez acabar a festa e, resolvida a situação, ainda houve tempo para uma das faixas mais aguardadas da noite: “Hail Destroyer” provocou o delírio junto dos presentes. Finda a música, ainda tivemos direito a despedida ao som de R.A.T.S., uma das mais intensas músicas do mais recém lançado álbum.

É sempre triste chegar a uma sala e ver uma casa tão vazia perante um cartaz tão interessante, especialmente quando depois vês um daqueles concertos que sabes que vais recordar mais tarde. Foi uma brilhante actuação de Cancer Bats, que com toda a certeza conseguiram agradar a todos os que se deslocaram ao Santiago Alquimista naquela quarta à noite.

Setlist:

1. Sabotage
2. Trust No One
3. Pray for Darkness
4. Pneumonia Hawk
5. Sorceress
6. Death Bros.
7. Bricks & Mortar
8. Old Blood
9. Drunken Physics
10. Road Sick
11. Scared to Death
12. Lucifer’s Rocking Chair
13. Shillelagh
14. Hail Destroyer
15. R.A.T.S.

Texto por Cláudia Filipe

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