Rock In Rio – 3º dia (01/06/2012)

Texto por João Miguel Fernandes / Fotos por Hugo Rodrigues

Naquele que foi o dia da criança, o Rock In Rio voltou a encher para celebrar a música mundial. Ivete Sangalo é sempre artista garantida, tanto a nível de público que trás consigo, como a nível de espectáculo que oferece. Quem é fã de certeza que não perdeu este concerto. Mas vamos concentrar-nos no primeiro concerto do dia, com os portugueses Expensive Soul.

Os Expensive Soul têm criado ao longo destes anos uma enorme base de fãs. Com o seu êxito “O amor é mágico”, que conquistou acima de tudo novos fãs entre a população mais jovem, os  Expensive Soul conseguiram conquistar a ainda reduzida audiência que os via no Parque da Bela Vista. Com um concerto competente, vozes afinadas e algumas boas músicas, como é o caso do “hit” do momento, os Expensive Soul agarraram com garra esta oportunidade de actuarem no Palco Mundo do Rock In Rio. Os fãs ficaram satisfeitos e a banda esteve empenhada, conseguindo um concerto competente, sem falhas.

Basta dizer que esteve presente em todas as 5 edições do Rock In Rio Lisboa para percebermos a dimensão da artista. Falamos, claro, de Ivete Sangalo, a actual musa brasileira dos portugueses. Se os banda eva já lã vão, a Ivete está para durar, não fosse ela uma das artistas mais aplaudidas de qualquer edição do Rock In Rio, daquelas artistas que leva sempre o seu enorme grupo de fãs para a ver, grupo de fãs esse que se tornou gigante. Com toda a sua boa disposição natural, a “quarentona” com ar de quem ainda tem vinte anos, carregou aos seus ombros, e pernas, um concerto com demasiados êxitos – desde “Pererê” a “Abalou”, passando por “Beleza Rara” e acabando em “Arerê”, sem esquecermos a “Sorte grande”, essa enorme música que imortalizou em Portugal a cantora brasileira. É difícil apontar algo de errado na actuação de Ivete Sangalo. Tem energia para dar e vender, carisma suficiente para encher todo o recinto do Rock In Rio e boa disposição até mais não. Musicalmente é música de festa, para se dançar e saltar. Quem gosta não se importa que venha cá a todas as edições; quem não gosta tem que a gramar obrigatoriamente, pois esta brasileira cheia de raça não vai deixar de vir a Portugal “levantar poeira” não!

Estreia dos americanos Maroon 5 em terras lusitanas e estreia em concertos na Europa em 2012. Por mais estranho que possa parecer, os Maroon 5 não tocaram na Europa este ano nem têm ainda qualquer data marcada. Numa performance com poucas palavras e muita música, os Maroon 5 foram inteligentes e souberam cativar o público, com momentos instrumentais interessantes, onde os riffs do sócio de David Gilmour (apenas no aspecto) se faziam ouvir a bom som. Com um punhado de boas canções, uma voz fora do vulgar e uma banda que até sabe o que faz, os Maroon 5 encavalitaram-se para um concerto competente, sem grandes erros, mas também sem conseguir surpreender. Para os fãs, ficam na memória os momentos mágicos de canções como “This Love”, “Won’t Go Home Without You”, “Moves Like Jagger” e “She Will be Loved”, singles de grande sucesso comercial e que carregaram a banda às costas. Com quatro álbuns na bagagem, não existem dúvidas que Songs about Jane é o mais icónico, não só por ser o primeiro e que os lançou no estrelato, mas também porque é que o que tem, de longe, as melhores músicas. Os Maroon 5 assinaram um concerto correcto sem grandes falhas, alheado à sexyness de Adam Levine – esse ícone sexual para a maioria das mulheres, e não só.

Regresso do eterno rockeiro, Lenny Kravitz, a Portugal. Amado pela maioria dos portugueses e conhecido pelo seu look extravagante, o nova-iorquino veio apresentar o seu último álbum Black and White America. Se a última aparição de Lenny Kravitz em Portugal nos apresentou um artista cheio de energia, boas músicas e inteligência de palco, este concerto do Rock In Rio Lisboa veio mostrar-nos quase o contrário. Com um ar terrivelmente cansado (ou outra coisa qualquer), metade da energia de há quatro anos atrás e um alinhamento fraco, Lenny Kravitz assinou um concerto mediano, que ficou muito aquém do esperado, ainda mais quando se vê um artista de 48 anos com nem metade da energia de artistas de 62 anos (como Stevie Wonder ou Bruce Springsteen, nos dias que se seguiram). Com um alinhamento estranho, onde apenas “American Woman”, “Believe”, “Fly Away” e “Are You Gonna Go My Way”, se fizeram ouvir, Lenny Kravitz ainda achou por bem fazer enormes pausas entre as músicas, onde ficava a olhar para o microfone e pouco dizia. É verdade que conseguiu pôr o público a vibrar com as suas grandes músicas, mas as “novas” não tiveram qualquer efeito e nem um som cheio de solos e exageros conseguiram abrilhantar uma exibição, já de si pouco convincente. Não foi um mau concerto, de todo, mas foi um concerto a meio gás e algo triste de um artista que costuma ter muita garra em palco. Nós perdoamos-te Lenny.

No palco Vodafone Showcases, houve ainda tempo para um dos melhores concertos da noite em qualquer palco, o concerto dos nortenhos doismileoito. Com um álbum consagrado na bagagem e outras boas músicas, os doismileoito deram um concerto que de errado só teve a duração: devia ter sido muito maior. A energia da banda e a qualidade das suas músicas é fantástica, sendo capaz de juntar um instrumental bem interessante com músicas cantadas em português, passíveis de serem ouvidas em qualquer rádio. Música inteligente ou apenas boa música, os doismileoito foram das melhores bandas a passar pelo palco Vodafone Showcases. Palco esse que mostrou a toda a gente que em Portugal há muita banda boa: apostem nelas!

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s