Entrevista aos Um Corpo Estranho

Os Um Corpo Estranho nascem em Setúbal, fruto da união de dois amigos, editaram recentemente o seu primeiro EP homónimo e são também uma das bandas confirmadas para a edição deste ano do Festival Urbano de Música e Outras Coisas (FUMO), onde irão ter oportunidade de abrir o concerto dos Osso Vaidoso. Por isto tudo e muito mais, fomos tentar descobrir um pouco mais sobre este projecto.

1. Primeiro que tudo, para quem não está ainda familiarizado com o vosso projecto, quem são e como é que surgiram os Um Corpo Estranho?
Um Corpo Estranho - Um Corpo Estranho nasce, fundamentalmente, da união de dois amigos. Somos ambos ouvintes compulsivos de música e crescemos a tocar juntos. Dessa partilha surgiram vários projectos que fomos deixando por acabar. Penso que foi uma coisa natural, um reencontro. Temos vivências distintas e quisemos juntar os dois mundos.

2. Escrevem na vossa biografia que “corpo estranho é qualquer substância que venha, acidental ou intencionalmente, a penetrar e permanecer no interior de um organismo, provocando reacções diversas”. É também esta a vossa intenção quando criam música?
CE - A nossa intenção ao criar música é, acima de tudo, satisfazer uma necessidade pessoal. Tocamos o que gostamos e com o qual nos identificamos. A partir do momento em que partilhamos as canções elas deixam de ser nossas e passam a pertencer a quem as ouve. Se as pessoas se identificarem com nossas canções só nos dá ânimo para continuar a trabalhar.

3. Editaram no final de Maio, através da Experimentáculo Records, o vosso primeiro EP, falem-nos um pouco sobre ele, o que é que nos contam estas “anti-histórias”?
CE - No fundo são temas universais, o medo, o amor, a revolta, a letargia, etc., fragmentos das nossas vivências, reflexos de uma meia verdade e de uma meia ficção. Roubamos alguma coisa à realidade e romantizamo-la.

4. Escolheram o Rui David, dos Hands on Approach, para vos gravar e produzir o disco nos estúdios RD, em Setúbal. Porquê esta escolha e como é que correu todo este processo?
CE - A primeira fase de gravação aconteceu num retiro que fizemos para uma pequena localidade no Alentejo. Fechámo-nos numa casa e ficámos vários dias a compor os arranjos e a pincelar os temas. A escolha do Rui David foi muito natural porque para além de ser um amigo próximo é um excelente profissional. Aliás, todas as pessoas que nos ajudaram na criação do universo de Um Corpo Estranho são amigos de longa data, todos de Setúbal, que acreditaram no projecto desde os primeiros acordes e sempre se mostraram disponíveis para ajudar no que fosse necessário. No apoio audiovisual contámos com o António Aleixo da Low Cost Films e com o João Bordeira e andamos a tentar desenvolver uma componente mais cénica com o Ricardo Mondim.

5. Ainda em relação a este EP, optaram por um lançamento diferente no que toca ao grafismo e acomodamento do disco diz respeito, como é que surgiu essa ideia?
CE - Desde o início que tínhamos idealizado um formato artesanal para o EP. Trocámos impressões com a Ana Polido, designer da Experimentáculo, que conseguiu materializar a nossa ideia de uma forma que nos fascinou. É uma artista muito intuitiva e o pouco que lhe dissemos foi ao encontro do que tínhamos imaginado.

6. É também uma forma de oferecerem algo diferente a quem compra o disco?
CE - É um complemento importante. Já não se compram tantos discos como noutros tempos. Não querendo parecer saudosista, a música hoje em dia propaga-se de uma forma muito rápida e o culto de coleccionar o objecto físico vai escasseando. Não somos assim tão velhos mas, ainda somos de uma geração em que comprar um disco era emocionante, em que todas as palavras escritas nos livretes dos discos eram lidas exaustivamente e em que todas as imagens e estética do disco criavam um universo que complementava a música. Hoje em dia grande parte desse conceito perdeu-se mas para nós ainda é importante.

7. Virando-nos um pouco para os concertos, apresentaram ao vivo estas canções no dia em que o EP foi editado, como é que correu esse concerto?
CE - Foi óptimo. Toda a gente nos acarinhou e foi fantástico sentir o trabalho que começamos em 2009 a respirar. Os músicos que nos acompanharam ajudaram-nos imenso a fazer com que os temas ganhassem uma outra cor.

8. Agora, já confirmados para a edição deste ano do Festival Urbano de Música e Outras Coisas (FUMO), o que é que as pessoas podem esperar desse concerto? Vai já ser num formato mais completo?
CE - Temos a missão de abrir para Osso Vaidoso. É um grande privilégio. Vamos tocar mais temas e num formato mais alargado com banda. Acima de tudo queremo-nos divertir. Não pode ser completo sem esse factor.

9. O que é que sentem por terem a oportunidade de tocar no FUMO? Há algum sentimento especial por acontecer na vossa cidade e por ser organizado de certa forma pela vossa casa mãe, a Experimentáculo?
CE - Jogamos em casa, a pressão é maior, mas contamos com o apoio da cidade e da Experimentáculo. Temos todos os factores do nosso lado. O sentimento é de festa!

10. Querem deixar uma última mensagem a quem vos está a ler?
CE - Um abraço e esperamos encontrar-vos no meio do FUMO.

O EP  “Um Corpo Estranho” está disponível para audição na página bandcamp da banda.

Entrevista por Hugo Rodrigues

2 responses to “Entrevista aos Um Corpo Estranho

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