Chernobyl Diaries

Bradley Parker, o homem que esteve envolvido na criação dos efeitos especiais de filmes como Fight Club ou Let Me In, estreia-se na realização com Chernobyl Diaries. A ideia surge dos responsáveis por Paranormal Activity e ao longo do filme percebe-se um pouco porquê. Agora aquilo que realmente interessa é saber se esta ideia de agarrar em factos e tentar adicionar algo mais funcionou, ou nem por isso.

Um grupo de turistas decide embarcar numa pequena viagem à cidade de Pripyat, abandonada após os eventos no reactor nuclear de Chernobyl. É o chamado turismo selvagem, promovido por Uri, o único responsável por uma agência que promove estas viagens. O grupo parte na esperança de ver uma cidade fantasma, onde deixou de haver vida de um momento para o outro, mas acaba por encontrar algo mais.

Não sabendo de antemão a ideia do filme, é necessária uma boa meia hora até lá chegar. Nesse tempo acompanhamos os turistas a fazer, bem, turismo. Conhecemos, pouco, as personagens e não há nada digno de referência além do cenário que nos é apresentado já em Pripyat, fiel ao original. Quando vemos uma espécie de  urso mutante a correr em direcção à câmara, percebemos que afinal não vamos ver um filme que apenas nos mostra cenários interessantes. A partir daí, é tudo o que se pode esperar de um filme que tem como intenção assustar o espectador.

É criado um ambiente relativamente interessante em torno da cidade abandonada e, com alguma força de vontade, até podemos ficar satisfeitos com as personagens. Quando arranca o suspense e a intenção de assustar, percebemos que dificilmente vai ser um filme muito interessante. As mortes consecutivas das personagens, um habitual neste filme, não são muito interessantes e também nunca ficamos muito bem a perceber o que é que os está a atacar. Podia, e devia, haver mais background naquela história. Assim, é um filme que pretende ser assustador, agarrando numa ideia, que nem se concretiza, em volta da tragédia de Chernobyl.

Chernobyl Diaries acaba por ser um filme que promete pouco e dá ainda menos. Ficamos interessados quase até ao final, nem que seja para perceber tudo o que aconteceu, mas acabamos por ficar na mesma. Não há a mínima compaixão pelas personagens vazias e por isso há enorme indiferença em relação ao modo como vão desaparecendo. É melhor do que o último Paranormal Activity, agarrando num exemplo recente, mas bem pior do que os outros dois dessa série.

Texto por Sandro Cantante

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