Entrevista aos October Flight

Entrevista respondida por Flávio Cristóvam (vocalista, guitarrista e letrista)

Make you mine” apresentou os October Flight ao país, o single, que rodou um pouco por todo o lado criou o burburinho e entusiasmo necessário para a antecipação do disco de estreia deste quinteto açoriano. Agora, “The Closing Doors” está finalmente editado e disponível para quem lhe quiser deitar a mão. A banda, essa, anda pelo país a apresentá-lo em pequenos showcases nos auditórios da Fnac, bem como em outras salas maiores, como é o caso do Paradise Garage em Lisboa, onde irá estar amanhã (21 de Junho) ou ainda o Texas Bar, em Leiria, onde estará no dia seguinte (22 de Junho). Antes disso, fiquem a conhecê-los aqui um pouco mais.

1. Primeiro que tudo, para aqueles que não estão tão familiarizados com a banda, quem são os October Flight e como é que tudo começou?
Tudo começou em Agosto de 2008. Tinha escrito umas canções a solo e gravado uma maquete sozinho. O nosso actual baterista tem um estúdio e na altura ouviu a minha música através do Myspace e convidou-me para ir gravar ao estúdio dele.

Foi então que gravei um tema, que na altura andou a rodar no Youtube e nas rádios locais e que deu origem a um convite para tocar num festival. Não tinha banda e na altura o Timmy (GTR) e o Joãozinho (Bateria), ofereçam-se para tocar comigo nesse concerto. Mas assim que começaram os ensaios reparámos que funcionávamos bem em grupo e o que era para ser um projecto a solo, tornou-se na raiz dos “October Flight” (os “Jamandizen”). Tivemos um percurso natural, uma ligeira mudança de formação até chegarmos à actual, onde entraram o João Ornelas (Baixo) e o André Gomes (Teclas), que entrou já durante o processo de gravação do disco.

2. Têm tido um crescimento sustentado enquanto banda desde que começaram, quer a nível colectivo com a vitória em alguns concursos de música, quer a nível pessoal com a presença do Flávio nos finalistas do “UK Songwriting Contest” em 2010, como é que vêem o vosso percurso até agora? Era esta a altura ideal para editar o vosso disco de estreia?
Vemos o nosso percurso com algum orgulho. Sempre aproveitámos todas as oportunidades que pudessem dar alguma projecção à nossa banda, daí termos concorrido a vários concursos.
Sei que muitas bandas não gostam de se sentir avaliadas por um júri, quando a música é algo tão subjectivo, mas fomos sempre tentando passar um bocadinho por cima disso e aproveitando as oportunidades que iam aparecendo.

A altura penso que foi a ideal, tivemos 3 anos de concertos e 1 ano de estúdio. Foi um processo longo, mas achamos que valeu a pena. Tivemos o cuidado de tentar fazer um disco homogéneo e maduro e penso que, para que tal seja possível, é necessário tempo, principalmente num primeiro disco como é o caso.

3. Sentiram que sendo dos Açores, e talvez pelo menos ao início, isso atrasou de alguma forma a divulgação da vossa música? Como é que foi, e ainda é, esta gestão da vossa parte? A internet e tudo o mais ajudam na divulgação, mas imagino que a logística para concertos seja mais complicada por exemplo, quando se têm que deslocar…
Sim, foi uma barreira muito grande, devido aos custos das deslocações para Portugal continental e ao facto de, o que fazíamos lá não chegar aqui.

É uma dificuldade, a meu ver, comparável à que uma banda portuguesa normal tem quando quer “saltar” para o mercado internacional. Neste momento paga-se menos para uma banda ir daqui para Londres, por exemplo, do que dos Açores para cá.

A internet e as redes sociais tiveram e têm ainda hoje um papel de “arma secreta” nestas situações, entrámos no “Myspace One’s to Watch” em 2009 por exemplo com o intuito de ter alguma projecção e como vencemos, foi a primeira vez que os Media de cá ouviram falar do nosso projecto.

Neste momento 3 dos membros da banda vivem em Lisboa, e 2 vivem na ilha Terceira. É algo que nos obriga a ter a coisa um pouco mais esquematizada no que toca a concertos, mas que tem vindo a resultar até agora.

4. Ainda em matéria de concertos, a primeira apresentação oficial do disco foi “em casa”, em Angra do Heroísmo, e contou com uma afluência bastante grande. Como é que foi ter todo esse apoio e carinho numa data tão especial para vocês? Dá um bom mote para o resto da digressão, não?
Foi uma sensação muito gratificante. Sermos recebidos em casa da maneira como nós fomos, fez com que sentíssemos que todo o esforço que temos feito, já tivesse valido a pena.
Estamos a falar das primeiras pessoas que nos apoiaram e a quem devemos muito, para nós foi um grande orgulho ter tido essa oportunidade de apresentar o disco daquela forma.

5. Antes disso foram também uma das bandas a representar a comitiva nacional na Canadian Music Week, no Canadá, como é que foi essa experiência?
Foi uma experiência incrível. Uma cidade do tamanho de Toronto, “forrada” por músicos de todo o mundo, agentes, críticos, rádios, etc. É um ambiente fenomenal que aconselhamos vivamente a qualquer músico ou a qualquer pessoa que esteja ligada a este meio.

Depois também o facto de termos conhecido alguns artistas portugueses por quem temos bastante admiração e termos partilhado essa experiência com todos eles foi algo de muito bom e de que não nos vamos esquecer tão facilmente.

6. Voltando ao disco, “The Closing Doors” foi produzido por Rui David (Hands on Approach, Darko, Mazgani, etc…), como é que foi todo este processo de gravação e porquê a escolha do Rui?
O Rui é muito bom a filtrar aquilo que é necessário estar numa canção e o que já está a mais.
Quando uma banda já está a tocar as mesmas músicas há 3 anos como era o nosso caso, é muito complicado ouvir uma dessas canções e conseguir dizer o que está mal e o que precisa ser mudado, porque o ouvido habitua-se.

É esse o trabalho de um produtor e ele sem dúvida, foi muito importante. Tivemos um processo de pré-produção longo e cuidado.

De um modo geral, foi um processo divertido/interessante e cansativo… Exactamente por essa ordem.

Quando estávamos a finalizar o disco já estávamos mesmo cansados. Mas quando tudo acabou dei umas 2 ou 3 semanas de descanso sem ouvir as músicas, para depois ouvir sem o cansaço e acho que valeu mesmo a pena.

7. E em termos de composição, como é que é o vosso processo?
Geralmente, escrevo as canções de uma forma muita crúa em acústico e depois levo a ideia para o ensaio e cada um começa a colori-las dando o seu “input”. Como os membros da nossa banda têm todos influências um bocadinho distintas, as canções acabam sempre por sair com uma sonoridade um pouco diferente da ideia original.

8. Estava nos planos terem um tempo de intervalo tão longo entre o lançamento do primeiro single, “Make you mine”, e a edição do álbum?
Estava e não estava (risos). Na altura que lançámos o single, queríamos mesmo pôr alguma coisa para fora e dizer às pessoas que já nos seguiam “Estamos vivos”…

Porque originalmente queríamos ter editado este disco em Outubro do ano passado, mas quisemos mesmo ir ao detalhe e chegámos a um ponto em que pensámos, “que se lixem os timings”, vamos fazer um disco do qual tenhamos orgulho quando estiver pronto.

Entretanto arranjámos editora e num instante fizeram-se 3 meses. Mas penso que foi bom dar esse tempo, para que mais pessoas ouvissem o single e ficassem atentas, quando fosse para sair o álbum.

9. “The Closing Doors” conta também com a participação especial da cantora Inglesa Elkie Brooks, uma das mais bem sucedidas e respeitadas cantoras do Reino Unido. Como é que surgiu esta colaboração e como é que foi ter esta participação ‘de peso’ numa das músicas do vosso primeiro álbum?
Nós sempre tivemos em mente ter uma participação de uma voz feminina no tema “Start Again”, principalmente pela história da letra. Tivemos vários nomes “na mesa”, mas nunca nos atreveríamos a sonhar tão alto. No entanto, o nosso manager (Steve Bootland) trabalhou 5 ou 6 anos como Road Manager da Elkie Brooks e desenvolveu uma amizade que ainda hoje mantém.

Foi então que o Steve deu a ideia de convidá-la para um dueto e enviou-lhe a canção.

Para nossa admiração ela respondeu dizendo que gostava muito de participar e nós, claro, ficámos lisonjeados com a ideia e aceitámos logo o desafio.

Foi então que ela gravou a voz no seu estúdio em Londres e assim que ouvimos a sua participação, ficámos todos como pele de galinha (risos).

10. Vão andar agora um pouco por todo o país a apresentar o disco, o que é que o público pode esperar destes concertos?
Acho que, acima de tudo, podem esperar algo um pouco diferente, com raízes diferentes do habitual. Uma vez que somos açorianos e que isso acaba por pesar também muito no nosso som enquanto banda.

11. Querem deixar uma última mensagem aos nossos leitores?
Passem pelo Paradise Garage dia 21 ou pelo Texas Bar dia 22 para bebermos um copo!!

Entrevista por Hugo Rodrigues

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