The Joneses

Este é um daqueles filmes que, à partida, parece não merecer nenhum do nosso amor. Estreou em 2009, chega até nós três anos depois e não parece ter uma premissa particularmente interessante. É verdade que conta com um elenco relativamente bom, mas cada vez menos isso significa qualidade. No final ficamos surpreendidos. Não é um óptimo trabalho este de Derrick Borte, mas é agradável de se ver.

Os Joneses são a família perfeita, que se acaba de mudar para um bairro conhecido pelo nível elevado dos habitantes. Cedo os encantadores Steve e Kate, com os seus filhos perfeitos, Jenn e Mick, conquistam os vizinhos e tornam-se o centro das atenções, por todas as razões possíveis. Ainda assim, cedo percebemos que há algo de errado com tanta perfeição, como já seria de esperar. À medida que que a ilusão se uma família perfeita se vai dissipando, os problemas vão aumentando nada corre como os Joneses pretendiam.

É óbvio, desde o primeiro momento, que há algo de errado com a família. O filme, no entanto, acaba por desvendar isso logo nos minutos iniciais, retirando aquele que podia ser um dos focos de maior interesse. Dá-se muito pouco tempo para se supôr alguma coisa e o caminho tomado a partir daí é o das consequências que o segredo em si irá ter naquele local. Continua a ser algo interessante, mas não tanto como poderia, se fosse tomada outra abordagem a esse assunto.

As personagens são boas e isso é claramente um dos pontos mais fortes. David Duchovny e Demi Moore estão óptimos como chefes daquela família, com um destaque maior para a mais complexa personagem de Duchovny, e os filhos também estão bem protagonizados pela encantadora Amber Heard e o consistente Ben Hollingsworth. Cada uma dessas pessoas tem os seus próprios segredos que, esses sim, são revelados de forma mais progressiva. Não escapa de todo a alguns cliches, mas pelo menos não tem personagens vazias, como acontece em tantos filmes do género.

Por fim, há também uma mensagem interessante a ser transmitida pelo filme. É verdade que temas como o consumismo e as suas consequências já foram abordados em dezenas de filmes nos últimos anos, mas aqui parece haver algo mais do que nos demais. Vemos alterações na atitude das personagens secundárias e vamos acompanhando-as, lado a lado com as principais. É mais um aspecto bem conseguido.

The Joneses não é genial, nem perto disso. É um filme sólido, com boas personagens e uma boa mensagem. Acaba por tomar alguns caminhos errados ali pelo meio, mas acaba por compensar noutros aspectos. Não merece a desconfiança com que os possíveis espectadores o vão encarar e peca pela demora a chegar às nossas salas de cinema. É interessante e agradável, mas provavelmente vai passar ao lado de tudo e todos.

Texto por Sandro Cantante

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