Faixa a Faixa: “The Closing Doors” de October Flight

The Closing Doors” é o disco de estreia dos October Flight, editado recentemente por esta banda açoriana. Composto por 12 músicas, Flávio Cristóvam explicou-nos faixa-a-faixa cada um dos temas deste disco e, agora também vocês podem ler o resultado.

#1 Good Morning Boston
O tema que abre o nosso disco chama-se “Good Morning Boston”, precisamente porque foi escrito numa manhã em Boston, quando lá fomos tocar em 2010. Tinhamos acabado de acordar e o Timmy mostrou-me um riff que tinha feito e quando demos por nós eram 10 ou 11 da manhã e já tinhamos escrito uma música.
É uma canção que fala sobre viver cada dia como se fosse o último e foi escrita num dia em que estávamos com esse sentimento bem presente, pela alegria de toda a viagem.

#2 All for Zero
All for Zero é um dos temas mais recentes da banda e dos mais “rockeiros” do disco, tem um riff muito melódico e é uma música muito cheia de dinâmicas.
Lembro-me de ter mostrado a malha de guitarra ao Timmy. É uma malha um pouco complexa, com muitas notas. Na altura pensei: – “esta malha tem tantas notas que vai ser impossível meter mais alguma coisa em cima disto”. Mas o que aconteceu foi que toda a gente teve a tendência de fazer algo complexo e acho que o resultado final ficou uma “fusão de cores” bastante interessante.
Liricamente fala sobre uma relação que está à beira do colapso, mas que não termina por falta de coragem das pessoas envolvidas.

#3 Go Now
A 3º música do alinhamento é sem dúvida a música que tem mais sabor a verão no disco.
Chama-se “Go Now” e fala entre outras coisas, com alguma ironia, sobre aquele momento num relacionamento em que nos apercebemos que já estamos tão dependentes da outra pessoa que não conseguimos estar sozinhos sem perder o juízo…

#4 Blew it All
“Blew it All” é a canção mais antiga deste trabalho (tem cerca de 5 anos). E trata-se de uma balada fácil de “digerir” e criada com a maior simplicidade possível. É provavelmente, um dos temas mais “orelhudos” do álbum.

#5 Miss Take
Para quem gosta de groove penso que esta é das mais interessantes do álbum, tem um andamento bem diferente e penso que se conseguiu um grande trabalho de secção rítmica, um pouco também devido à dissecação de todos esses pormenores na nossa pré-produção por parte do Rui David.

#6 Make you Mine
Este foi o tema que escolhemos para primeiro single.
Tem um “hook” de piano muito forte e a música gira toda à volta dele.
É uma canção que tem como temática a obsessão de querer conquistar outra pessoa.

#7 Maybe
O Maybe, foi o tema que levou a maior volta durante a gravação do disco.
O resultado foi uma música um bocadinho mais assente na vertente da “electrónica” do que as outras, com alguns beats digitais e uma fusão interessante de sons um pouco diferentes do habitual na nossa banda.
Fala sobre aqueles momentos em que paramos e pensamos: – “Talvez isto pudesse ser diferente, e se…”

#8 The Closing Doors
“The Closing Doors” foi a música que deu título ao disco, é uma música que fala sobre sonhar e foi escrita na altura em que decidi vir para Lisboa para seguir música a sério. Fala sobre o entusiasmo todo de partir para esta aventura através de uma história de um miúdo que se mete num comboio, para um sítio que ele não sabe onde é, mas para onde quer ir enquanto tem oportunidade para o fazer e enquanto essas “portas” não se fecham.

#9 Flight 1827
Um dos números habituais no voo que liga a ilha Terceira nos Açores a Lisboa é o 1827 e foi precisamente esse o número do voo que apanhei quando vim para cá.
Esta música foi escrita poucos dias antes de vir para Lisboa, com um sentimento de saudade, antes de partir. Quando sabes que te vais embora mas parte de ti vai ficar atrás e já começas a fazer “contas de cabeça” e a imaginar como vai ser…

#10 Empty Rooms
Eu cresci numa família grande, alegre e barulhenta.
Foi isso o que mais estranhei quando cheguei a Lisboa ao meu apartamento, aquela falta de ruído. Esta é uma canção que fala sobre deparares-te com uma casa cheia de quartos vazios…

#11 Home
Todos os temas deste álbum são muito pessoais liricamente, mas este é talvez o que tenha a maior carga emocional implementada.
Fala sobre o que significa ser açoreano na sua génese e não poder ter o mar, o verde, a família e os amigos ao pé quando mais é preciso.
Foi escrito num daqueles dias em que a saudade de casa aperta e acho que é a canção mais honesta e directa do disco.

#12 Start Again
É o tema que fecha o álbum, e no qual pudemos contar com a presença da mítica Elkie Brooks.
Sempre tivemos a ideia de ter uma voz feminina em dueto nesta música, só que nunca nos atreveriamos a sonhar tão alto. Mas o nosso manager enviou a canção à Elkie, com quem trabalhou cerca de 5 ou 6 anos enquanto Tour Manager e para nossa surpresa ela gostou. Foi então que gravou a sua parte no seu estúdio em londres e mandou-nos as vozes para o Rui David misturar. Foi surreal e ainda nos custa a acreditar.
A letra fala sobre a parte boa que existe no fim de tudo, que é o poder começar algo novo e fresco do zero.

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