Snow White and the Huntsman

A segunda adaptação do ano do conto de Branca de Neve mostra-nos uma história mais dura e sombria do que provavelmente nos lembrávamos de versões anteriores. Acaba por estar um pouco para a história tradicional como Alice in Wonderland de Tim Burton esteve para o conto a que associamos Alice, algo que pode ser explicado pelo produtor Joe Roth, comum aos dois filmes.

Não vale a pena entrar em detalhes relativos à história. Charlize Theron é a raínha Ravenna, que não simpatiza muito com a Branca de Neve, interpretada por Kristen Stewart, e quer a todo o custo apoderar-se do coração dela. Para o efeito, Chris Hemsworth, o caçador, é enviado para capturar a princesa em fuga, acabando por (facilmente) ser convencido a apoiar a causa da inimiga da raínha. Pelo meio há monstros, anões, fadas e muito mais, que dificilmente se encaixaria numa história para crianças.

A ideia de tornar este um filme mais sombrio do que, por exemplo, Tarsem Singh fez este ano, mostra-se uma escolha acertada. Os cenários estão muito bem conseguidos, as personagens parecem mais crescidas e certos detalhes, que diferem do original, também acabam por estar muito bem. Tudo isto faz desaparecer a ideia de que estamos a ver mais do mesmo, parecendo mesmo, progressivamente, não se tratar de uma história bem conhecida, mas sim de um original.

A mistura de cenas clássicas, como o episódio com a maçã, com outras imaginadas para este filme é uma ideia que sai bem. Do mesmo modo, o background  dado a cada uma das personagens também é importante para que a história não caia no aborrecimento. É o caso da pequena história dos anões, as motivações do caçador e a forma como William não é uma personagem esquecida, como poderiamos assumir a certa altura. Há uma clara tentativa de não tornar as personagens aborrecidas e vazias.

Ainda que a importância da personagem do caçador seja questionável, pelo menos não é suficiente para ter o nome destacado no título, este está muito bem interpretado por Chris Hemsworth. Esta é, de resto, a única interpretação inteiramente positiva. A raínha de Charlize Theron, ainda que visualmente perfeita, parece estar demasiado exagerada na sua atitude. A actriz parece querer representar o papel de forma demasiado vincada e isso acaba por se tornar negativo a certa altura. Por fim, a personagem principal, que é o maior erro de casting. Não entrando em discussões relativas à beleza da princesa de Kristen Stewart, em comparação com a raínha de Charlize Theron, é inegável que esta não tem qualidade suficiente para suportar uma personagem desta importância. É uma actriz apática e limitada, incapaz de dar credibilidade à protagonista. É perceptível a escolha de Kristen Stewart para o papel principal, mas o custo dessa escolha é uma tremenda perda de qualidade do filme.

Snow White and the Huntsman é, talvez de forma surpreendente, um filme agradável de se ver. Visualmente está muito bom, em termos de história consegue ser diferente do que estamos habituados a ver de Branca de Neve e as personagens foram construídas com algum cuidado, tornando-as mais interessantes. Há uma ou outra cena que não se compreende no filme, podendo-se questionar o que estava Rupert Sanders a pensar, mas o ponto mais negativo prende-se com a escolha de Kristen Stewart para o papel principal. Chris Hemsworth está muito bem, Charlize Theron razoável, mas Stewart, que tinha mais responsabilidade, falha de todo, mostrando uma Branca de Neve aborrecida e pouco credível.

Texto por Sandro Cantante

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