“Estrada de Palha” com The Legendary Tigerman & Rita Redshoes no Auditório Charlot (29/06/2012)

Texto por Henrique Mota Lourenço / Fotos por Miguel Tavares

O Auditório Municipal Charlot voltou a encher, desta feita para receber Estrada de Palha, o western português de Rodrigo Areias e os músicos que deram som ao filme, Paulo Furtado ( The Legendary Tigerman) e Rita Redshoes.

Os cine-concertos não são muito vulgares, antes pelo contrário, como o próprio Paulo Furtado fez questão de afirmar no final da actuação mas, Estrada de Palha revelou-se um tiro certeiro, naquele que é um mercado ligeiramente saturado, em que todos os filmes nos parecem ter o mesmo argumento. Conseguiu ressuscitar o espírito do velho Oeste, e grande parte desse sucesso deve-se sobretudo aos músicos escolhidos para fazer a interpretação musical da obra.

Tanto Legendary Tigerman com os seus toques de blues e guitarra encharcada de delay e reverb e Rita com a sua voz melodiosa e influências folk foram peças chave neste filme. Em palco podíamos ver também instrumentos pouco comuns, como o marxofone e o violin uke com timbres peculiares, que nos faziam remontar à época do filme, e aumentavam o suspense nas cenas menos previsíveis, como é o caso do duelo que opõe as personagens de Vítor Correia e Nuno Melo.

O filme situa-se no período de tempo que antecede a instauração da República e retrata-nos na perfeição as injustiças dos pastores face à autoridade real. Vítor Correia, que interpreta a personagem de Alberto, o pastor que procura recuperar o seu rebanho e vingar a morte do seu irmão, tem uma prestação sublime ao longo de todo o filme. A fotografia e cenários são algo de maravilhoso, que juntamente com a música de fundo, nos colam à tela.
Ao longo da acção vão aparecendo também excertos da obra de Henry David Thoreau, Desobediência Civil , obra que Alberto se encontra a traduzir. Excertos estes que vão complementando as imagens, e nos explicam um pouco melhor a motivação do pastor para fugir à justiça.

Já no final, Rita e Paulo desceram do palco e conversaram um pouco sobre este filme. Apesar da ausência do realizador, que se encontra na República Checa, os músicos responderam a todas as questões colocadas, que incidiram sobre os nomes dos instrumentos e o processo de gravação da banda sonora. É de destacar sobretudo, a intervenção de Paulo Furtado, acerca da justiça actual e a sua comparação aos tempos da monarquia.

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