Entrevista aos Savanna

(Entrevista respondida por Miguel Vilhena)

Com “Aurora“, EP de estreia desta banda que se divide entre Lisboa e Viseu, editado em Abril deste ano pela pontiaq, os Savanna começam a desbravar trilhos pouco habituais dentro do espectro da música nacional. Agora, enquanto apresentam os temas deste primeiro trabalho ao vivo, estão já com os olhos posto na gravação do primeiro longa-duração, no entanto, ainda antes disso, a banda vai estar no próximo dia 14 em Alcochete, no Festival Live. Love., e posteriormente, no Milhões de Festa em Barcelos.

1. Os Savanna são constituídos por quatro elementos. As questões “quem são? De onde vieram e para onde vão?”, podem ser uma constante nas pessoas lá em casa. Falem-nos um bocadinho de como tudo nasceu.
Eu, o Pedro e o Tiago somos de Viseu, o Jimi é de Lisboa e todos temos backgrounds diferentes na música. Eu cresci a ouvir Punk Rock e Hardcore e tive uma data de bandas dentro destes géneros enquanto em paralelo experimentava texturas diferentes, nomeadamente na musica electrónica. O Jimi é o nosso metalhead, já tocou em 50.000 bandas e já furou os tímpanos a 200.000 pessoas. O Pedro toca piano desde puto mas nunca se tinha envolvido numa banda “a sério”. O Tiago aprendeu a tocar baixo ontem antes de ir para a cama, e já toca melhor que eu.

É difícil adivinhar o futuro de uma banda tão recente, estamos ainda a dar os primeiros passos e a tentar entender qual a reacção das pessoas quanto ao nosso som, mas podemos garantir-vos que estamos cheios de pica e queremos tocar muito.

2. Quais são as vossas expectativas para o vosso primeiro registo, de seu nome “Aurora“, e que foi editado pela pontiaq?
Como te disse, é difícil adivinhar o futuro de uma banda tão recente e ainda por cima com uma sonoridade tão diferente do que se tem ouvido. Obviamente que espero que o público adira ao nosso trabalho e que Savanna tenha o melhor percurso possível. Entretanto, para poder adivinhar melhor o nosso futuro temos que tocar muito e expor ao máximo a nossa música.

3. Aurora tem um conceito subjacente muito forte, uma espécie de viagem tumultuosa. Podem aprofundar mais o que desencadeou e o que está por de trás deste registo?
Nós quisemos construir um disco que funcionasse como um todo, que cada música fosse como um capítulo de um livro. “Aurora” descreve um percurso entre a vida e a morte e este percurso tanto faz sentido na medida de uma vida humana, como de uma civilização ou mesmo do universo. Mas o percurso, esse, é transversal a todas as interpretações.

4. Para quem não ouviu a vossa música, pode-se desde já dizer que é bastante diferente do que se tem feito por cá. Nota-se muita influência psicadélica dos anos 60, entre muitas outras. Foi um caminho que foi surgindo à medida que iam compondo ou foi algo pensado e devidamente estruturado?
Eu andava há algum tempo com vontade de gravar um disco de “rock espacial”, as influências do rock progressivo são inegáveis, e como apaixonado pelo cinema queria impregnar este trabalho de ambientes quase visuais . Falei com o Pedro para criar este projecto comigo e inicialmente a ideia era a banda ser só eu e ele. A ideia era que Savanna fosse suficientemente simples de forma a podermos tocar ao vivo só com dois elementos. No início era menos complexo e as músicas eram mais hipnóticas e tinham menos elementos rock. Tudo isto mudou por não nos conseguirmos conter.

Por isso penso que há uma base que claramente foi estruturada, um corpo que foi esculpido com uma imagem em mente, mas que a determinado ponto ganhou personalidade e vida própria.

5. Outra característica no vosso som é que tem um grau, q.b., dançável e alguma da textura electrónica. Foi devido a estas características que optaram por gravar nos estúdios DISCOTEXAS, bem como ter Moullinex como produtor?
Não creio que Savanna seja “música de dança”, quando muito dá para “gingar” um bocadinho. Houve várias razões para optar pelo trabalho do Moullinex, em primeiro lugar porque somos amigos de longa data, já tocámos em bandas juntos e sempre nos demos bem musicalmente; Ele tem uma colecção de sintetizadores invejável que dá mesmo vontade de lhes pôr as mãos em cima; lembrei-me que a perspectiva de alguém que produz musica electrónica de um género diferente do nosso poderia acrescentar algo de positivo ao trabalho de Savanna. Acima de tudo escolhemos o Luís por o trabalho dele ser de inquestionável qualidade.

6. Da Chick dá a voz no vosso single de estreia, “Run“, fusão essa que funciona muito bem. Como surgiu essa ideia?
A Run fala sobre a infância, como tal, o que tínhamos em mente era que fossem crianças a interpretar este tema. Ligámos para escolas e infantários e todos eles pediam que contactássemos os pais das crianças para pedir autorização, mas como não podíamos perder mais tempo em estúdio decidimos descartar esta hipótese. A Da Chick andava a gravar o EP dela com o Moullinex e calhou aparecer no estúdio nesse dia, pedimos-lhe que experimentasse cantar a linha de voz que tínhamos para as crianças de forma “childish”. Ficámos super contentes com o resultado e o que era um problema converteu-se numa boa coincidência.

7. Maio foi o Mês para se apresentarem ao vivo. Como correu?
Começar a tocar ao vivo é sempre óptimo. Passamos do racional para o emocional, com tudo o que pomos em palco e com o que recebemos do público.
O racional só volta a entrar na equação no que toca a decifrar o que podemos mudar, melhorar ou transformar.

A apresentação na Pensão Amor teve excelente ambiente, e o espaço conjugou bem o nosso lado cinematográfico com a “temperatura” acolhedora que gostaríamos que o nosso 1º concerto tivesse. Entretanto já estamos no início de Julho e estamos super satisfeitos com estes dois meses de concertos, apesar de termos ainda uma data de ideias a acrescentar, já que gostamos que de concerto para concerto hajam novas surpresas e texturas para oferecer.

8. Têm em vista mais alguns concertos ou mesmo uma tour?
Nós queremos tocar o maior número de vezes que pudermos. Queremos também dar a conhecer Savanna fora de Portugal e estamos a trabalhar nesse sentido. Para já a ideia é percorrer o país.

Vamos estar no Milhões de Festa e estamos ansiosos por inalar “vapores festivaleiros” pela primeira vez com Savanna. Acho que isso dá força a qualquer banda e permite-nos dar ao público experiências que para já até nós desconhecemos.
É uma primeira vez para os dois lados do palco.

Depois disso esperamos levar Savanna por um caminho maduro e fazer crescer o nosso trabalho. Um pouco à semelhança da história de percurso de vida que nos conta o EP.

9. Já pensam em objectivos futuros ou agora estão apenas concentrados em mostrar o vosso trabalho ao vivo?
É muito importante para nós promover bem este primeiro trabalho. Isto não invalida que estejamos a preparar novos objectivos e posso adiantar que em breve estaremos novamente em estúdio para gravar o nosso primeiro álbum.

Tanto no resultado final de músicas, como no processo criativo temos encontrado caminhos que apenas se revelaram mais sólidos, mas também alternativas que nos trazem aquele fascínio pelo desconhecido e nos levam à aventura.

Temos mais umas cartas na manga, como o videoclip que está para sair e mais umas surpresas que para já são segredo.

10. Querem deixar algum comentário ou mensagem para quem vos estiver a ler?
Não se droguem! Guardem-se para o Milhões!

Aurora” está disponível na íntegra para audição no bandcamp da banda.

Entrevista por Emanuel Henriques

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