Entrevista aos Red Fang

(Entrevista respondida por Aaron Beam, baixista e vocalista da banda)

Estrearam-se em solo nacional aquando da passagem da digressão do último disco dos Mastodon pelo nosso país no início deste ano, na qual foram a banda de suporte. Agora, poucos meses volvidos, os Red Fang visitam-nos de novo, à semelhança do que os Mastodon de resto também já fizeram, depois de cá terem estado em Maio no Festival Rock In Rio. No entanto, esta banda norte-americana vai parar num festival mais a norte, em Barcelos, para o Milhões de Festa, onde toca no dia 22 de Julho. Se me perguntarem, eu acho que saíram a ganhar.

1. Estiveram recentemente em digressão como cabeças de cartaz pela Europa, onde foram acompanhados pelos Black Tusk, como é que correram essas datas?
Foram fantásticas! O público foi incrivelmente entusiasta e apoiou-nos imenso, esgotámos praticamente todos os concertos.

2. Sentiram alguma pressão adicional por a maior parte das atenções estarem voltadas para vocês, ou pelo contrário, é exactamente o oposto? Quais são as principais diferenças entre estes dois aspectos de andar em digressão?
Há mais pressão, no sentido em que nos sentimos de certa forma responsáveis para com as outras bandas que também vão tocar (neste caso, quase sempre apenas os Black Tusk) se não houver muitas pessoas a aparecer para os espectáculos. Mas os concertos são usualmente mais fáceis porque a maior parte do público que aparece está familiarizado connosco e a nossa música e, por isso, respondem de uma forma mais visceral. Quando estamos em digressão como suporte a uma banda como os Mastodon, por exemplo, talvez existam no público 100 pessoas que nos conhecem, mas 900 que nunca ouviram falar de nós antes e que nos estão a avaliar de uma maneira mais atenta. Mas também temos confiança na nossa habilidade de conquistar o público, por isso, de certa forma há menos pressão porque as pessoas não esperam nada de nós, e se nos portarmos razoavelmente bem, normalmente conseguimos impressioná-las.

3. Anteriormente a esta digressão tinham estado também na Europa, mas com os Mastodon, onde inclusivamente passaram por Portugal. O que é que recordam dessa passagem pelo nosso país?
Lembro-me de como a cidade é bonita (pelo menos a parte que vimos), do quão boa era a comida que nos prepararam e de como o público foi simpático connosco. Tivemos até pessoas que esperaram por nós fora da sala para nos pedirem autógrafos, o que foi bastante excitante. É realmente uma cidade bonita e a maior parte das pessoas nos Estados Unidos não viajam até lá por alguma razão que não sei.

4. E como é que foi andar em digressão com os Mastodon?
Foi excelente em todos os aspectos. Eles são óptimas pessoas e, obviamente, uma grande banda. O álbum mais recente deles [The Hunter] é provavelmente aquele que é mais similar com a nossa música, por isso foi um timing perfeito para isto. Tomaram muito bem conta de nós e foi imensamente divertido tocar para públicos tão numerosos.

5. O “Murder the Mountains” já foi editado há mais de um ano e, desde então, têm andado a apresentá-lo ao vivo exaustivamente. Sentem já a necessidade de tocar temas novos, ou estes temas em particular ainda não ‘esgotaram’ o seu tempo de vida, por assim dizer?
Sentimos que ainda há muita gente que nos conheceu recentemente e que ainda não teve a oportunidade de ouvir estas músicas ao vivo, e nós conhecemo-las tão bem que estamos bastante confiantes em tocá-las. A maior parte das vezes é necessário um bom espaço de tempo para conseguirmos meter novas músicas num set ao vivo. Temos esperança em ter alguns temas novos prontos de forma a estreá-los na nossa próxima digressão nos Estados Unidos, no Outono. O nosso calendário de digressões tem sido tão caótico que nos tem dificultado bastante a tarefa de arranjar tempo para conseguirmos encaixar a escrita de novas músicas no pouco tempo que temos livre.

6. Quer dizer que estão já a compor material novo. Como é que conciliam esse trabalho enquanto estão na estrada?
Temos bastantes partes já. Mas é um trabalho imenso tentar perceber onde é que cada uma delas encaixa de forma a criar uma música. Não escrevemos muito rápido e, no passado, antes de alguém saber quem nós éramos, podíamos dar-nos ao luxo de fazer tudo ao nosso próprio ritmo, sendo que equilibrar as digressões com o trabalho de composição não era um problema de todo. Escrevíamos quando escrevíamos e gravávamos quando tínhamos músicas suficientes para um EP, um disco, o que fosse. Agora temos que tentar agendar tempo para compor porque ainda não nos acostumámos a fazer isso enquanto andamos na estrada.

7. Em Julho regressam ao nosso país, para uma actuação no Festival Milhões de Festa. Já vos falaram do festival e do lugar onde acontece? O que é que o público português pode esperar deste concerto?
Tenho que admitir que ainda não sei nada sobre o festival! Sei que Barcelos é na parte norte de Portugal, não muito perto de Lisboa. Tocámos recentemente no Orion Music + More organizado pelos Metallica, com os Baroness, e tenho quase a certeza que eles também vão tocar no Milhões de Festa, certo? Queria muito saber falar a vossa língua, mas sei zero. No entanto li um livro chamado Faster Than the Speed of Light, do cosmologista João Magueijo, mas em inglês, claro.

8. Têm igualmente programadas passagens por alguns dos maiores festivais europeus, como, por exemplo, o Roskilde na Dinamarca e o Wacken Open Air na Alemanha, como é que se sentem por terem a oportunidade de estarem presentes nestes eventos?
Estamos tão entusiasmados por podermos lá ir tocar! Estivemos no Hellfest em 2011 antes de as pessoas saberem realmente quem nós éramos e foi tão impressionante e surpreendente. Todos com quem falei que já tocaram nos Roskilde ou Wacken nos dizem que a experiência é inesquecível. Acho que é extra especial para nós porque não somos nenhumas spring chickens, todos temos tocado em bandas rock durante os últimos 20 anos e estamos agora a chegar a um ponto em que as pessoas nos querem marcar concertos em festivais destes, é um bocado esmagador. Se nos tivesses perguntado há dois anos se pensaríamos alguma vez tocar em Roskilde, não há forma alguma de que a resposta fosse positiva. Para nós é mais uma lembrança que nunca devemos desistir de fazer aquilo que gostamos.

9. Querem deixar uma última mensagem aos vossos fãs em Portugal?
Por favor perdoem-me quando fizer um horrível trabalho a tentar pronunciar a vossa linguagem! Para além disso, se nos conseguirem arranjar uma garrafa de molho piri piri, agradecíamos imenso!

Entrevista por Hugo Rodrigues

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