Entrevista aos Salto

Os Salto, dupla constituída por Guilherme Tomé Ribeiro e Luis Montenegro, editaram o seu disco de estreia, homónimo, no passado dia 2 de Julho. Produzido por New Max, o disco é composto por canções em português, simples e directas, com melodias que nos agarram à primeira. Amanhã, dia 5 de Julho, trocadilhos aparte, a banda dá o salto até ao palco principal do Festival Super Bock Super Rock, uma surpresa de última hora no cartaz, mas que ainda lhe acrescenta mais qualidade.

1. O que é que vos levou a escolher um título homónimo para o álbum? Foi por falta de mais opções, ou tem outra justificação?
Falta de opções…tentámos de tudo mas nada colava… naaa! Achamos que é realmente o melhor nome para primeiro álbum. Aliás, nunca esteve em dúvida, foi sempre consensual para os dois. É um álbum que foi construído em momentos diferentes, onde tens músicas construídas há meses e músicas construídas há 3 anos. Tudo isso dá exactamente Salto. Foi um tempo de crescimento como banda em que muito mudou. Desde a maneira como tocamos ao vivo como a maneira como produzimos e construímos as músicas.

2. O que diriam para convencer os leitores do Arte-Factos que não vos conhecem e estão reticentes em relação a comprar o vosso disco?
Não estejam. O álbum não magoa ninguém.  Só se o atirarem com muita força à cabeça de alguém…mas isso não aconselhamos a fazer. O disco é fresco e passa por várias referências. Achamos que pode ser uma viagem muito interessante e variada feita de canções e momentos que remetem para muitas ambiências e “paisagens sonoras”. É um álbum de muitas cores.

3. Têm alguma música preferida? Ou gostam de todas de igual modo?
Essa é difícil. É como perguntar se gostamos mais do pai ou da mãe. Todas as músicas foram feitas com a mesma intensidade mas com sentimentos diferentes.

4. Demoraram cerca de ano e meio a preparar este álbum, acham que isto se deve ao facto de serem perfeccionistas ou de terem muito tempo disponível para este processo?
Deve-se principalmente ao facto do início das gravações coincidir com a conclusão da nossa licenciatura em Produção e Tecnologias da Música. Isto obrigou-nos a saber gerir bem o tempo e a não podermos estar todos os dias a trabalhar para o álbum. É claro que mais no final das gravações fizemos ambas ao mesmo tempo. Tínhamos decidido que não íamos fazer o álbum à pressa, que tínhamos tempo para o produzir. Além disso, ainda tínhamos muitas músicas para compor. Já tínhamos músicas suficientes para fazer o álbum mas sentíamos que ainda havia mais a dizer.

Quanto ao perfeccionismo, ele existe sempre. Não como a busca do perfeito mas como busca do melhor que conseguimos dar. Este tempo todo ajudou-nos muito a dar o melhor e a conseguirmos chegar a resultados que precisam de tempo e de maturidade para serem atingidos.

5. Como foi trabalhar com o New Max e como é que surgiu o primeiro contacto com ele?
Foi do melhor que nos aconteceu nestes últimos tempos! Olhando para trás ficamos com  a certeza que este álbum tinha mesmo que ser feito com ele. Foi um produtor enorme, que se envolveu e se entregou a esta produção com tudo. Aprendemos e crescemos muito. As músicas ganharam muito e tornaram-se mais eficazes, mais do que um produtor foi um grande amigo e contribuiu imenso para estes longos meses de trabalho correrem tão bem.

6. Os  Pet Shop Boys, os New Order e o James Blake são de certo modo referências para os Salto, acham que isso transparece neste vosso trabalho?  Ou no processo de composição tentam manter-se cem por cento livres de influências , para não caírem em comparações?
As influências são a melhor coisa que existe e são, para nós, naturais e óbvias. Para fazermos música torna-se necessário conhecer a de outros e principalmente de quem já o faz há anos e anos. Tens que os ouvir para perceberes melhor o que andas a fazer.

No processo de composição há algumas coisas que saem mais instintivamente mas também há partes em que te debruças sobre álbuns, sobre estilos e sobre músicas em particular, não para copiares mas para perceberes como funciona o todo e o que é que está a contribuir para o tema. Como produtores é uma parte que sempre nos ensinaram a trabalhar e a explorar e gostamos realmente de o fazer.

7. Têm uma música deste disco, a “Por Ti Demais“, como tema de abertura de um programa televisivo, acham que as bandas devem apostar nesse tipo de publicidade? Por exemplo, cediam uma música vossa para ser utilizada numa telenovela?
A televisão é claramente um veículo de promoção muito grande onde chegas a muita gente que normalmente não chegarias. Isso é claramente um factor a ter em conta pois fazemos a música para ser ouvida pelo maior número de pessoas possível.

Tivemos a oportunidade de ter a Por Ti Demais como genérico de um programa musical, o Planeta Música, o que se enquadra perfeitamente. É um programa de música nova feita em Portugal que é exatamente o nosso caso.

O caso de uma telenovela, ou outro tipo de programa, é diferente mas é possível na mesma. Tem que se perceber muito bem qual o contexto em que a música aparece e qual a mensagem a que vai estar associado. Aí percebes se concordas ou não. O meio televisivo não é bom ou mau, as circunstâncias às quais  apareces ligado é que poderão ser e por isso tens que julgar caso a caso.

8. Ainda fazem abordagens a músicas de outros artistas nos vossos concertos ou estão apenas focados nos vossos temas?
Nestes primeiros concertos estamos mais focados em mostrar as músicas que estão no álbum, mas até o termos lançado, fazermos versões de outros artistas fazia parte do nosso espectáculo e era uma parte que nos dava imenso prazer em explorar. Resumindo: deixem vir aí mais uns concertos e verão o que é que acontece.

9. Por falar em concertos, têm muitos planos para este verão? Já há datas confirmadas, ou continuam no segredo dos Deuses?
Continua tudo no segredo dos Deuses! Mas vamos andar por aí no Verão! Para já é o palco principal do Super Bock Super Rock no dia 5! Mas mantenham-se informados! Temos sempre tudo actualizado no nosso site e, claro, no facebook.

Entrevista por Henrique Mota Lourenço

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