La Délicatesse

O cinema francês tem sido ultimamente a nível europeu, a par do britânico, o que mais perto chega ao nível de popularidade mundial que tem Hollywood. Depois de The Artist ser premiado pela academia com o Óscar de melhor filme, parece que há um crescente número de filmes franceses a entrar num circuito mais comercial. É bem sabido que quantidade não é qualidade mas, neste caso, mesmo que não fosse pelo boost dado pelo filme de Michel Hazanavicius, seria pela presença da actriz Audrey Tautou que La Délicatesse chegaria a um grande número de cinemas por todo o mundo.

Nathalie (Tautou) é uma bela mulher, que conhece François, um homem que a aborda num café. Mais tarde casam e aquela que parecia ser a história de amor eterno é quebrada pela morte de François. Numa tentativa de ultrapassar a morte do marido, esta tenta-se desfazer de tudo o que a lembre dele, como objectos pessoais ou pessoas que não falam de outra coisa. Um dia, de forma inesperada e pouco previsível, conhece Markus Lundl, um colega de trabalho, e inicia-se uma nova história, um novo futuro para a personagem de Nathalie.

A história é tremendamente aborrecida. É possível que haja um público-alvo para este tipo de filmes, que seguem uma mulher na sua vida, sem que nada de realmente interessante aconteça ao longo de pouco mais de hora e meia, mas não é muito numeroso. Nathalie conhece um homem, casa-se, ele morre, conhece outro homem, pseudo-apaixona-se e a vida continua. Por melhores que possam ser as personagens, e não são assim tão boas, esta é a receita para um filme chato, que vai ter como espectadores casais onde 50% das pessoas só lá vai estar para talvez ter sorte mais tarde nessa noite.

Audrey Tautou dá o corpo a uma personagem algo vazia e confusa, que dificilmente será compreendida pelo mais brilhante dos psicólogos. Markus é a típica personagem de um homem feio, que tem a sorte de uma vida em ter uma mulher bonita interessada nele. Charles é a outra personagem com alguma importância, mas inconsequente. Parece que passa o filme a tentar fazer alguma coisa, mas no fundo, não chega a fazer nada. De resto, há todo um leque de personagens que vai e vem, sem que alguém se vá lembrar de nomes ou caras por muito tempo.

É possível encontrar um ou outro foco de interesse em La Délicatesse. A personagem principal, que está bem interpretada, dentro do possível ou um ou outro momento cómico, especialmente pela mão de François Damiens na pele de Markus, outra persoangem que podia também estar muito melhor. Ainda assim, a avaliação geral é negativa. É uma pequena história inicial e outra maior que ocupa o resto do filme, sem que nenhuma seja particularmente interessante. É esta uma das consequências dos filmes chegarem ao circuito comercial por nomes de actores ou bom historial.

Texto por Sandro Cantante

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