The Amazing Spider-Man

Passaram dez anos desde que Sam Raimi adaptou um dos super-heróis mais adorados por todo o mundo ao cinema. O homem-aranha de Tobey Maguire parecia credível e a série durou até 2007. Agora, cinco anos depois, surge o resultado de um algo contestável reboot nos filmes do famoso aracnídeo. Marc Webb (e que nome indicado, não?) agarrou na série, Andrew Garfield é o novo Peter Parker e voltamos à genese do super-herói. Pode-se dizer que é um disparate de Marc Webb, mas a verdade é que exactamente o mesmo foi dito a Christopher Nolan quando este decídiu agarrar na série de Batman, depois de inúmeros filmes na década anterior. É a melhor razão para, pelo menos, dar o benefício da dúvida a um novo filme de Spider-Man.

A adaptação de Marc Webb é mais fiel à história inicial da BD do que a de Sam Raimi, com um ou outro detalhe diferente. Voltamos a ver como é que Peter Parker recebe os poderes, a relação com os tios depois dos pais desaparecerem, a forma como lida com os colegas de escola e como conhece Gwen Stacy. Esta última é uma das maiores alterações em relação à outra série de filmes, tomando o lugar de Mary Jane (acabando por ser mais fiel ao original, uma vez que Stacy foi realmente a primeira namorada de Parker). No lugar do vilão está o Dr. Curt Connors, como The Lizard, também um dos primeiros vilões a aparecer na BD.

É interessante a forma como este novo filme tenta seguir melhor os passos da banda-desenhada, mas nem por isso acaba por ser um pouco aborrecido ver pela segunda vez toda esta história. É verdade que personagens como Gwen Stacy e o Dr. Curt Connors são elementos novos e também há uma tentativa de variar certos detalhes, mas não deixam de ser os mesmos eventos que já vimos na BD e que também já foram representados no grande ecrã há dez anos atrás. Por melhor que estes aspectos estejam retratados aqui, e estão quase na totalidade melhores do que no último filme, já sabemos muito bem a história da aranha ou o destino do tio Ben.

As personagens estão bem, mas no caso de Andrew Garfield, parece que está bem demais. O jovem actor dá um óptimo homem-aranha, mas não parece tão bem como Peter Parker. É impossível ver aquela personagem como um nerd credível, tanto a nível de relação com os colegas na escola, como a nível de inteligência. Parker nunca parece estar abaixo dos colegas, nem nunca mostra uma inteligência acima da média (excepto numa ou outra situação). Como Peter Parker, Tobey Maguire passava muito melhor a imagem da personagem, quando não estava debaixo da máscara. Já Emma Stone volta a mostrar que está no caminho certo na sua, ainda breve, carreira. Pouco se pode apontar à jovem actriz na forma como interpretou Gwen Stacy. Muito bem está também Rhys Ifans como o cientista por detrás de The Lizard, dando um vilão credível ao primeiro episódio desta nova série.

É nos pequenos detalhes que este filme supera o primeiro da última série do super-herói, mas também é nos pequenos detalhes que tem os maiores erros. É incompreensível como é que uma produção deste nível tem cortes a meio de cenas ou transições muito mal conseguidas. São situações que se contam pelos dedos de uma mão, mas mesmo assim já são bem mais do que devia. Não fossem estes erros graves, seria um trabalho irrepreensível a nível de realização, com planos muito bem conseguidos, especialmente no que toca ao ponto de vista do herói.

No final, ficamos com a sensação de que estamos perante uma nova série que vai ser capaz de acrescentar muito ao universo de Spider-Man. Ainda que este filme esteja melhor no geral, está a repetir muito daquilo que já vimos no cinema recentemente. Há aspectos novos, mas a maioria são aqueles que já bem conhecemos do filme de Sam Raimi. The Amazing Spider-Man é um filme que dá mais atenção às personagens e a à forma como estas se desenvolvem, com um humor típico da personagem muito bem captado e com menos quantidade, mas igual qualidade, de cenas de acção. Uma óptima adaptação, que peca apenas pela proximidade da última série de filmes e por alguns detalhes que podem muito bem ser corrigidos na, já confirmada, sequela.

Texto por Sandro Cantante

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