Optimus Alive! 2012: antevisão

O Optimus Alive deste ano é talvez o festival português com o cartaz mais rico e consistente deste Verão. Em apenas 3 dias, consegue reunir num único espaço e espalhados por vários palcos os artistas cujo regresso já era há muito ansiado pelos fãs portugueses. E isto não se refere apenas aos óbvios cabeças de cartaz que todos já ouvíamos falar, desde os Radiohead aos The Cure (ou até a grandes estreias como Mumford & Sons). Este ano até o cartaz do palco secundário era digno de um palco principal de um grande festival – e tudo isto ao simpático preço dos festivais portugueses, principalmente quando comparado com outros grandes festivais europeus, quando o preço para as mesmas bandas quase duplica ou triplica! Talvez por isso se bata este ano o recorde de visitantes estrangeiros (mais de 16 mil!), oriundos de mais de 53 países, Portugal incluído, com especial destaque para 7 mil ingleses e 6 mil espanhóis.

Esta é a prova que a indústria da música em Portugal e da organização de eventos continua a crescer. Este é apenas o sexto Optimus Alive, e depois de levar a Algés nomes como Metallica, Nick Cave, Deftones, Coldplay, Pearl Jam, Foo Fighters, Gossip, LCD Soundsystem (e tantos, tantos outros), esta promete ser das mais memoráveis edições do festival lisboeta. E mesmo com cancelamentos como o de Florence + The Machine, que certamente transtornou muita gente, este continua a ser o grande festival português deste ano em termos de cartaz – embora possa perder o espírito festivaleiro pelo seu carácter urbano.

Dia 13 de Julho

A primeira atracção vai para as Dum Dum Girls, logo pela 19 horas no Palco Heineken, e o seu dream pop americano e apaixonado, lembrando Best Coast no bom sentido – esse sentido jovem e adolescente no feminino que nos irá aquecer este primeiro final de tarde, munido de um excelente álbum lançado no final do ano passado, Only in Dreams. Dá também para recordar os anos 90 e ver um pouco de Refused no palco principal e o seu hardcore punk, e cantar depois um pouco em português “Eu durmo com quem eu quero e faço o que me apetece” com a Mel do projecto Miuda, antes de sermos sexy e sabermos com os LMFAO, que certamente vão fazer a festa toda à maneira deles. Todavia, o grande chamariz de sexta-feira é o duo francês de música electrónica: os Justice. Ninguém quererá perder a grande cruz branca que brilhará em Algés a partir da 1h30, e nos trará em formato live todos os grandes sucessos e remixes que construíram o nome desta dupla francesa.

Dia 14 de Julho

Depois de sexta-feira, no Sábado o Alive continua em grande. É certo que o cancelamento dos Florence + The Machine fez uma grande mossa no valor deste dia (pessoalmente, um dos que mais queria rever, porque este Ceremonials ao vivo deve ser algo de epicamente bonito – esperemos que voltem para compensar), e ainda não se sabe quem virá para os substituir, mas não deixa de valer a pena deslocarmo-nos ao Passeio Marítimo de Algés para ver grandes bandas. Para começar, temos um excelente projecto português para aquecer, os We Trust, que tocam no segundo festival urbano da Optimus este Verão, depois da actuação no Primavera Sound. No palco secundário, os The Antlers regressam a Portugal para nos voltarem a deliciar com o seu recente álbum Burst Apart (que resultou num fantástico concerto no Lux, em Novembro).

Ainda assim, este dia tem dois nomes de peso no palco principal, totalmente imperdíveis aos que lá se deslocarão. Primeiramente, o folk rock dos Mumford & Sons estreia-se finalmente em Portugal, trazendo consigo o aclamado álbum de estreia, Sigh No More. Considerados das melhores bandas britânicas ao vivo, e acompanhados de enorme talento e grandiosas músicas, será certamente um dos concertos de todo o festival, ainda que Marcus Mumford tenha partido a mão e não possa contribuir tanto no espectáculo. Mas são sem dúvida os grandes The Cure que atraem os festivaleiros a Algés no Sábado, para revivermos juntos os anos 80 e admirarmos ao vivo o grande Robert Smith. Mais de 30 milhões de álbuns vendidos, e das bandas de rock alternativo mais influentes e com mais sucesso em toda a história da música, este é um concerto obrigatório deste Verão a todos os que se dizem fãs de boa música.

Dia 15 de Julho

Este é o grande dia do Optimus Alive; o que, sozinho, faz praticamente o festival inteiro (se é que isto se pode dizer sem desvalorizar dois dias anteriores também tão grandes). Este é o dia que ter Radiohead nos cabeças de cartaz nos faz sorrir de alegria e não conseguir esperar até Domingo, mas é também aquele dia que apenas o palco dito secundário parece o palco principal de um grande festival europeu! Este dia tem apenas um grande lado mau: o de não saber o que se escolher, e de os horários terem de ser seguidos ao minuto para que se consiga ver tudo o que se quer e que vale a pena – ou seja, tudo.

Primeiro é de notar a riqueza em talento nacional que se reúne neste dia. No palco Clubbing teremos Laia, os fantásticos nortenhos Best Youth, a deliciosa e adorável música da Márcia, e claro, B Fachada, sem esquecer os PAUS a abrir o palco Optimus no último dia com a sua enérgica bateria siamesa que nunca, jamais, desilude. Sem dúvida que a melhor maneira de começar este enorme Domingo é com bom talento nacional. Ainda assim valerá a pena deslocarmo-nos para o Palco Heineken às 19h15, já que a pop do quarteto feminino Warpaint tem toda uma personalidade e singularidade própria que merece a nossa atenção, com letras cuidadas e guitarradas doces e talentosas.

De seguida, é o Palco Optimus que volta a ganhar destaque, e promete uma noite memorável. O canadiano Caribou aquecer-nos-á com um passinho de dança bem agradável, sem esquecer excelentes faixas como “Odessa”, “Kaili” ou “Sun”, cujo electropop psicadélico nos prenderá desde cedo ao palco principal… até avistarmos os ansiados músicos deste Verão: quando o spotlight avistar Thom Yorke e restante banda, então sorriremos para ouvirmos, tantos anos depois, Radiohead ao vivo em Portugal. A organização teve a excelente ideia de suspender os concertos nos restantes palcos, para que todas as atenções se virem para os britânicos, ou não fossem eles uma das bandas fundamentais da música rock das últimas duas décadas, e o grandioso nome deste festival, tão esperado por terras lusas há uns bons anos. Com 8 grandes álbuns na bagagem (King of Limbs editado o ano passado), este promete ser o concerto do festival e, esperemos, recheado de todos os seus grandes sucessos.

Mas a noite não se esgota por este grande concerto que todos ansiamos. Depois de nos despedirmos dos Radiohead, com o coração cheio, ainda poderemos encerrar a noite com a tensão sexual electrificante dos The Kills, seguida por outro dos grandes nomes deste festival, que o encerrará da melhor maneira – são os Metronomy, que depois de uma passagem por Coura o Verão passado, relembram-nos um dos melhores álbuns de 2011, o seu English Riviera, recheado do melhor electropop que nos fará dançar até de madrugada… para depois dizermos adeus a mais uma grande edição do Optimus Alive!

Info Útil: Transporte e Estadia

Sendo o Optimus Alive um festival urbano, normalmente os festivaleiros asseguram a sua estadia algures na cidade – seja em casa própria, ou arranjar alguém amigo que ceda um espacinho durante o fim-de-semana. Mas se não fores de Lisboa e não tiveres onde ficar, podes acampar com tenda própria no Lisboa Camping, um parque de campismo de 4 estrelas (classificação máxima em Portugal), por 16€, entre 13 e 16 de Julho. A ligação ao recinto será assegurada por autocarros grátis, entre as 16h e as 5h da manhã (para os portadores de pulseira de 3 dias e Lisboa Camping).

Todavia, a melhor maneira de chegar ao Optimus Alive é via comboio, aproveitando a proximidade da estação de Algés ao recinto. Se não és portador do bilhete integrado Optimus Alive + CP (Comboios da Linha de Cascais), então a sugestão é assegurar os bilhetes de comboio de ida e volta o quanto antes, para evitar filas e atrasos.

Horários:
ALGÉS-CAIS DO SODRÉ: 2h30, 3h00, 3h30, 4h00 e 4h30
ALGÉS-CASCAIS: 2h30, 3h00, 3h30, 4h00 e 4h30

Será assegurada uma viagem de autocarro grátis de ligação à estação de comboios de Santa Apolónia (para portadores de bilhete Intercidades); será também realizado um comboio especial Intercidades que fará a ligação Lisboa-Porto na madrugada de cada um dos três dias do evento.

Caso prefiras viajar de autocarro, a Renex vai ter autocarros especiais para quem vem do Norte e do Sul. Se vives em Lisboa, a carris dispõe de várias carreiras e eléctricos que te poderão levar mais facilmente ao recinto (desde o eléctrico 15E, e as carreiras 723, 729, 750, 751 e a nocturna 201). De qualquer forma, o metro até o Cais do Sodré para apanhar o comboio é a nossa sugestão.

Para informações adicionais, consulta o site oficial. O cartaz na íntegra está disponível aqui. Fica com um mapa do recinto e… bom festival!

Texto por Mariana Coimbra

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