Le Moine

Dominik Moll é o responsável pela nova adaptação do clássico gótico de Matthew Lewis. Vincent Cassel protagoniza Ambrosio, uma criança deixada à porta de um mosteiro que o acolheu e educou. Não tendo para onde ir, dedicou-se à prática da fé cristã, a única realidade que conhecia. Tornou-se monge. A sua palavra comovia a assembleia reunida na eucaristia. Os seus sermões carismáticos e fervorosos comoviam dezenas e tornavam-no popular. Ambrosio era um exemplo, alguém demasiado perfeito. Alguém a corromper.

A chegada de um novo monge misterioso, Valerio, que usa uma máscara para cobrir o seu rosto desfigurado vai mudar por completo a vida deste padre que sempre viveu para a religião.

Cassel traz a este Monge a intensidade que sempre coloca nos seus papéis. Convicto, irredutível e demasiado crente nas suas crenças, este padre Ambrosio acaba por sucumbir aos intentos do demónio.

O elenco acompanha o monge caído em desgraça enquanto este é impelido por forças diabólicas a sair da sua fé. A partir do primeiro pecado consumado, tudo cai numa espiral de horror e desgraça que o leva a falhar uma e outra vez. O mal que tanto esconjurou persegue-o numa caçada que terá de acabar com a queda de alguém.

A abordagem de Moll é diferente das anteriores. Le Moine é sofisticado e tem o seu quê de intelectual. Ambrosio, enclausurado durante toda uma vida, não consegue entender o mundo e as suas vicissitudes por muito que tente.

O director faz algumas escolhas estranhas ao cortar diferentes momentos da história com iris-swipes (como vemos nos Looney Tunes), mas é o seu carisma que procura a redenção deste monge.

A grande falha deste filme está, no entanto, nas personagens femininas. Valerio, interpretado por Déborah François, que afinal se revela como Valerie, deveria ser mais “fatal”, mais sedutora, no seu papel de súcubo do mal. Mesmo a doce e cândida Antonia (Joséphine Japy), está um pouco aquém do esperado. O seu papel devia ter mais intensidade para se tornar mais credível para o público. No final acabamos por não perceber a importância desta personagem.

Alberto Iglesias brinda-nos com uma música orquestral de elevado nível que condiz perfeitamente com ambiente lúgubre e carregado do filme.

Le Moine é perturbador e intrigante, repleto de suspense. Esta não é uma grande história de amor e paixão, mas uma narrativa que nos remete para as profundezas das crenças de séculos passados, dos seus tabus e dos seus segredos.

Texto por Elisa David 

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