Optimus Alive’12 – 1º dia (13/07/2012)

Texto por Hugo Rodrigues e João Borba

Naquela que terá sido uma das melhores sextas-feiras treze de que há memória para muitos daqueles que passaram ontem pelo recinto do Optimus Alive, ficam na retina alguns bons momentos que não foram apreciados por tantos quanto seria desejável.

Num primeiro dia a meio gás no Passeio Marítimo de Algés o público demorou a afluir e só começou a chegar mais ao final da tarde/noite, fenómeno facilmente explicado por ser o último dia de trabalho da semana e ainda haver responsabilidades a cumprir. No entanto, o recinto nunca pareceu realmente cheio, muito menos em frente ao Palco Optimus, já em contraste, e num ambiente mais controlado e acolhedor, a tenda onde se situava o Palco Heineken teve a sua overdose de pessoas em dois momentos. Mas já lá vamos.

Foi precisamente neste último palco mencionado que começou a nossa demanda musical, com o concerto da banda que ganhou o concurso Oeiras Band Sessions, os The Royal Blasphemy. Infelizmente para eles, o público que se concentrava em massa na frente do palco esperava ansiosamente e só para LMFAO. Nada que atrapalhasse propriamente a actuação da banda, que aproveitou a oportunidade de estar presente num grande festival e, mostrou o seu rock/metal a quem o quis ouvir.

Da mesma síndrome sofreram os The Parkinsons, aqui com algumas nuances. A banda é já veterana nestas andanças e, ainda que não fossem muitos, quando interpelados por Afonso Pinto ao inicio do concerto, “Nós somos os The Parkinsons, lembram-se?”, alguns festivaleiros responderam à chamada e disseram presente.

Nós também nos lembramos, e é com muito agrado que recebemos o retorno desta banda, que mantém intacta a sua energia e irreverência nos espectáculos ao vivo. Com um novo álbum a sair em Setembro, intitulado “Back to life”, foram muitos os temas novos a desfilar por um alinhamento que visitou igualmente o passado dos Parkinsons. Ouviu-se “Angel in the dark”, “New Wave”, que provocou um primeiro tímido mosh pelo público, abrandou-se um bocadinho com “Nothing To Lose” porque, “somos punks mas românticos” e, mais para o final “Bad girl”.

I’m so lonely”, do próximo disco da banda encerrou um concerto suado, onde a banda, incansável, principalmente na figura do seu vocalista Afonso e no guitarrista Victor Torpedo, saltou, correu, dançou e puxou pelo público, dando o primeiro grande momento ao festival.

Danko Jones

Com o término do concerto dos The Parkinsons foi altura de nos movermos até ao Palco Optimus, onde Danko Jones já espalhava a sua magia. Entertainer nato, o vocalista canadiano centra todas as atenções em si, e não tem medo de o assumir. Muito brincalhão, “LMFAOLOL” vem-me assim de repente à mente, sabe conquistar o público como ninguém e, ainda que possa não ser o melhor músico/guitarrista/vocalista de sempre, não se desenrasca nada mal.

I think bad thoughts”, “First date” e “Cadillac” foram alguns dos temas que se ouviram e, a certo momento surge “Lovercall”, música que fala sobre satisfazer uma mulher durante oito horas seguidas, diz-nos Danko, explicando ainda que pode não ser o tipo mais rico do mundo, ou ter tudo a seu favor mas, que tem algo que o diferencia, e mete a língua de fora, numa homenagem que não envergonharia Gene Simmons.

E Danko Jones é isto mesmo, ele pode não ser o melhor, mas estabelecendo um paralelismo com a música, faz-se valer pelo seu carisma e, se é para o fazer, é para o fazer como deve de ser.

Refused

Batia pouco mais que as 19h40 quando os Refused se estrearam em palcos nacionais. A banda de hardcore sueca tem um pouco daquela história da Fénix que renasce das cinzas, mas que volta com um prazo de validade provavelmente curto de mais. A banda que, refere o vocalista Dennis Lyxzén, tinha apenas um moderado número de fãs antes de terminar em 1998, vê-se agora a braços com um retorno de sucesso, acarinhada por muitos que os conheceram já no seu período de inactividade e, ainda mais por aqueles que já os seguiam e nunca tiveram a oportunidade de os poder ver ao vivo, numa relação devota que sobreviveu ao tempo.

Foi isso que se viu ontem, foram precisos 14 anos para se reunirem, mas eles chegaram cá. Envelhecidos de forma graciosa, a mesma revolta e estado de espírito continua presente numa altura em que a Europa se vê mergulhada nas politiquices que todos nós sabemos.

Com o som um pouco baixo ao início, tendo melhorado depois da insistência por parte do público em que se aumentasse o volume (podia lá ser de outra forma), a loucura, a ânsia da espera e, até a emoção (duas raparigas choravam de felicidade do lado oposto onde nos encontrávamos), extravasaram completamente naquela hora de concerto, que atingiu o expoente máximo mais perto do fim, com  “New Noise”.

Enquanto mais uma vez apenas metade dos LMFAO fazia a festa no Palco Heineken com o seu party rocking, não precisam de pedir desculpas rapazes, para uma tenda e arredores completamente povoados de gente a dançar e que não pareciam muito aborrecidos por esse facto, os Snow Patrol tomavam conta do palco principal. Com um novo álbum chamado “Fallen Empires“, um álbum que é bem capaz de ser tão bom como o “Eyes Open” mas que não está a ter tanto airplay como este.

Snow Patrol

Gary Lightbody continua igual a ele próprio: comunicativo e entusiasmado por estar em cima do palco, com uma postura completamente contagiante para qualquer fã e não fã da banda. Quanto ao concerto em si, os Snow Patrol têm tiques de banda grande: são mecânicos sem deixar de ser espontâneos, têm um jogo de luzes e som muito bem feito e um público que se entusiasma a vê-los (se calhar demasiado, com a segunda banda da noite a provocar lágrimas). Em uníssono foram entoados todos os grandes hits dos Snow Patrol, desde “Hands Open”, “Take Back The City”, “Run” e “Chasing Cars”. De destacar a excelente recta final do concerto com “Fallen Empires”, “Open Your Eyes” e “Just Say Yes”. E diga-se que foi mesmo esta sequência que permite dizer que o concerto foi acima da média. Gary Lig…perdão, os Snow Patrol voltam a cumprir a sua obrigação em solo português, e pelo que parece, até têm uma bastante razoável base de fãs por aqui. Pena não terem tocado algumas músicas importantes, e que teriam dado outra magia ao concerto (estranhamente, “New York” e “Set The Fire To The Third Bar” ficaram fora de setlist).

No Palco Heineken, o alinhamento impunha dança, com a chegada de Santigold, que tal como os LMFAO se fez valer de alguns adereços de palco que deram mais cor à festa e, logo de seguida, os nacionais Buraka Som Sistema, que não só celebraram o “Komba” com o público, como revisitaram alguns temas mais antigos. Como não podia deixar de ser, não ficaram de fora singles e êxitos como “Hangover” e “We Stay Up All Night” deste mais recente trabalho, ou “Kalemba”, do “Black Diamond”, partilhados com o público que encheu mais uma vez a tenda onde se situa este palco, num claro sinal de reconhecimento à carreira que os Buraka conseguiram construir e manter.

Talvez a maior desilusão da noite nos chegue com os The Stone Roses. Talvez não, a maior desilusão. Tudo bem, são os The Stone Roses, são uma das bandas mais míticas de sempre, e deixaram um legado do tamanho da Grã–Bretanha. Mas vamos lá ver, há que ter olhos para ver o que se passou ontem. Completamente enferrujados, demoraram a entrar em palco e lá (até a inicial “I Wanna Be Adored” teve direito a alguns pregos) Ian Brown desafinou de vez em quando (mas pelo que se sabe, algo muito normal nele) e o público esteve, em grande parte do tempo, desinteressado e a pedir os grandes sucessos da banda, que demoraram em chegar. No entanto, também houve bons momentos: uma “Waterfall” muito bem conseguida, uma “Fools Gold” que demorou quase 20 minutos e uma “I Am The Ressurrection” a fechar com chave de ouro. Pena que o baú que a chave fechou não tenha muito que recordar lá dentro…

Zola Jesus teve uma passagem mais discreta pelo Palco Heineken. Com o horário do concerto a sobrepor-se a Justice, do outro lado do recinto, não foram muitos os que ficaram para assistir ao concerto da americana que se mostrou bastante feliz por tocar depois da meia-noite, era oficialmente dia sábado dia 14 e não sexta-feira 13. Superstições aparte, a música de Zola deve ser apreciada fora de um contexto de festival, numa sala fechada onde ela possa explanar todo o seu talento.

Justice

Hora de rumar de novo até ao Palco Optimus onde os franceses Justice, que em cima do palco são dois DJ’s a fazer uma banda canónica de rock, sem baixos, sem guitarras e sem baterias em formato físico, usam os sintetizadores para as pretensões rockeiras, com claras influências de french house da última vaga do século XX.

O concerto não deu tempo para respirar durante pouco menos de uma hora (um pouco curto, diga-se), desde “Genesis” e “Phantom Pt. 1” que assentarem o terreno para as robustas “Civilization” e “Horsepower” (fantástica!), até ao êxtase de “D.A.N.C.E” e o novo single “Newlands”. “Waters of Nazareth” e a brilhante “Audio, Video, Disco” fecharam por momentos, enquanto o público cantava entusiasticamente “We Are Your Friends”, que é um dos muitos samples que os Justice gostam de usar nas entrelinhas dos seus live mixes. O encore ainda trouxe uma a segunda parte de “Phantom” e uma “Parade” a fechar as hostes sem baixar o nível. A verdadeira questão é: “porque demoraram estes senhores 6 anos a voltar a Portugal?”.

No final da noite e tudo somado, nada mau para um suposto dia de azar.

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