Optimus Alive’12 – 2º dia (14/07/2012)

Texto por Hugo Rodrigues

Com o fim-de-semana oficialmente instituído, a corrida até ao Passeio Marítimo de Algés foi desde logo mais concorrida, beneficiando as bandas que tocavam mais cedo e começavam a entreter os festivaleiros neste segundo dia de Optimus Alive.

Com um aglomerado bastante interessante de público já junto ao Palco Heineken, fosse em busca de uma sombra ou mesmo para desfrutar dos concertos, os Big Deal subiram ao palco munidos de apenas duas guitarras para apresentar as músicas do disco “Lights Out”, editado o ano passado, com destaque para o single “Chair”, o segundo tema oferecido ao público.

Quem também beneficiou e muito da maior presença de público foi André Tentugal e os seus We Trust, agora com uma secção de sopros para ajudar à festa. A ideia é boa e ajuda alguns dos temas de “These New Countries” a sair do marasmo em que por vezes caíam ao vivo, dando um maior corpo e preenchimento às canções apresentadas. O público respondia bem e foi reagindo aos apelos de Tentugal para dançar, bater palmas e, essencialmente, se divertir. Claro que a maior ovação, como não podia deixar de ser, chega no final com “Time (Better not Stop)”, a música que todos querem ouvir e, que os faz despedirem-se sob os aplausos sentidos dos presentes.

A estreia de Noah And The Whale e Mumford & Sons no nosso país aconteceu neste segundo dia de festival no Palco Optimus, um par bastante feliz de conjugar no mesmo dia, dadas as similares raízes que os unem, os primeiros apresentaram maioritariamente os temas do seu mais recente disco “Last Night On Earth” e começaram de uma forma algo tímida, mas à medida que o concerto foi progredindo a banda de Charlie Fink foi-se soltando e ficando mais à vontade, terminando em grande com o single de apresentação do terceiro trabalho da banda, “L.I.F.E.G.O.E.S.O.N.”. Saldo positivo.

Mumford and Sons

Já os Mumford & Sons eram um dos concertos mais ansiados deste dia, e ao primeiro acorde debitado pela banda, os fãs que ainda não estavam concentrados junto ao palco principal correram para junto dele o mais depressa que puderam. A mão magoada de Marcus Mumford, vocalista da banda, não fez mossa, e ainda que não pudesse tocar guitarra ou bandolim, assegurou alguma percussão na mesma, liderando a sua banda para um excelente concerto. Custa até a crer que estes senhores são ingleses quando, e em vários momentos, parece que estamos num autêntico western americano, a cavalgar por um qualquer deserto texano. Aliás, o pano gigante de fundo onde ostentavam a imagem de quatro cavalos não pode ser coincidência, e o público correspondeu bem ao ritmo imposto, não só nos temas do primeiro e único disco da banda editado até agora, o “Sigh No More” de 2009, como também nas novas músicas que foram tocadas e que farão parte do próximo álbum dos Mumford & Sons, a sair no mês de Setembro.

Aos Morcheeba coube a tarefa ingrata de substituir à última hora os Florence + The Machine, que como todos já sabem não puderam comparecer devido ao adoecimento de Florence Welsh, e talvez tenham sofrido um pouco com isso. Não que tenham defraudado expectativas, ainda para mais com a agora regressada Skye Edwards ao microfone da banda, mas muito do público não estava para aí virado. Ainda assim, assinaram um concerto competente (são já muitos anos de música), sem grandes rasgos de intensidade mas dando o seu melhor, e quando assim é, não se pode exigir muito mais.

Tricky

O regresso ao Palco Heineken faz-se antes de Tricky começar o seu concerto, mais uma das confirmações no cartaz que sofreu um revés com a ausência de Martina Topley-Bird, que iria em conjunto com o artista, interpretar na íntegra o disco “Maxinquaye” de 1995.

Sem se saber muito bem o que esperar devido a esta situação, foram ainda bastantes as pessoas que se reuniram na tenda onde está situado este palco para assistir aquele que, foi até agora o melhor concerto do festival.

A entrada em palco faz-se ao som de “Feeling Good”, de Nina Simone, e nas sombras vive o músico que raramente espreita o protagonismo para si durante todo o concerto, mas que falha nisso miseravelmente devido à sua figura incontornável, é contraditório, mas há algo de hipnotizante em Tricky que nos atrai até ele, de todas as vezes. E é contraditório porque a banda sustenta praticamente todo o espectáculo, os músicos que o acompanham ao vivo são incríveis e, a vocalista que faz as vezes de Martina não lhe fica nada atrás, de todo.

Poderia até dizer que o músico tirava um às da manga, isto é, caso ele as tivesse, quando arranca uma versão de “Ace Of Spades”, original dos Motörhead, para um daqueles momentos inesquecíveis, com o público em palco a convite de Tricky. Façanha que se repetiu no último tema do concerto, em mais um momento épico prolongado por mais de 10 minutos certamente. Levantado em braços, para um crowdsurf em cima do palco com a ajuda do público, esta elevação foi um reconhecimento mais que merecido.

Nunca saberemos se com a Martina Topley-Bird seria melhor mas, depois do que testemunhamos, convivemos bastante bem com essa dúvida.

Com os grandes cabeças de cartaz do dia, os The Cure, a começar logo após o final do concerto de Tricky, foi rápida a viagem entre o Palco Heineken e o Palco Optimus, para se ir assistir ao espectáculo da mítica banda de Robert Smith, outra figura incontornável da música.

Não se deixem enganar pelo seu aspecto algo frágil, a banda está em forma e faz inveja a muita boa gente, confesso que inclusive eu, quando em digressão apresenta uma setlist de 3 horas que percorre toda a vasta discografia da banda, para delícia dos fãs. E aqui reside o maior problema (que na verdade nunca o chega a ser) do concerto dos The Cure, quem é fã acérrimo, vai adorar ter 3 horas de música, quem só simpatiza com a banda, vai chegar a meio e começar a falecer.

The Cure

No entanto, é impossível não resistir à banda, à sua simplicidade por vezes, ao brilhozinho no olhar de Robert Smith em cima do palco enquanto toca as suas músicas para um público emocionado com o desfilar de clássicos que se fazem ouvir como “Lovesong“, “Just Like Heaven“, a grande “Friday I’m in Love” recebida em apoteose ou “Boys Don’t Cry“, ouvida já no encore.

São quase 40 anos de carreira condensados em 3 horas, uns acham de mais, outros de menos, mas é inegável que ontem, no Passeio Marítimo de Algés, foi mais uma vez feita história com o regresso de uma das bandas mais marcantes dos últimos muitos anos.

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