Optimus Alive’12: 3º dia (15/07/2012)

Texto por Hugo Rodrigues e João Borba

Esgotado há muito, este último dia do Optimus Alive tinha um foco principal muito particular, o regresso dos Radiohead a Portugal. A banda de Thom Yorke era uma das maiores exigências do público nacional e a Everything Is New fez o favor de aceder ao pedido, não só isso, como enquanto na maior parte do tempo de actuação de Radiohead, mais nada acontecia nos outros palcos, e diga-se maior parte porque a banda esticou-se um bocadinho no seu set, em jeito de bónus para os presentes.

Muito antes disto, o dia começou com os portugueses Laia no Palco Clubbing. A banda que mistura a explosão do pós-rock com os laivos de musicalidade do nosso país, com duas guitarras portuguesas ao centro, apresentou maioritariamente temas do seu novo disco “Sogra”, como por exemplo “Chão” e o single de avanço “Arraial Montado”. No entanto, não deixou cair no esquecimento algumas das músicas do seu primeiro trabalho, com expoente máximo na excelente “Abater”. Visivelmente agradecidos não só pela presença do público como também pela permanência deste, deixaram boas impressões.

Também os Best Youth, a dupla portuense transformada em trio ao vivo e que se apresentou de seguida no mesmo palco causou um impacto positivo em nós, mesmo antes de termos que rumar até ao Palco Optimus, onde os PAUS já tinham iniciado o seu concerto.

PAUS

Num palco enorme, a banda prefere concentrar-se num estrado ao centro, não é o palco que é demasiado grande para eles, são eles que se estão a lixar para isso. Com a mesma dedicação de quem assume a responsabilidade de estar a tocar no palco principal de um grande festival europeu para milhares de pessoas (já não são estreantes também) ou numa cave para 30 amigos, a banda funciona como uma unidade coesa e cresce a partir da bateria siamesa de Joaquim Albergaria e Hélio Morais, com o baixo de Makoto Yagyu e os teclados de Shela à nossa esquerda e direita, respectivamente.

A festa fez-se ao som de músicas como “Mudo e Surdo”, “Malhão” ou “Deixa-me Ser” mais para o inicio e, “Tronco nú” (onde Joaquim Albergaria nos diz “eu sei que por baixo dessas roupas vocês estão nús”) e “Pelo Pulso”, tema que costuma encerrar os concertos da banda com o sing-along habitual entre banda e público.

No vai e vem entre palcos temos ainda a oportunidade de ver as Warpaint a tocar “Composure” e “Undertow”, sem desiludirem mas sem encantar propriamente também, uma emocionada Márcia no Clubbing a apresentar alguns dos temas do seu disco “” e, quando chegamos de novo ao Palco Optimus, são os The Kooks que estão a dar música aos presentes, naquilo que nos soa a algo demasiado genérico, tal como este parágrafo que acabaram de ler.

Com o aproximar da hora do concerto mais esperado da noite, foram muitos os que já se iam aglomerando o mais próximo que conseguiam do palco, de forma a guardar um lugar ao sol, passo o termo com a queda da noite, para poder ver Radiohead. Foi assim o concerto de Caribou, muita gente mas não muito interesse no que se passava em cima do palco. Alheio a isso, Dan Snaith e companhia optaram, tal como os PAUS, em unir-se ao centro do palco, munidos bateria, guitarra e teclas, para além dos sintetizadores manuseados por Dan. O esforço esteve lá, algum público ainda dançou com “Odessa”, mas o espaço começava a ficar demasiado apertado para arriscar algo mais.

Mazzy Star

Aos Mazzy Star coube a ingrata tarefa de ser a banda do palco secundário antes de começar Radiohead. Não só foi uma tarefa ingrata, como foi uma decisão desrespeitosa para com a banda pelo seu historial, reconhecida qualidade e, para com o público devoto que gosta de Hope Sandoval e companhia. Os Mazzy Star entraram mudos e saíram calados (apenas tivemos direito a um tímido “hi” de Hope), tiveram alguns problemas de som inicialmente, e na penúltima música já só estariam cerca de 200 pessoas a assistir.

Para quem realmente gosta daquela delicadeza e suavidade da voz e presença de Hope, sobreposta a um blues velhão do mais alto calibre (sentindo que ao vivo é ainda melhor), só podia ficar até ao fim. Desfilaram alguns êxitos (incluindo as aplaudidas “Halah” e “Fade Into You”), tiveram tempo para momentos mais emotivos (“Still Cold”) e abraçaram as jams (“She Hangs Brightly” e “So Tonight That I Might See”). Pelo meio, tocaram 2 músicas novas, do novo álbum que sairá ainda durante 2012.

Não foi um concerto de abanar o capacete, nem se estava à espera disso. Foi um concerto para apreciar, para sentir. Daí Mazzy Star ser uma peça a mais neste dia, e neste festival. Sim, estavam a mais. Estavam bem numa Aula Magna, num espaço só deles. Bem o mereciam.

Seria difícil mensurar quantas pessoas estavam a ver Radiohead. A decisão da organização de fechar todos os palcos na altura do concerto foi excelente, o que fez com que as atenções estivessem todas centradas em Thom Yorke e companhia. Um regresso mais que aguardado depois de 10 anos de espera.

Os britânicos abriram com “Bloom”, do seu último álbum “The King Of Limbs” e com uma dançável “15 Step”. Os momentos altos só vieram, contudo, logo após a “Separator” (uma das melhores da noite), com a emocionante “Pyramid Song” (fantástica!) e com “I Might Be Wrong” em velocidade cruzeiro. “Nude” e “Exit Music (For a Film)” combinaram na perfeição, “Lotus Flower” foi maravilhosa e acabaram a primeira parte do concerto com uma explosiva “Bodysnatchers”. Obviamente que voltariam para um encore, que englobou uma das obras-primas da música contemporânea: “Paranoid Android”.

Radiohead

Ainda tocaram a “Reckoner” e visitaram “Kid A” pela primeira vez com “Everything In Its Right Place”, antes de fazerem o palco Optimus entrar em ebulição com “Idioteque”.

A banda teve perfeita em termos de execução, mesmo perante tanta complexidade musical. Thom não falha uma única nota a nível vocal, nem o resto da banda cede a nível instrumental. Nas entrelinhas, ainda temos direito a um jogo de luzes e som fenomenal, só ao nível dos melhores. Um sério candidato a concerto do ano.

De seguida, e enquanto “Street Spirit (Fade Out)” dos Radiohead ainda se ouvia ao longe num segundo encore, a electrónica dos SBTRKT, com um tanto de minimalista como de progressivo transformou o Palco Heineken numa autêntica discoteca.

Por momentos, viveu-se mesmo um clima de êxtase perante a música que a banda nos proporcionava. Destaca-se a excelente abertura com “Hold On” (bem mais pesada do que no álbum) e o inesquecível loop de “Right Thing To Do” como os dois melhores momentos do concerto. Um concerto que não deu descanso, e saiu a ganhar com isso.

The Kills

Coube ao carismático duo composto por Jamie Hince (Hotel) e Allison Mosshart (VV), os The Kills, fechar a nossa reportagem do Optimus Alive deste ano, eles que eram uma das grandes atracções da noite.

Se “Midnight Boom” já tinha confirmado a banda como estrelas em ascensão, “Blood Pressures” soube encontrar ainda mais fãs sem perder a visceralidade, garra e sensualidade que lhes é caracterizada.

Abriram com a já distante “No Wow”, mas de forma perfeita. Centraram-se em grande parte nos grandes êxitos do novo álbum (“Heart Is a Beating Drum”, “Future Starts Slow”, “Satellite”, “Baby Says” e “DNA”), que apesar de não ser o seu melhor trabalho, foi muito apreciado pelo público presente no espaço Heineken. No entanto, para os fãs ficaram guardados alguns momentos fantásticos, como a sensual “Kissy Kissy”, que já data de 2003, ou “Tape Song” e “Last Day Of Magic”.

Já perto do final, durante o início da “The Last Goodbye”, Alisson parou a música porque um rapaz teria desmaiado na fila da frente. Perante a sensibilidade de VV, este foi um momento extremamente aplaudido pelo público, o que tornou a música em algo ainda maior do que já é. Nesta segunda tentativa, VV, por momentos, sentiu o mundo a seus pés, com um público completamente rendido, aproveitando para dizer no final da música e completamente emocionada “you guys are fucking amazing!”, enquanto abraçou um Hotel também visivelmente emocionado com o público que os venerava. Um dos momentos mais altos deste festival.

Para o fim, ficou ainda guardaram “Pots and Pans” para improvisar, “Fuck the People” e “Monkey 23” em modo explosão para fechar na perfeição um dos melhores concerto deste Optimus Alive’12.

Em jeito de balanço, claramente positivo, uma das grandes perguntas que o patrocinador principal deste festival colocava em diversos lugares era “O que é que nos liga?”, é verdade que não há uma resposta universal mas, em qualquer festival de verão (e não só) que se preze, há o bom ambiente, a amizade, o amor e, sobretudo a música, transversal a gerações, sexos, crenças, cor ou nacionalidades, e é sempre assim que devia ser.

Até para o ano Alive.

2 responses to “Optimus Alive’12: 3º dia (15/07/2012)

  1. The Kills a fechar o Alive??
    Devem estar a brincar comigo. E Metronomy que deu um concerto BRUTAL?
    Segundo o meu relógio e o horário do Alive, The Kills > Metronomy. Antes de escrever as noticias, revejam as coisas meus senhores. Tenho dito.

    • Olá,

      O teu relógio e o horário do festival estavam e estarão certos ainda, esperamos nós, bem como o texto que diz que os The Kills fecharam o nosso Alive, e não o festival.

      Cumprimentos,
      HR.

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