Magic Mike

Steven Soderbergh decidiu apostar forte ao colocar Channing Tatum à frente de um filme que tinha tudo para correr mal. É certo que Soderbergh é conhecido pela sua versatilidade, pois tanto nos consegue entregar thrillers icónicos (triologia dos Ocean’s), como biografias (Che e The Informant) e até mesmo science-fiction (Contagion), mas mesmo assim muita gente tinha sérias duvidas que este Magic Mike vingasse.

No papel de um stripper com um cérebro, um coração e um sonho, Tatum ensina o seu protegido (Alex Pettyfer) a singrar na noite, a ser o marido que as suas “clientes” nunca tiveram, ou o rapaz de sonho que nunca apareceu. Afinal de contas ele é Magic Mike, um homem atraente e com lábia suficiente para conseguir o que quer.

Enquanto Adam, The Kid (Pettyfer) se entretém a gozar a sua nova vida e o seu precioso dinheiro, deixando-se levar pelas promessas de amor fáceis e negócios um tanto duvidosos, Dallas (Matthew McConaughey), o gerente do clube de striptease de Tampa, tem outras coisas em mente, como por exemplo expandir o negócio até Miami. Mas Mike só pensa na sua “relação” com Joanna (Olivia Munn), uma estudante de psicologia que o incentiva a divulgar o seu jeito para a bricolage e que alinha em todas as suas fantasias sexuais, e nos seus novos sentimentos por Brooke (Cody Horn), irmã de Adam e a voz da sua consciência.

Channing Tatum executa o seu melhor trabalho até à data. Talvez por se aproximar  tanto da realidade, a sua personagem transpira genuinidade e confiança num papel que lhe assenta que nem uma luva. Há que reconhecer, também, uma certa coragem ao actor por conseguir dançar e pular enfiado numa tanga minúscula, mas isso é outra história.

Apesar de interpretar o “virgem” do grupo de strippers de Tampa, Alex Pettyfer suporta bem o seu papel, dando por vezes a entender que estamos perante um jovem James Franco em ascensão. No entanto, a sua personagem não tem nada de extraordinário, uma vez que serve apenas para mostrar o reverso da moeda do trabalho em shows eróticos.

McConaughey, por seu lado, domina todas as cenas em que o seu Dallas aparece, ele é o anfitrião por excelência do clube e deste filme, com o seu carisma e o seu carácter easy-going que lhe é tão característico.

Magic Mike é uma rapsódia de sentidos, ousaria dizer ainda que é um filme criado absolutamente para histeria feminina, se não conhecesse o restante trabalho de Steven Soderbergh. Embora o realizador nos apresente um olhar céptico sobre o mundo do espectáculo erótico, a pelicula está repleta de performances inacreditáveis onde homens cantam, dançam, saltam e despem-se, tudo em simultâneo, acompanhadas por uma camera que filma exaustivamente cada movimento em travellings e spinnings perfeitos.

Apesar de tudo, o filme parece-nos sempre mais obscuro e desafiante do que propriamente é. Soderbergh assumiu para si os cargos de editor e cinematógrafo e cortou muitos dos diálogos, escondendo partes da trama que poderiam ser fulcrais para a história. Por vezes, Magic Mike torna-se demasiado banal. O excesso de masculinidade pode ser também um problema dando a entender que as personagens nunca abandonam os seus alter-egos de palco.

O filme é bom e entretém. No entanto ainda lhe falta um pouco para ser o próximo Wrestler. Por agora, Magic Mike é apenas meramente provocatório, aliciante e sedutor, como um daqueles filmes que vemos numa noite para levantar o astral, mas que raramente recordamos.

Texto por Elisa David

2 responses to “Magic Mike

  1. Boa noite!não percebo nada de escrita para argumentos,mas este filme para mim ficou muito a desejar….esperava muito mais….aquelas interpretações é de bradar aos céus…mas é meramente a minha opinião…

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