Steven Soderbergh – O Bom Vendedor

Steven Soderbergh é um nome incontornável do cinema das últimas duas décadas. O problema é que isto acontece mais por insistência do que por qualidade. Soderbergh atirou-se para a cadeira de realizador em 1989, com Sex, Lies and Videotape e desde então, tem uma média de mais de um filme por ano, até chegar a 2012. Por isso, queiram ou não, já ouviram falar de Steven Soderbergh.

É provável que tenha sido uma introdução muito dura para com o realizador, que até acabou de estrear Magic Mike, que fez furor no público (feminino). Por isso vamos olhar em primeiro lugar para pontos positivos. Não há outro realizador há conseguir deitar fora tanto dinheiro em celebridades, sem obter grandes efeitos práticos. Ocean’s Thirteen conta com George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon e Al Pacino e não passa do mediano; Contagion tem Gwyneth Paltrow, Matt Damon, Laurence Fishburne,  Jude Law, Marrion Cotillard, Kate Winslet, entre outros que me aborrecia agora listar, e do mediano não passa. Vende? Provavelmente sim.

Obviamente isto não quer dizer que o realizador não seja talentoso. É impossível não reconhecer muita qualidade a filmes como Traffic, por exemplo. O primeiro Ocean’s também é interessante e há um humor muito bem conseguido em filmes como The Informant! com Matt Damon (obsessão com o actor, talvez?). O problema é que no meio de tanto filme, com tantas estrelas, qualquer possível talento perde-se num enorme vazio. Há sempre muita antecipação quando se fala de um filme novo de Soderbergh, mas na maior parte das vezes, por causa dos nomes que estão associados ao mesmo.

É exactamente esta a maior qualidade de Steven Soderbergh: sabe vender o seu produto. É um realizador normal, sem mostrar grandes rasgos de génio nos filmes que realiza, mas que consegue intrometer-se, pelos seus meios, entre os grandes. Sabe atribuir os actores certos aos papéis que tem em mente, funcionando um pouco ao contrário dos realizadores que trabalham mais a personagem do que o actor em si. É por isto que Magic Mike resulta e foi por isso que filmes como Haywire ou Contagion levaram pessoas ao cinema.

Soderbergh dificilmente pode ser apelidado de genial. Seria apenas um realizador que entre dezenas de fracassos consegue lançar um bom filme uma ou outra vez, se não fosse as suas qualidades como promotor. Magic Mike não resultava sem Channing Tatum; o Ocean’s não tinha funcionado sem Clooney e Pitt; Contagion não tinha vendido sem a lista interminável de nomes conhecidos. É, de certo modo, uma forma de enganar o público a encontrar qualidade onde ela não existe. Claro que nem toda a gente se deixa enganar e toda esta magia esconde um realizador como tantos outros.

Texto por Sandro Cantante

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