Puncture

A primeira informação que temos acerca de Puncture, além de que tem aquele gajo que faz de Capitão América é que é um filme baseado em factos reais. Que nos diz isto? Diz-nos que no final vamos ter meia dúzia de parágrafos a explicar o que aconteceu depois dos eventos mostrados, desculpando qualquer final incompleto. Diz-nos também que vamos ter mais pena do que possa acontecer a personagens e vamos sentir com mais intensidade a mensagem transmitida. Ou então é completamente irrelevante para quem vê, quem sabe?

Mike Weiss (Chris Evans) e Paul Denziger (Mark Kessen) são parceiros numa firma de advogados. Mark é um tipo com uma vida caótica, uma adição por drogas e com uma genialidade fora do comum (ao contrário deste tipo de personagem em filmes e séries); Paul é uma pessoa com valores mais elevados, responsável, um bom marido e futuro pai. Estes são procurados pela enfermeira Vicky, que foi infectada com SIDA depois de um acidente com uma seringa no hospital. Esta pretende que o modelo de seringa inventado por um amigo, mais segura e à prova destes acidentes, seja aceite pelos hospitais, que não têm vontade de pagar mais pela segurança. Abre-se o caso de Weiss e Denziger contra o mundo (ou quase).

É certo que estamos perante uma história inspirada em factos reais, mas isso não desculpa a repetição do modelo de personagem utilizado. Há todo um historial nos últimos anos desta personagem louca, drogada, mas, ao mesmo tempo, genial. Acontece em séries, acontece em filmes e acontece em livros. Mike Weiss foi uma pessoa real, com problemas reais e com uma causa pela qual lutou, mas o filme podia não insistir tanto nesta tentativa de nos fazer querer que ambas as coisas estão relacionadas. Denziger é como a voz da razão, tornando a dupla de personagens tão banal como poderia ser.

Esquecendo estes pormenores, há uma história bastante interessante no filme. Os advogados lutam, por uma ou outra razão, pela segurança de todos os utentes e funcionários dos hospitais e estes recusam-se a pagar mais pela segurança. É um caso de finais da década de 90, mas pode ser visto como muito actual, nas mais diversas áreas. No entanto, a narrativa vai alternando entre o caso em si e a vida pessoal de Mike Weiss, a quem o filme é dedicado. Talvez acabe por perder um pouco por incidir tanto na vida da personagem principal, quando a principal mensagem está no outro ponto. Especialmente porque a evolução da personagem de Chris Evans é feita de forma confusa e irregular, perdendo um pouco da elevada qualidade que podia ter. Sente-se a certa altura que saltámos uma parte importante do filme e estamos a ver o que só devíamos ver mais tarde.

Puncture, ao contrário do que muita gente vai pensar ao ver Chris Evans no poster, é um filme bem pensado. Falha um pouco na execução, uma vez que deixa as personagens cair no banal, mas não deixa de ser interessante. Não é só um filme sobre uma personagem principal perturbada, nem é só um filme sobre um caso em tribunal. Sendo inspirado em factos reais, sabemos à partida que podemos vir a não ter resposta a muitas das questões que colocamos ao longo do mesmo, mas também temos a garantia de que não vamos ter um final questionável. Assim aconteceu, assim foi relatado e é assim que vamos ver. Talvez seja mesmo o único ponto positivo de ter um filme inspirado em factos reais.

Texto por Sandro Cantante

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