Marés Vivas TMN 2012 – 2º dia (19/07/2012)

Texto por Ana Soares / Fotos por Gustavo Machado

O segundo dia do Festival Marés Vivas TMN recebeu ainda mais visitantes que o dia anterior. Segundo a organização, 25.000 pessoas concentraram-se em Gaia para receber um conjunto de bandas que, estando numa fase menos fulgurante das suas longas carreiras, ainda consegue fazer vibrar as multidões.

A abrir o palco principal do segundo dia do Festival Marés Vivas estiveram os Gun. Com apenas meio recinto preenchido, os escoceses tentaram captar as atenções e atiraram para as margens do Douro um som simples, descomplexado e com laivos de glam rock, que apenas conseguiu agitar os mais eufóricos. Antes de “Money”, Dante Gizzi deixou rasgados elogios ao cenário em que decorre o festival, uma toada que seria seguida por todos os intervenientes da noite.

Os Gun tiveram ainda tempo para apresentar o mais recente trabalho “Break the Silence”, que serviu de pretexto para a digressão da banda com os The Cult que terminou no nosso país. Para finalizar o concerto, “Word Up” (versão dos Cameo) e “Shame on You” trouxeram finalmente alguma animação ao público que por esta altura se começava a aglomerar para embarcar num regresso aos anos 80.

The Cult

O concerto dos The Cult parecia mesmo ser um dos mais aguardados do segundo dia do festival, e a moldura humana que se compôs para os ver era grande. De gola de pelo e óculos escuros Ian Astbury subiu ao palco para revisitar temas da já longa carreira dos britânicos, num concerto morno, mas que parecia agradar aos que, há 20 anos atrás, vibravam com a sonoridade dos ingleses. À pergunta “Gostam de rock and roll?”, colocada pelo vocalista, seguiram-se “The Wolf” e “Wild Flower”. No entanto foi já no final que ambiente aqueceu com o inconfundível êxito ‘She Sells Sanctuary’, tema do álbum “Love”, com que os Cult atingiram grande sucesso ainda na década de 80 (e eternizado em Portugal pelo genérico do programa Sem Limites).

Foi com pose de diva e exuberante casaco de peles que Shirley Manson e os seus Garbage chegaram ao Marés Vivas em grande estilo com “Automatic Systematic Habit” música nova retirada do seu mais recente álbum, “Not Your Kind of People”.

Garbage

No entanto se muitos esperavam que este concerto incidisse no novo álbum que marca o regresso da banda após longos anos de hiato, foi em formato best of que os garbage continuaram a sua actuação, nunca deixando de intercalar algumas músicas novas com êxitos como “I Think I’m Paranoid”, “Queer”, ou a intimista “Milk”. De destacar que as músicas novas foram sendo recebidas de forma menos calorosa pelos presentes. Entre temas havia ainda espaço para Shirley conversar com o público e mostrar-se bem informada acerca da nossa já longa história, com oportunidade para comparar o Porto a São Francisco e a Goa, antiga colónia portuguesa na India. Ainda antes de “Stupid Girl” uma chamada de atenção da parte da vocalista a um membro do público que aparentemente a tinha importunado atirando coisas para o palco, o que deixou Shirley um pouco irritada, já que, segundo a própria: “Estou com o período e não posso comer carne!”. Com “Push it” (apresentada com uma nova sonoridade) o público voltou a aquecer, mas alguns problemas de som já a chegar ao final do concerto, onde a voz de Shirley deixou de ser perceptível, vieram quebrar um pouco o ritmo do espectáculo dos Garbage, que contou com o êxito “I’m Only Happy When It Rains” para se dar como encerrado, com a vocalista a correr á volta da bateria, numa derradeira descarga de energia antes do final.

Momentos antes de os Kaiser Chiefs subirem ao palco, eram muitos os fãs que procuravam o melhor lugar para ver ou rever os ingleses, enquanto outros aqueciam as suas vozes com os temas mais famosos da banda. Foi com “Never Miss a Beat” que o quinteto deu entrada em palco com uma recepção eufórica por parte dos que os esperavam, e mais eufóricos ficaram quando à segunda musica o vocalista em modo pré-crowdsurfing visitou as fileiras da frente.

Kaiser Chiefs

Um concerto de Kaiser Chiefs é sempre um bom espectáculo. Mesmo que musicalmente as coisas possam não correr tão bem, o carismático Ricky Wilson faz questão de animar as hostes com os seus movimentos frenéticos e que já lhe causaram algumas mazelas em palco. A par dos Garbage, também os Kaiser Chiefs optaram por um concerto em modo best of em que a sequência “Nanananana”, “Everyday I Love You Less and Less” e “I Predict a Riot” foi uma das mais bem conseguidas da noite. Ainda antes de outro êxito, de um passado mais recente, “Ruby”, Ricky presenteia os fãs com o seu casaco de ganga. Já no final e com a bandeira nacional no microfone (não fossem os Kaiser Chiefs uma das bandas que mais vezes nos visitou nos últimos 7 anos) chegou “Angry Mob”, onde ainda a música não tinha acabado e já todos os presentes se perguntavam onde estaria o vocalista, que é perito nestes momentos em que desaparece e volta a aparecer num qualquer lugar inesperado, e este Marés Vivas não foi excepção. Depois de alguns momentos de apreensão, eis que o vocalista aparece num declive lateral no recinto. Pela primeira vez na edição deste ano, houve direito a encore, e embora o público cantasse a plenos pulmões “Oh My God”, o quinteto de Leeds voltou ao palco ao som de “Love is Not a Competition” abrindo caminho então para a esperada “Oh My God”, a fechar mais um concerto em clima de festa, como já nos habituaram os Kaiser Chiefs, que foram os grandes vencedores da noite (e do festival, até ao momento) e fizeram levantar bastante a poeira do Cabedelo.

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