Keane no Cascais Music Festival (16/07/2012)

Texto por Mariana Coimbra

A abertura deste ano do Cascais Music Festival ficou a cargo dos britânicos Keane, cuja presença assídua no nosso país não impossibilita de nos surpreenderem uma vez mais. Este ano, depois de um concerto especial e restrito no TMN ao Vivo em Maio, vieram no dia 16 de Julho apresentaram oficialmente em Portugal o seu mais recente trabalho Strangelands. O bonito e agradável local que albergou o evento, o Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, juntou nesta quente noite de Verão uma boa legião de fãs bem dispostos e dedicados, ainda que não chegassem para encher nem metade do pequeno recinto.

A banda inglesa chegou ainda um bom bocado atrasada, mas rapidamente conquistaram o público de Cascais. Um Tom Chaplin simpático e muito dado ao público, que claramente o enterneceu com todo o carinho e aplausos demonstrados, deu-nos a conhecer não só os trabalhos mais recentes – que ao contrário do esperado pelo própria banda, foram muito mais recebidos pela plateia, já sua conhecedora – mas também aproveitou esta maravilhosa noite para fazer uma pequena viagem pelos temas mais antigos e que lhes brotou o sucesso.

A boa recepção dos temas novos, como dos dois primeiros, retirados do álbum lançado há poucos meses, contentou a banda em palco, mas foi sem dúvida aos mais antigos que se deveu o sucesso deste concerto. Demorou um pouco, mas foi na espectacular “Everybody’s Changing” que o público, ao rubro, cantarolou toda a letra da canção, recebendo até alguns bons elogios da banda, constantemente louvando esta sua fantástica audiência, dizendo-nos até que nunca tinha visto um tão bom coro do público ao longo das suas diversas digressões, temendo ficar sem trabalho, revelou-nos brincando.

Telemóveis e máquinas fotográficas em riste, vozes afinadas, olhos a brilhar, tal ficava estarrecida a audiência sempre que se revisitavam estes temas de há quase 10 anos, mas que sem dúvida nos marcaram a todos, melhor ou pior. É impossível negar o poder de músicas como “Somewhere Only We Know“, ou mesmo “This is the Last Time” – e o mesmo reflecte-se ao vivo. O público, aos primeiros acordes, já sabia a música de cor, e surpreendiam a banda, música após música. A banda também soube surpreender-nos, mais na sua atitude humilde, agradecida e divertida, do que na música que faziam – a certa altura começa a ser mais do mesmo. Sem se perder a magia dos temas já referidos, os restantes nem perdem muito qualidade, mas também não mostram nada de novo, pecando por isso.

O concerto concluiu em dois muitos pedidos e aplaudidos Encores, que nos possibilitaram ouvir temas como “Bedshaped” e “Crystal Ball“. Simpáticos e um tanto emocionados com uma tão grande demonstração de amor e carinho, desceram à plateia e cumprimentaram estes tão dedicados fãs que sem dúvida lhes ficarão na memória, e subiram para um último encore e um “até breve”. Foi sem dúvida um bom concerto, num registo íntimo e familiar (também proporcionado pelo público um tanto escasso), que conseguiu superar as expectativas, sendo competente e sem falhas. Todavia, não soube surpreender a sério ou mover uma maior quantidade de fãs a um próximo concerto, que prometeram já para Outubro ou Novembro. Porque quem fez este espectáculo foi sem dúvida um público enérgico e empenhado, não sendo uma surpresa a demonstração de amor da banda pelo público – foi esta que falhou em tornar a noite mais memorável e cativante.

Setlist:
You Are Young
Bend and Break
Day Will Come
Nothing In My Way
Strangeland
On The Road
We Might As Well Be Strangers
Perfect Symmetry
Silenced By The Night
Everybody’s Changing
The Starting Line
Leaving So Soon?
Disconnected
A Bad Dream
This is The Last Time
Somewhere Only We Know
Is It Any Wonder?
Bedshaped

Encore:
Sea Fog
Sovereign Light Café
Crystal Ball

Encore 2:
My Shadow

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