Marés Vivas TMN 2012 – 4º dia (21/07/2012)

Texto por Ana Soares / Fotos por Gustavo Machado

No  último dia o Festival Marés Vivas mudou um pouco o estilo musical que tinha caracterizado os dias anteriores, e o público compareceu em menor número. Foi portanto perante uma tímida moldura humana que Mónica Ferraz se apresentou decidida a animar o fim de tarde, que trouxe um belíssimo pôr do sol, reflectido nas águas do Douro. Detentora de uma bela voz, que não teve falhas durante toda a actuação, o rosto dos Mesa, aqui num projecto a solo, tentou interagir com o público mas acabou por fazê-lo em demasia, e o concerto foi pouco mais que morno. Numa versão de “Le Freak” dos Chic, Mónica colocou homens contra mulheres, num concurso de sing along, e trouxe mais energia ao concerto, que acabaria por ter como pontos altos “Golden days” e “Go go go”.

The Hives

De fato de gala bem aprumado e cartola festiva, os The Hives chegaram ao Porto para actuar num dia com um alinhamento em que parecia que tinham caído de pára-quedas. Estes divertidos suecos, iguais a si mesmos, deram tudo o que tinham para animar as hostes com o seu garage rock, pedindo repetidamente para que todos gritassem e saltassem. Com a lição de português bem estudada, Howlin’ Pelle Almqvist foi um animador/vendedor/apresentador, tudo o que se pode esperar dele. “Walk idiot walk” agradou a todos, e iniciou a dança na noite de Sábado. Seguiu-se a primeira descida às grades na nova “Wait a minute”, um regresso ao passado com “No pun intended” e “Main Offender”, uma tentativa de sentar o público para o fazer saltar como uma mola, e o momento da noite, quando Pelle Almqvist acedeu ao pedido de um fã e o chamou ao palco para se juntar à banda e tocar baixo na muito celebrada “Hate to say I told you so”. A poeira não voltou a assentar até ao final do concerto, que aconteceu com “Tick tick boom”, numa explosão final da adrenalina que a quinteto sueco despeja para o público.

Anastacia

Antes do início do concerto de Anastacia assistia-se à chegada de famílias inteiras, muitas pessoas com pipocas e até mesmo jovens pais com carrinhos de bébé, tudo para ver mais de perto um nome grande da pop mundial. Mas o espetáculo da norte-americana não esteve ao nível que se poderia esperar. Ainda que Anastacia tenha uma voz poderosa, e faça uso dela de forma irrepreensível, houve muito pouca preocupação cénica neste concerto, o que pareceu decepcionar muitos seguidores da cantora. Com uma série de clichés bem ensaiados, Anastacia foi fazendo elogios ao público e chamando à frente do palco alguns membros da sua banda (que também ela não pareceu mostrar grande nível) para uma interpretação diferente de “Not that Kind” e para o famoso dueto “I belong to you”, com uma das suas “backup vocals” a fazer as vezes de Eros Ramazzoti. Só com os hits comerciais é que a cantora recebeu algumas vagas maiores de aplausos, e percebendo isso, não faltaram ao alinhamento “Paid my dues”, “One day in your life” e uma versão de “Empire state of mind” de Alicia Keys (que no final foi cantada em devoção ao Porto, que substituiu Nova Yorke na letra). Para o final, e após um curto encore, chegou “I’m outta love”, onde ficou provada a qualidade vocal da norte-americana, que deixou no ar a sensação de não ter mostrado no Porto o potencial que um concerto em nome próprio poderia ter.

Para encerrar o palco principal do festival deste ano, esteve Pedro Abrunhosa, que no seu estilo interventivo, nunca deixou de atirar farpas para os responsáveis políticos, dizendo mesmo que nunca tinha pensado ter que voltar a gritar “Não posso mais”, como fazia nos anos 90. Das colunas sairam todos os singles coleccionados ao longo de uma carreira sólida, e os muitos quilómetros de estrada do portuense fizeram-se notar ao longo da actuação.

Encerrou assim mais um Festival Marés Vivas, que mostrou que o Porto tem mais um belo local para a realização destes eventos (depois do fantástico exemplo do Parque da cidade no Primavera Sound). Em resumo: bons concertos, muita animação e boas recordações das margens do Douro acompanharam todos os que passaram pelo festival.

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