Músicas da Semana #24

Escolhas de Diogo Soares Silva (Bolachas.org / Cakes and Tapes):

Joe South – Rose Garden
Porque é que me meti no SongPop tendo uma tese para escrever? Não sei, nem interessa muito para o caso. O que interessa é que aquela porcaria tem um grupo de canções chamado Country Classics. Ou seja: um repositório de todas as canções que interessam. Tipo esta, escrita pela instituição country que é o Joe South para ser interpretada pela Lynn Anderson, protótipo sulista da dona de casa ideal dos 70s e que hoje em dia se veste como a mãe do Cristiano Ronaldo. Essa versão até pode ter vendido melhor, mas nada como ouvir a enorme versão do criador.

Hooligans singing Truly, Madly, Deeply of Savage Garden
Calma. Agora vou contrariar o parágrafo anterior: vamos esquecer o original e a farpela ridícula do vocalista dos gajos no videoclip. Este parágrafo não é sobre a versão dos asquerosos Savage Garden. Voltei a descobrir esta pérola esta semana e sempre que o vejo recupero a minha esperança no futuro da espécie. Quais são as probabilidades de um grupo de broncos conseguir pegar numa canção melosa e transformá-la, aos berros e a capella, em algo digno de se ver e ouvir em repeat? É quase emocionante.

Wilco – Art of Almost
Ainda não ganhámos nenhuma medalha nos JO, mas somos peritos nisto: na boa tradição de José Peseiro, ficamos sempre quase. Quase a conseguir disputar medalhas. Os Wilco amam-nos, e resolveram escrever esta canção para a nossa comitiva olímpica. E são um bocadinho como os nossos atletas: apesar de continuarem a fazer bons álbuns e de contarem, de há uns anos para cá, com exemplares executantes como o virtuoso (sem ser azeiteiro) guitarrista Nels Cline e o inventivo baterista Glenn Kotche, a maior parte dos fãs, casuais ou não, anda suspira por um sucessor de Yankee Hotel Foxtrot, álbum que este ano completa 10 primaveras. Uma espécie de Carlos Lopes da cena deles. O que não invalida que os seus recentes Obikwelus e Vanessas Fernandes não mantenham o nível a que nos habituaram.

Deer Tick – Cake and Eggs
São a única banda que realmente interessa este ano em Paredes de Coura. Vão tocar à hora de jantar no palco secundário e ninguém vai querer saber, nem mesmo os fotógrafos credenciados (espero eu): melhor para mim, que vou poder cantar e fazer figuras ridículas à vontade, incluindo pedir ao John McCauley que toque a versão da “Flagpole Sitta” (sim, aquela canção lendária dos 90s) que fizeram para o Undercover do A.V. Club. Mas já ficava satisfeito com esta, mais ou menos roubada ao John Prine e escrita a meias com a mulher (a Nikki das Those Darlins). McCauley tem tudo ser o Tallest Man on Earth de 2012, convém que se vá inspirando na estátua do Cristo Redentor para receber os novos fãs de braços abertos.

Mandrax Icon – Mary Climbed the Ladder for the Sun
Era o que faltava, ser convidado para falar de música e não fazer publicidade a artistas da minha própria editora. Esta é a peça central do álbum (com o mesmo nome) do Mandrax Icon, o melhor songwriter algarvio da actualidade. É o que dá ter as influências certas: blues velhinhos, génios do fingerpicking e alguns dos melhores escritores de canções americanos dos últimos tempos (alguém que já conhecia e gostava do Jonathan Wilson antes da reedição pela Bella Union só pode ser o maior). E o melhor é que o download integral do álbum é gratuito. Também podem comprar-me uma das 33 cassetes do álbum. Agradecia, já que mudei de casa esta semana e não tenho espaço para tudo.

Escolhas de Cláudia Filipe:

Foto por Hugo Rodrigues

No Use For A Name – Dumb Reminders
Tinha de começar com esta.
Normalmente nem sou muito dada em embarcar em saudosismos, mas esta é uma enorme perda. Foi com tristeza que recebi a notícia da inesperada morte de Tony Sly durante esta semana. Lembro-me de ser bem nova e andar a ouvir estes grandes senhores do punk-rock, que terão sempre o seu lugar na minha história.  Felizmente, ainda tive o prazer de os poder ver ao vivo no final do ano passado e recordar bons anos.
Obrigada Tony e até já.You’ll be missed.

Six Organs of Admittance – Light of the Light
Já tenho vontade de começar a contar os dias para a segunda edição do Amplifest. O bilhete já cá canta (impossível ser de outra maneira depois da excelente experiência o ano passado) e o cartaz não pára de subir de qualidade. Quero muito ver Six Organs of Admittance, que por acaso até passaram por cá em 2011, mas que não tive oportunidade de ver. Vai ser bom ter o Ben Chasny à frente a tocar sonhos.

Karnivool – Themata
Gosto muito destes australianos do rock progressivo (tão underrated que eles são) e o Themata é um disco bem simpático. Diz que está para breve o terceiro álbum (que parto tão difícil). Enquanto isso não acontece, vou ouvindo os dois anteriores, especialmente o primeiro, que é o meu preferido. A música que dá nome ao álbum é bem bonita e viciante.

Jefferson Airplane – White Rabbit
Grace Slick é dona de uma das vozes mais poderosas de sempre e a White Rabbit é prova disso. Grande referência.

Porcupine Tree – Fear Of A Blank Planet
O Steven Wilson é enorme e nunca me devo esquecer disso. Não sei como é que, às vezes, consigo passar tanto tempo sem ouvir Porcupine Tree. É um erro. Devia haver uma quota semanal obrigatória. Espero que o Steven Wilson não deixe cair isto no esquecimento em detrimento da sua carreira a solo… é que entretanto já passaram três anos deste o último álbum e de planos pouco se sabe.

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Refused – Rather Be Dead
Os Refused reuniram-se 14 anos após o lançamento do seu último álbum, The Shape of Punk to Come. Esta música, retirada de Songs to Fan the Flames of Discontent, de 1996, tornou-se um dos grandes hinos de Refused.

Meshuggah – Lethargica
Do álbum ObZen de 2008, é um bom aperitivo para quem quer explorar a fundo a carreira desta banda de death metal progressivo, vinda da Suécia, mais precisamente da mesma cidade que os Refused. É o meu disco favorito de Meshuggah e se tiver que aconselhar alguém que não conhece nada desta banda e quer mudar isso, é este álbum que recomendo a ouvir primeiramente.

Crocodiles – No Black Clouds for Dee Dee
É uma música mágica, extraída do novo álbum destes rapazes de San Diego, California. Muito provavelmente escrita para Dee Dee, vocalista das Dum Dum Girls, esta música é um daqueles momentos dreamy deste albúm, que nos embala facilmente.

Nasum – Disappointed
Há alguma coisa melhor que isto para estancar os pensamentos? Rápido, e eficaz. Estiveram no Vagos Open Air, e com muita pena minha não pude assistir ao concerto desta banda sueca, prodígios do grindcore.

Etta James- At Last
Confesso que conheço muito pouco do trabalho desta grande diva, e referência para todos, mesmo aqueles que não fazem música soul. “At Last” é um dos temas mais ouvidos, e dos quais existem mais versões. É facilmente indentificável, e este álbum é um bom começo para quem começa a ouvir todo o legado desta grande senhora. At Last!, o álbum que contém este tema e lhe empresta o nome, foi editado em 1961, e foi a rampa de lançamento para toda uma carreira. Pelo início é que se começa.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Circa Survive – Sharp Practice
Já tinha avisado. No fim do mês sai o novo disco de Circa Survive e, a “Sharp Practice” foi disponibilizada esta semana, depois de “Suitcase” já o ter sido há algum tempo. Vai-se matando a ansiedade com a audição constante destes dois temas.

Marvins Revolt – Multiple Fractures
Depois de alguém ter postado uma música da banda no facebook, decidi pegar nos dois discos que editaram (é sempre assim na verdade). Ainda que esquecidos durante algum tempo, não deixaram de ser amados e, sabe-me sempre bem voltar a eles.

Queen – Flash
Consequências de ver o TED esta semana, ou era esta, ou era a música da trovoada. Se calhar não foi a música que mais ouvi depois disso, no entanto, posso garantir que mesmo inconscientemente, “Flash! Ahaaaaaa“, foi algo recorrente.

Head Automatica – At the Speed of a Yellow Bullet
O projecto dançante do vocalista de Glassjaw, saem os gritos, entram os sapatos de dança. O Daryl é que sabe.

No Use For A Name – For Fiona
Vou fazer aqui um bocadinho de batota no conceito desta rubrica e colocar No Use For A Name em jeito de homenagem. Não sendo nem de perto uma banda que oiça já regularmente, a notícia do falecimento repentino de Tony Sly acabou por me marcar a semana. Não há muito mais a dizer, RIP.

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