Feistodon – Feist & Mastodon

Mastodon and Feist
Feistodon, 2012

Este registo em formato 7’’, feito especialmente para a celebração deste ano do Record Store Day, traz-nos duas versões de artistas que são água e azeite. É tão inesperado uma banda pesada como Mastodon, fazer uma cover da sonoridade calma de Feist, como o contrário, e isso torna tudo ainda mais empolgante. O Record Store Day é uma efeméride que celebra anualmente as lojas de música independentes e são várias as bandas (grandes, até) que se associam a este dia, como já foi o caso dos Blur ou Soundgarden, com concertos, descontos ou lançamentos especiais.

A escolha de Feist recaiu sobre “Black Tongue”, extraída do mais recente registo dos progressivos de Atlanta, The Hunter, do ano passado. Com uma intro que até tem algo de Marilyn Manson, temos aqui uma face mais obscura de Feist. É uma canção soturna, com alguma distorção pelo meio, e podia até figurar em qualquer filme do Tim Burton. Com o instrumental completamente diferente do original, a linha de voz é a única coisa que se mantém semelhante, mudando, é claro, para o timbre leve e feminino da cantora canadiana.

Começando calmamente, “A Commotion”, do também recente álbum de Feist, começa a ganhar a força a que nos habituaram estes gigantes barbudos do sludge metal. O piano insistente do original, foi substituído por uma bateria pujante e guitarras agressivas, mas no refrão as vozes de Brent Hinds e Troy Sanders assemelham-se ao coro que intercalava a voz angelical de Feist. Os solos de guitarra que substituem a sonoridade orquestral dão uma vida e atmosfera completamente diferente, e se não se soubesse que é uma cover, podia ser um original de Mastodon muito bem conseguido.

Feistodon, além de ser um título que soa estranhamente engraçado, acaba por ser um casamento feliz, e tem aquilo que se pretende quando ouvimos boas versões. Não se colam totalmente ao original, e deixam espaço para o artista que a interpreta ser ele próprio, fazendo-nos esquecer momentaneamente a canção que lhes deu origem. De estranho, só o título.

Texto por Andreia Vieira da Silva

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