The Smashing Pumpkins – Oceania

Oceania
The Smashing Pumpkins, 2012

Desde o fim dos Smashing Pumpkins que Billy Corgan falava num possível regresso. Esse regresso fez-se com um álbum chamado “Zeitgeist“, na altura uma crítica a uma realidade actual, mas musicalmente um álbum menor. Este regresso a meio gás, com novos músicos, teve apenas a mística de Corgan (e inicialmente de Chamberlin). Apesar de “Zeitgeist” não ser um mau álbum, é fraco, com algumas músicas rock interessantes, mas no geral é um disco bem diferente do que os Pumpkins tinham feito.

Com muitos concertos pelo meio, nova mudança de formação (um baterista com 19 anos), os Pumpkins voltaram a prometer um longa duração de qualidade, que segundo Corgan seria o melhor álbum da banda desde “Mellon Collie and the Infinite Sadness“. Pois bem, chegado ao momento da verdade, este “Oceania” é realmente um bom álbum. É natural que os mais cépticos o critiquem, por vários motivos, mas a verdade é que tem a essência dos Smashing Pumpkins, o estilo bem vincado e um je ne sais quoi de evolução. Todas as bandas têm que evoluir, ainda mais uma que passou por tantas alterações e que sai da cabeça do génio Billy Corgan.

Ao vivo as músicas de “Oceania” resultam na perfeição, com grandes riffs onde Corgan mostra que acima de tudo é um grande guitarrista. Ainda que a sua voz não esteja no ponto, não tendo a pujança de outros tempos, está mais melódica, talvez mais fácil de se ouvir para quem não gostava da sua voz. Pela primeira vez em muitos anos podemos dizer que estamos perante um verdadeiro álbum de Smashing Pumpkins, embora a banda tenha que ter descido ao inferno para conseguir criar isto.

Oceania” começa com a electrizante “Quasar“, muitas vezes comparada a “Cherub Rock“. Esta primeira música é perfeita para iniciarmos a viagem por este álbum. Com guitarras pesadas, uma bateria desconcertante e boas vocais por parte do grande Corgan, é uma música rock com algo mais, aquela essência perdida dos Pumpkins.
Panopticon” é também ela uma grande música, a demonstrar perfeitamente que a voz de Corgan está mais melódica, mais macia, assim como “The Celestials“, a terceira música do álbum e uma excelente música, mais calma que a primeira. Os Pumpkins deram um novo salto, desta vez num bom caminho. Parece que Corgan esmerou-se a repensar o sentido da banda. Claro que já não tem os grandes músicos de antigamente, mas continua a ter o mentor, o criador e criativo de todo o projecto.
Violet Rays” mistura alguns teclados, de forma algo estranha para a sonoridade antiga da banda, mas mesmo assim agradável. O refrão desta música é um dos melhores do álbum, com um certo poder.
Daqui para a frente entramos num comboio mais rápido, cheio  de grandes músicas como “My love is winter“, “Pinwheels“, “Oceania” e a incrível “Pale Horse“.

Este é facilmente um dos álbuns do ano, pode não ser o melhor, pode não ser exactamente o que os Pumpkins eram, mas é um bom passo em frente, cheio de grandes músicas.
The Chimera” e “Glissandra” é o regresso ao rock mais musculado, mas mesmo assim melódico. Que bem que sabe voltar a sentir a criatividade de Billy Corgan a dar frutos.

Oceania” é uma boa viagem pela mente agora mais calma de Billy Corgan, depois de uma grande tempestade que teimou em acalmar. Alguns fãs vão cuspir-lhe em cima, outros vão entender. Caso se incluam no último lote, vão de certo gostar do que este álbum tem para vos oferecer.

Texto por João Miguel Fernandes

Deixar uma resposta