Dusk at the Mansion – Will You Wake Up Today? (EP)

Will You Wake Up Today? (EP)
Dusk at the Mansion, 2012

Will You Wake Up Today?” é o EP de estreia do trio lisboeta Dusk at the Mansion, lançado pelo próprio no passado mês de Maio. Formado em 2009, o projecto começou com David Costa (bateria), Ricardo Mestre (voz/teclado/laptop), e completou-se mais tarde com Leihla Pinho (violoncelo), primeiro convidada a juntar-se ao duo no seu segundo concerto, acabando por integrar definitivamente o grupo.

A energia electrónica da primeira faixa, homónima do título deste trabalho, sente-se imediatamente. Uma escolha forte para a abertura, onde a bateria devidamente comedida e ritmada abre caminho à voz distorcida, praticamente impossível de descodificar, que quase funciona como um instrumento entrecortado pelo violoncelo e pelas teclas que apaziguam a mecânica electrónica, e que ao longo da faixa vão compondo uma achega melancólica no tema.

Segue-se “The Portrait”, num tom mais melódico e pop, onde as distorções abrandam e dão lugar aos vocais densos e graves ao estilo de “Bad Houses” dos Big Black, que a meio da faixa dão lugar a um instrumental onde se destacam o violoncelo e as teclas em plena simbiose. A terceira faixa “Model In Peaces” é talvez a mais virada para o synth-pop, hipnotizante e calma, onde regressam as distorções vocais robóticas, e onde se destaca menos o violoncelo. Finalmente, “Deep Breath”, o tema mais dançável do álbum, termina-o recuperando e amplificando a energia electrónica e futurista da primeira faixa, onde a bateria passa mais despercebida e onde sobressaem as teclas e a voz.

Entre a electrónica e o synth-pop, este trabalho de apenas quatro faixas apresenta-se recheado de bons temas diversos que revisitam algumas das sonoridades eternizadas pelos Kraftwerk ou por Gary Numan, influências assumidas do grupo. Um álbum que pesa bem a energia clássica electrónica, que é contrabalançada por uma melancolia que vai espreitando por entre as teclas e os traços do violoncelo e que, no conjunto, confere uma identidade singular a este trabalho.

Um trio que está agora a dar os primeiros passos, mas que tem tudo para surpreender ainda mais.

Texto por Telma Correia

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