Melvins – Freak Puke

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Freak Puke
Melvins, 2012

Desde que se formaram em 1983, os Melvins sempre foram sinónimo de constante mutação e evolução. No início, movidos pela raiva hardcore punk dos Black Flag e depois pelos tempos mais lentos dos Black Sabbath, foram dos primeiros a criar composições que mais tarde viriam a ser conhecidas por sludge, estilo este que sofreu um boom já depois do ano 2000. Pelo meio viriam a influenciar os Nirvana e todas as bandas de grunge de Seattle, pelo que ainda é comum ver o seu nome associado ao estilo que na primeira metade dos anos 90 dominou no campo do rock.

Talvez todas as mudanças sonoras e experiências em discos só se possam ser comparáveis à famosa entrada e saída de inúmeros baixistas para acompanhar os grandes Buzz Osbourne e Dale Crover.

Com uma carreira tão plural quanto a destes dois senhores, tanto nos seus Melvins como em colaborações com outros projectos, Buzz e Dale conquistaram o direito de fazer tudo o que lhes apeteça. Nos últimos 3 discos de estúdio resolveram incorporar não só o baixista dos Big Business, Jared, como também a outra metade dessa banda, o baterista, Coady.
Pois bem, é altura de mudar outra vez, e por agora, deixam de fora os dois elementos e fazem música com Trevor Dunn, com quem já tinham colaborado nos Fantômas – de quem, por acaso, já sentimos imensas saudades – que aqui comete a bizarria de tocar contrabaixo e, por isso mesmo, para este novo Freak Puke a banda denomina-se Melvins Lite.

O disco abre com “Mr. Rip Off”, que até poderia fazer parte do disco mais calmo da discografia do grupo de Montesano, editado em 1999, The Bootlicker. No entanto, ao terceiro tema “Baby, Won’t You Weird Me Out” e depois em “A Growing Disgust” já percebemos que a guitarra de Buzz e os seus riffs tão característicos e únicos estão por cá e que de outra forma não poderia ser.  O álbum é bastante variado e conta com temas mais directos, como “Leon Vs The Revolution” e o cover dos Wings de Paul McCartney “Let Me Roll It”.

Quanto ao contrabaixo de Trevor Dunn, está mais evidente em temas como “Inner Ear Rupture”, “Worm Farm Waltz” ou “Tommy Goes Beserk”.

Os fãs de Melvins, costumam dividir-se em dois grupos: aqueles que são mais adeptos da vertente orientada pelo riff; e aqueles que apreciam a parte mais experimental e bizarra dos seus discos. No final deste Freak Puke as duas facções poderão sentir-se realizadas.

Se houver algum reparo a fazer, será à produção do disco, que embora não se quisesse mais cristalina, pedia-se que tivesse uma força mais encorpada. Por sua vez, dada a qualidade dos três intervenientes aqui presentes, talvez se devessem esperar composições mais exploratórias e dinâmicas, mais livres e soltas do formato mais rígido a que a maior parte delas parece obedecer. No entanto, o disco resulta bem e oferece-nos 43 minutos de puro gozo.

Texto por Carlos Pinto

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