Flashback: Monty Python and the Holy Grail

O filme pode ser de 1975, mas continua a ser uma das melhores comédias jamais feitas. Os britânicos Monty Python são uma referência da comédia. Aliás, há quem diga que a sua influência no genéro é comparável à dos Beatles na música.

Monty Python and the Holy Grail, apesar de ser o segundo filme do colectivo, é o primeiro composto por cenas nunca antes vistas. Já reconhecidos pelos sketches que criavam no seu próprio programa, Flying Circus, exibido pela BBC, decidiram embarcar na aventura das longas metragens nos intervalos das temporadas. Antes do Holy Grail houve And Now For Something Completely Different, composto por sketches das primeiras duas temporadas da série, filmados novamente com um orçamento muito restrito.

Mas para o seu filme original, os Monty Python decidiram pegar na história do Rei Artur, brilhantemente interpretado pelo saudoso Graham Chapman, e dos seus cavaleiros da Távola Redonda, a quem John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones e Michael Palin dão brilhantemente vida. Começam por partir juntos em busca do Cálice Sagrado, uma missão dada directamente por Deus, mas depois acabam por se separar e vamos seguindo a trilha de cada um deles individualmente. A história, recheada de brilhante non sense, começa logo bem quando ouvimos barulho de cavalos, mas deles nem sinal. As maravilhas que dois cocos a bater um no outro podem fazer.

Cada uma das histórias traz personagens e momentos que ficam guardados na nossa memória. Recordem-se alguns dos mais míticos, como o Black Knight, que, pobrezinho, numa luta contra o Rei Artur acaba sem braços e sem pernas, mas sempre com a língua afiada. Lembremo-nos também dos Knights Who Say Ni, cavaleiros com estranhos desejos por arbustos. Ou o carismático poeta que seguia Sir Robin e que entoava o seu cântico para o encorajar na sua missão. E ainda o grande monstro assassino da gruta, que afinal era apenas um coelho!

O final é genial. É um plot twist dos mais bem feitos de sempre, cheio de nonsense, mas que nos vai deixar horas a rir. Estes senhores eram de facto mestres no que faziam. A eles também se deve o reconhecimento da comédia inglesa pelo mundo fora.

Se o vosso humor não está em alta, então façam o favor de ver Monty Python and the Holy Grail. Este é daqueles que podemos já ter visto uma, duas, ou três vezes que vamos sempre rir como se fosse a primeira, com o acrescento que, mesmo sem querer, damos por nós a dizer as falas em conjunto. Fazem falta mais filmes como este nos dias que correm, numa altura em que muitas vezes damos com as fórmulas dos filmes de comédia a repetirem-se vezes sem conta. Mesmo assim, foi muito importante que os Monty Python tivessem existido, pela quantidade de pessoas no meio que hoje admiramos e que por eles foram influenciados.

Texto por Cláudia Filipe
Ilustração por Tiago Dinis

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