Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Mature Themes

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 Mature Themes
Ariel Pink’s Haunted Graffiti, 2012

Embora já se aventure na construção de registos caseiros e experimentais desde a segunda metade da década de 1990 e já tenha editado o seu primeiro registo de originais há, sensivelmente 10 anos, Ariel Rosenberg – conhecido no mundo da música por Ariel Pink – só em 2010 com o lançamento do álbum Before Today, é que a música do norte-americano chegou ao ouvido de um público mais alargado. Agora, com a edição de Mature Themes, podemos com toda a certeza afirmar que quem tinha dúvidas em relação à qualidade de Ariel Pink em 2010, todas elas desaparecem, logo, à primeira audição de Mature Themes, já que estamos perante um disco bastante mais maduro e aperfeiçoado, mais que isso, estamos perante o disco de consagração de Ariel Pink’s Haunted Graffiti.

Mature Themes é um disco com claras influências que vão desde o pop “desconcertante” presente no primeiro tema Kinski Assassin, passando pelas claras inclusões sonoras dialogadas com o Hip-Hop em Is This The Best Spot?, até que encontramos o Pop Lo-Fi – que ficou tão característico em Before Today – no tema título deste novo álbum de Ariel e, apodera-se sobre o ouvinte o início da certeza  que este é um trabalho com sonoridades mais concretas e assertivas do que o que foi feito há dois anos. Se Round And Round foi o maior hit do Before Today, não existe qualquer dúvida que Only In My Dreams é o ponto alto de Mature Themes, dada a sua facilidade em entrar no ouvido de forma suave e divertida, guiando-nos à certeza de que é fácil gostar da música de Ariel, pois a sua voz está mais confortável e segura, e os Haunted Graffiti são os acompanhantes perfeitos nesta evolução, juntando-se assim os ingredientes necessários que dão ao ouvinte uma maior determinação para seguir a viagem sonora que é este Mature Themes, sem qualquer pressa, apenas com vontade de apreciar o momento. Pelo caminho, encontramos a pop – psicadélica de Ariel Pink’s Haunted Graffiti – também característico dos seus anteriores trabalhos – em três momentos: Driftwood, Early Birds of Babylon e Schnitzel Boogie, até que se embate frontalmente com a electrónica bem mais reforçada que o que haviam feito até data e que acaba por dar um aroma bem agradável ao disco e até força o ouvinte mais atento a abanar a cabeça e bater o pé, sem que sequer dê por isso. Falo de Symphony of the Nymph e Pink Slime. Até ao final, encontra-se ainda o lado experimental dos Ariel Pink’s Haunted Graffiti, em Nostradamus & Me e, para fechar com chave de ouro este enorme disco, está a Baby… Tema soul gravado originalmente por Donnie & Joe Emerson em 1979 e que Ariel Pink regravou e conseguiu encaixar como uma luva em Mature Themes, deixando o ouvinte paralisado com a esperança que o disco volte a tocar novamente.

Para terminar, só me resta dizer que este Mature Themes, dos Ariel Pink’s Haunted Graffiti, não é um álbum para se aprender a gostar. Simplesmente, gosta-se e pronto!

Texto por João Pereira

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