The Eye of the Storm

A adaptação do romance de Patrick White, The Eye of the Storm, chega agora aos cinemas pela mão de Fred Schepisi. O filme homónimo encaminha-nos ao leito de morte de Elizabeth Hunter, a matriarca de uma família disfuncional, cuja vida de pleno prazer e luxúria lhe custou a coisa mais simples, mas também a mais querida, o amor.

A história é complexa, mas, ao mesmo tempo, simples. Mrs. Hunter (Charlotte Rampling), uma mulher egoísta, leviana e egocêntrica, nunca se preocupou com ninguém além de si mesma. Teve dinheiro e fama suficientes para ser uma das socialites mais adoradas entre o seu círculo, teve beleza e génio para conquistar todos os homens que lhe aprouvessem, mas faltou-lhe a bondade e a humildade para amar alguém e ser amado de volta. Sozinha depois da morte do marido, cai em doença e vê-se obrigada a comprar os seus empregados em troca de um pouco de afecto.

Filhos de uma família estéril a nível sentimental, Basil (Geoffrey Rush) e Dorothy (Judy Davis) não podiam ser piores pessoas do que são. Frios, distantes e um pouco calculistas, não mostram qualquer paixão pela figura materna que jaz num quarto de uma casa que outrora foi sua.

Rampling está deprimentemente brilhante como Elizabeth Hunter. A sua maquilhagem exagerada e as suas perucas faustosas combinam perfeitamente com os gestos lânguidos e demorados de uma mulher que, ao longo dos anos, foi perdendo o espírito livre e agressivo da juventude. Nos seus flashbacks recebemos informações preciosas que nos ajudam a compor o puzzle da história e somos brindados com uma performance dominante saída de um corpo aparentemente enfermo e pouco vigoroso.

Rush é simplesmente soberbo. Embora a sua personagem não seja tão explorada como a de Mrs. Hunter e a da Princess de Lascabanes, temos que admitir que o seu Basil é extremamente adorável. Um homem extrovertido e intrinsecamente preso ao teatro procura desesperadamente uma relação duradoura que lhe proporcione a intimidade repelida durante toda uma vida.

Davis só podia mostrar-se hilariante com a sua triste Dorothy. A Princess de Lascabanes é uma das personagens mais peculiares que já conheci. Naturalmente comedida, enfadonha, perfeccionista e sovina, não consegue aproveitar nada da vida sendo, por isso, a perfeita antagonista da sua mãe, Elizabeth.

The Eye of the Storm tem um bom enredo, que poderia fazer deste filme algo fenomenal. No entanto, as fragilidades de um guião pouco conseguido roubam brilho ao filme, que tem uma cinematografia belíssima aliada a uma fotografia de génio. Com um guião não tão bom, as personagens perdem a sua força e a história morre um pouco, fazendo a nossa atenção dispersar.

Se, no entanto, conseguirmos ultrapassar as suas fraquezas, torna-se um filme complexo, mas fácil de gostar e as suas personagens decadentes tornam-se lustrosas e cativantes. The Eye of the Storm mostra-nos uma realização fantástica por parte de Schepisi que faz, certamente, jus ao trabalho de White. É um drama satisfatório, com um bom número de episódios cómicos que nos fazem pensar nas trivialidades das relações no seio de uma família.

Texto por Elisa David

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