Catuvolcus – Gergovia

Gergovia
Catuvolcus, 2012

O Metal, tal como muitos outros géneros, vai sofrendo de ter alguns actos semelhante entre si. Umas vezes gosta-se das coisas assim parecidas, outras já se pede variedade. Normalmente quando se fala em Metal extremo – Black Metal neste caso – que carregue elementos históricos, épicos, guerreiros e com uma mão dada ao Folk, a primeira deslocação em espaço que fazemos mentalmente é para países frios da Escandinávia. Um ponto em que estes Catuvolcus variam, pois a viagem é feita para outro local também frio, mas este na América do Norte, em pleno Canadá, na zona de Quebec, o que origina temas narrados na língua Francesa.

Outro factor de associação imediata que fazemos quando se fala neste estilo é o conceito. A primeira imagem que nos sobe à mente é a de Vikings barbudos e nervosos de martelo erguido, que tem vindo a dar excelentes obras. No entanto estes Catuvolcus voltam a deslocar-se para diferente campo quando se debruçam sobre as Guerras da Gália e abordam as suas antigas origens Francesas, narrando sobre o povo Céltico – mais especificamente o Gaulês – e uma árdua guerra contra as tropas Romanas de Júlio César como ponto central do enredo.

Essa parte é a que melhor se pode sublinhar no que diz respeito à distinção de outros actos, porque musicalmente, a abordagem deste “Gergovia” é feita com bastante fidelidade ao género. Mas é uma fidelidade muito bem conseguida para se tornar obstáculo, ou seja, está demasiado bem feito para que se tentem impingir defeitos por aí.

O que aqui se ouve é um Black Metal bem forte, com um destaque habitual a residir na voz ríspida e berrada que o vocalista Segomaros entrega na perfeição. Instrumentalmente também não é produto novo na prateleira do Black Metal, quando os riffs que aqui se encontram são bem gelados e as suas melodias demonstram uma qualidade inegável. Transita-se com sucesso entre o mais brutal e o mais melódico, proporcionando o agradável balanço que torna as canções completas. Somos bem transportados mentalmente para um cenário de guerra e a intensidade com que se expelem estes temas permite-nos sentir um pouco do clima de guerra. E também a costela Folk por aqui anda quando cimenta as estruturas épicas das músicas – algo que se salienta em passagens de voz limpa também, por exemplo.

São nove longos temas – à excepção da introdutiva “Elaver” e a conclusiva “Elaver II” cujas estruturas curtas e acústicas ajudam na parte ambiental do álbum – que funcionam muito bem como um todo, principalmente tendo em conta que é um álbum conceptual – talvez a história não seja tão fácil de acompanhar para quem não dominar o Francês –, mas pode-se sempre dar destaque a algumas faixas como a épica “Litaviccos”, com duração de 12 minutos, ou a mais breve “À la Poursuite des Vents” que dá vontade de a ouvir ao vivo.

Como já disse, é um álbum muito completo e competente mesmo que não apresente muitas novidades sobre a mesa no campo musical, mas por aí ainda conseguem criar uma identidade. É como se fizessem algo novo a juntar a algo mais habitual. Ou fazer o habitual a partir de algo novo. De qualquer das formas não deixa de ser um sólido trabalho e uma banda que vale a pena espreitar, mesmo que à primeira pareçam mais uns – e aqui sublinho o “à primeira” – , que mesmo assim são mais uns mas bons.

Texto por Christopher JRM

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