Every Time I Die na República da Música (17/11/2012)

©Rui Gaiola

Texto por Hugo Rodrigues e Raquel Silva / Fotos cedidas por Rui Gaiola

Talvez fosse o frio, a crise ou, a mais plausível das razões, o facto de os Every Time I Die não terem estado juntos de nós assim há tanto tempo (recordamos que a banda passou por Lisboa em Dezembro do ano passado), mas a verdade é que a República da Música pareceu sempre despida de mais para o verdadeiro valor do cartaz que tínhamos à frente.

 A abrir a noite, os For Godly Sorrow tentaram passar a sua mensagem positiva através da apresentação do EP Black & White, e não se pode dizer que tenham falhado. É verdade que era um aglomerado pequeno, aquele junto ao palco, que cantou e vibrou com temas como “Today’s Fallen”, “Too Legit To Quit” ou a faixa homónima do EP, tendo inclusivamente direito a uma música nova, a ser lançada em breve pelas páginas da banda na internet, mas isso não os impediu de deixar tudo em cima do palco e de apelar constantemente a que vivamos no presente e lutemos pelos nossos sonhos, tal como eles o fazem. Quem sabe a noite de ontem não foi apenas mais um exemplo disto?

©Rui Gaiola

Seguiram-se os We Are the Damned, que preparam agora um novo disco a lançar no próximo ano e que, pela mostra, parece ser ainda mais rápido que os anteriores. Mais uma vez, The Shape of Hell to Come ficou de fora, assim como um dos guitarristas. De Holy Beast “Serpent” e “Devorador de Mortos” iniciaram uma actuação energética, tanto da parte do quarteto como do público. A República da Música não chegaria nunca à sua lotação, mas em frente ao palco compunha-se uma mancha suficiente para preencher o espaço durante “Summon the Black Earth”. Depois disto, ficou com certeza uma multidão sedenta pelo próximo álbum e por próximas actuações pela capital.

Uma rapidez diferente, foi o que tivemos direito depois da actuação dos We Are The Damned. Com raízes mais punk que hardcore, os Mr. Miyagi, também eles com um novo disco na calha, entraram primeiro em palco, e depois no cimento que o público pisava, onde Ciso san passou grande parte do tempo. Depois de duas músicas do novo disco, “Destruction Party” e “Son of Evil” fizeram as delícias de um público que, hoje, se portava à boa maneira portuguesa – saltos, mosh e roubos de microfone. To the Bone nunca sairá de moda, e apesar de We Are Always Angry contar com malhas incrível, esta noite não se viu – se ninguém pede “Skate na Veia”, ninguém a ouve. Enquanto no palco se tocava mais rápido do que se respirava, surgem “Acid Drop” e “Fat Pigs on My Back”. Lisboa conheceu mais duas novas músicas (intercaladas por “Skate or Die”), uma delas bastante mais calma do que é habitual (sendo dedicada a Maria Joana, não esperávamos que fosse diferente). Caos oficialmente distribuído, apareceu ainda “Cold One 6Pack” integrada apenas num lançamento da Lovers & Lollypops pela Optimus Discos. A finalizar um concerto de thrash exemplar, se é que assim se pode adjectivar, “Panic” fechou a actuação dos nortenhos.

©Rui Gaiola

Trocas de material feitas, um público já mais quente esperava ansiosamente pela entrada dos Every Time I Die em palco. Pouco passava das 23h30 quando a banda nos fez a vontade e arrancou ferozmente para “Underwater Bimbos From Outer Space”, single de apresentação do recente Ex-Lives e que nos já tinha sido mostrada o ano passado ao vivo, como a primeira novidade a sair do referido disco. E talvez seja essa a maior diferença entre o concerto de Dezembro passado e a noite de ontem, o mote era a apresentação do álbum que haveria de sair já este ano. Isso, e claro, a invejável barba que Keith Buckley ostentava.

Aquando da primeira pausa, o vocalista apresenta a banda e começa a pedir mais reacção e proximidade ao público: mais stage diving em “The Marvelous Slut”, um circle pit gigante em “Bored Stiff” e, que mostrem as vozes bonitas em “The New Black”, foram por exemplo alguns dos requerimentos, prontamente atendidos pelos fãs. E enquanto a descarga eléctrica, e sonora principalmente, vindas do palco, tomavam de assalto as fileiras da frente, os norte-americanos continuavam iguais a si próprios, não parecendo que terminavam ali uma digressão europeia que já se prolonga há algum tempo.

©Rui Gaiola

Com uma setlist equilibrada, a banda percorreu muita da sua discografia e atingiu pontos altos em “Kill The Music” de Gutter Phenomenon, “No Son Of Mine” de The Big Dirty ou “Ebolarama” de Hot Damn!, apenas mencionando algumas. Sabíamos que o fim se aproximava quando ouvimos os primeiros riffs de “We’rewolf”, mas não há tempo para ficar triste, até porque este tema nos provoca exactamente o sentimento oposto, a festa é grande, e termina com “Indian Giver”, que já tinha fechado a noite nas últimas datas da banda.

Dúvidas houvesse, e apesar da não tão esperada adesão de público, os Every Time I Die continuam a mostrar que a sua mistura de hardcore com umas pitadas de southern rock os diferencia e torna num peso pesado desta cena musical. E a verdade é que quando somos mordidos pelo party animal, já não há volta a dar.

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