Bruce Willis chegou ao grande público e lançou a sua carreira há já quase três décadas, com o seu papel na série Moonlighting – em Portugal, traduzida como Modelo e Detective. Não é um ator propriamente dotado ou prodigioso, mas sim alguém que gere a carreira com mestria. Compensou a sua falta de versatilidade enquanto ator (sejamos sinceros), participando em alguns dos filmes menos convencionais da história cinematográfica.
Em 1992 integrou o elenco de Death Becomes Her, uma comédia negra de Robert Zemeckis, em que Meryl Streep e Goldie Hawn lutam pela juventude eterna. A crítica não acolheu este filme da melhor forma, apesar do seu êxito comercial. Na minha lista assegurou um lugar especial: Bruce Willis fica com muita pinta de bigode e a Meryl Streep é a maior. Dois anos mais tarde, no papel de um pugilista em fim de carreira, Willis protagoniza um dos três capítulos que compõem Pulp Fiction de Tarantino. Pelo meio, ficamos a saber que a sua personagem vive um romance com a portuguesa Maria de Medeiros e livra Ving Rhames da humilhação pública.
No filme Twelve Monkeys, de 1995, Bruce Willis é um homem do futuro, que viaja de lá (2035) para cá (1997) – dando um pulinho à I Grande Guerra – na tentativa de descobrir a origem de um vírus que devastou a humanidade. Um filme que também revela um novo Brad Pitt, cuja personagem se cruza com Willis, quando ambos estão internados num hospício.
Já que falamos de futuro, em 1997, Willis levou-nos ao século XXIII. Em The Fifth Element, de Luc Besson, junta-se a Gary Oldman, Milla Jovovich, Chris Tucker, e ao grande Tricky. São duas horas de efeitos visuais intensos e guarda-roupa de Jean-Paul Gaultier. Corajosamente, a sua personagem evita uma crise de consequências intergalácticas, com toda a arrogância charmosa que nos cativa neste ator.
O ano de 2005 traz-nos Sin City, com um Bruce Willis em formato justiceiro numa cidade ultra-violenta e entregue à corrupção. A sua personagem, perde a batalha mas em prol de uma causa em que acredita. É um herói caído, cujo sangue foi derramado mas legitimado. Rodriguez recupera Willis para Planet Terror (2007), interpretando um papel totalmente oposto: é a sua insanidade e ganância que tornam a cidade zombie, obrigando Rosie McGowan e Freddy Rodriguez a libertar a população da maldita praga.
Mas não podia terminar sem mencionar aquele que é o seu grande papel. O John McClane de Willis é um durão, que tem o azar de estar no lugar errado à hora errada. Tudo na sua interpretação é credível, sendo a minha referência daquilo que deve ser um herói de ação. Do Die Hard de 1988, recordo carinhosamente a expressão “yippee ki-ay, motherfucker“, ainda hoje uma das minhas favoritas.
Texto por Isabel Leirós

